CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Leonardo escreve: Olá André, meu nome é Leonardo e escrevo do Japão. Acabo de ler, num blog do IG, que o volante Sandro pode ser contratado pelo Tottenham na próxima janela de transferências, em janeiro. E que um dos motivos (além de ser bom jogador) é que ele está sendo chamado pela Seleção Brasileira. Ser jogador de seleção é pré-requisito para jogar lá? Como são-paulino lembro que o Arsenal contratou o Denílson, em 2006. Na época ele deveria ter 18 anos, e não tinha convocações pela Seleção principal. Mas mesmo assim foi contratado porque o (técnico) Arsene Wenger garantiu que ele era um jogador de bom nível e assim foi feita a negociação. A pergunta é a seguinte: essa história de ser jogador com certo número de convocações pela sua seleção existe mesmo? E haveria alguma multa ou punição pro Arsene Wenger ou para o Arsenal, caso ele fosse um perna de pau?

Resposta: Bom, a regra existe, não é uma lenda. Foi feita para garantir que os estrangeiros que jogam na Premier League sejam da melhor qualidade. Mas o pré-requisito (obviamente, rigoroso demais) de aparecer em 75% das convocações da seleção no período de um ano nem sempre é aplicado. Se fosse, muita gente não estaria lá. Às vezes, basta um pedido por escrito do técnico de um grande clube, como foi o caso do Denílson. Noutras, uma carta do técnico de uma seleção importante, atestando que o jogador faz parte dos planos, também garante a contratação. E quando se fala em jogadores mais jovens, a exigência nem é tão grande. Não há multa ou outra punição, se por acaso a promessa não vinga. Ninguém tem bola de cristal.

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Felipe escreve: Fiquei me perguntando quando foi a última vez que o Brasil jogou um amistoso no Brasil. Não consegui lembrar… Só jogos fora do Brasil, principalmente na Inglaterra. E mesmo que tenha jogado recentemente, duvido que haja um equilíbrio entre jogos disputados aqui e lá. Gostaria de saber sua opinião. Há algum outro motivo para a Seleção “Brasileira” não jogar no Brasil, que não seja enriquecer a CBF? Não é interessante economicamente para a CBF jogar no Brasil? Como não, né? Quando a seleção joga, o estádio lota e o preço dos ingressos é alto… Parece que a Seleção é tratada como os Harlem Globetrotters… Chamam o time para se exibir, dar show e lucrar com a esperança de bom espetáculo. Tudo bem que há jogos no Brasil nas eliminatórias, mas veja se me entende… Eu que moro em Belém-PA, adoraria assistir um jogo da Seleção contra Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, ou qualquer outra de alto nível na minha cidade ou em alguma próxima. E pagaria o preço que cobrassem pelo ingresso e, eventualmente, as passagens de avião para outra cidade, só para ter o prazer de ver o Kaká, Adriano ou Júlio César em campo. Assim como eu, quem tem condições de bancar esse lazer, faria o mesmo. Será que é tão inviável assim o Brasil jogar no Brasil?

Resposta: Lamento decepcioná-lo, mas a resposta é sim. A Seleção Brasileira não faz amistosos no Brasil por vários motivos. Os principais (não necessariamente nessa ordem): 1) há um acordo entre a CBF e os principais clubes europeus para que os jogadores sejam liberados para amistosos da SB, desde que não tenham de fazer viagens muito desgastantes; 2) há empresas européias que trabalham para organizar os amistosos da SB; 3) não há comparação financeira imaginável entre um amistoso na Europa e um amistoso no Brasil. Um amistoso por aqui não teria os jogadores que atuam na Europa, não teria um adversário interessante (verdade que, muitas vezes, isso acontece lá também), e não seria tão rentável. A comparação é desleal.
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ze.chico.baude escreve: André, vendo o jogo Brasil x Gana, no Mundial sub-20, me veio uma idéia. Por que não dar uma substituição extra em prorrogações? Daria um pouco mais de fôlego pros times jogarem os 30 minutos extras. Se tem 1 substituição a cada 30 minutos no tempo padrão, nada mais justo que manter essa média. Concorda?

Resposta: Sim. Não faria mal nenhum.

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Luciano escreve: André, foi só começarem a falar na volta do mata-mata para o Campeonato Brasileiro ficar ainda mais disputado. Você acha que agora vão mudar de assunto?

Resposta: Pois é. Dependendo dos jogos deste fim de semana, a diferença do primeiro para o quinto pode ser de apenas 3 pontos. E se o Flamengo ganhar o título, muitos argumentos contra o sistema cairão. Fora isso, o presidente da CBF não se mostra disposto a mudar o formato de disputa do campeonato. Mas não acho que as forças contrárias aos pontos corridos desisitirão. No final da conversa, a decisão está nas mãos dos clubes. Esse é um embate entre clubes que querem ser saudáveis e clubes que querem continuar doentes. A TV prefere os doentes.

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Muito obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Você é um homem que paga suas dívidas?”

Ryder para Garber, em “O Sequestro do Metrô”.



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