FROM BEHIND



Os jornais sul-africanos comemoraram a demissão de Joel Santana.

Um deles, o Sowetan, estampou uma manchete em português: “Adeus Amigo”.

A saída de Joel é vista como a correção de um erro. E Carlos Alberto Parreira, provável ex-futuro técnico dos Bafana Bafana, saudado como um “verdadeiro campeão”.

Joel foi grelhado desde o primeiro dia.

Você deve se lembrar da manchete de um outro jornal, o Daily News, em maio de 2008: “Mr. Nobody”, foi como o diário saudou a chegada do treinador brasileiro.

Na época, em uma coluna no Lance! sob o título “Olhem Quem Está Falando”, escrevi o seguinte:

O próprio artigo do Daily News revelou alguma lição de casa, ao citar as conquistas de Joel pelos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, e a impressionante arrancada rubro-negra no Campeonato Brasileiro do ano passado. Mas essas informações podem ter sido fruto de uma simples busca virtual.

Eu fui um pouco além. Encontrei nomes como Stanley Tshabalala, Ephraim Mashaba, Trott Moloto, Styles Phumo, Stuart Baxter e Pitso Mosimane, ao imprimir a lista de todos os jogos da Seleção da África do Sul desde 1992. Sabe quem são? São técnicos que comandaram os Bafana Bafana. Candidatos melhores do que Joel Santana para serem descritos como “pontos que não aparecem no radar dos treinadores internacionais”, nas palavras de outro jornal local. Também encontrei nomes mais conhecidos, como o português Carlos Queiroz, o francês Philippe Troussier e, lógico, o brasileiro Carlos Alberto Parreira.

Mas quem será que a imprensa sul-africana queria como substituto de Parreira? Quem o Daily News chamaria de “Sr. Alguém”? Scolari? Lippi?

Os sul-africanos têm uma seleção média tanto em termos mundiais (esteve em duas Copas, 98 e 2002) quanto em termos continentais (um título de Copa Africana, 96), um time que merece o apelido infantil. Quando, e se, crescerem e fizerem algum barulho, terão direito a um nome mais maduro.

Mas não poderão chamar nenhum técnico de “Sr. Ninguém”.

Pois é. A seleção que muito provavelmente não jogaria a Copa de 2010 se ela fosse em outro país, acha que os grandes técnicos do futebol mundial deveriam se digladiar para comandá-la.

E dispensou Joel Santana de um jeito desnecessariamente cruel, após uma reunião sobre os últimos amistosos. Ele já estava a caminho de casa quando seu celular tocou.

Não sou o maior fã do trabalho de Joel. Já escrevi isso por aqui.

Mas há sérios problemas (muito piores do que as vuvuzelas…) na Associação Sul-Africana de Futebol.



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