CAIXA-POSTAL



Enquanto escrevo (agora são 11h17), chove forte e faz frio em São Paulo. É basicamente o pior pacote que se pode imaginar.

Fora isso, o céu está tão escuro que é preciso acender as luzes.

Parece que uma daquelas naves gigantes de “Independence Day” está em cima da minha casa.

Aos temas da semana:

Marcelo escreve: André, o Blog do Gustavo Villani dia 12/10 emitiu a emitiu a opinião do Arnaldo César Coelho sobre o lance do pênalti do Pet sobre o RC que o juiz mandou voltar: “A regra 14 (Das Penalidades) diz que o goleiro só pode sair da linha depois da batida na bola. Acontece que a regra foi criada para que o goleiro não chegue à linha da pequena área, no momento do chute. No entanto, já existe um consenso entre os árbitros de diferentes partes do mundo que releva esse tipo de passo à frente dado pelo Rogério, pois é impossível projetar-se a um dos cantos com os pés na linha. Se o goleiro não sai antes da batida, dificilmente chega na bola.” Minha pergunta é: a regra é clara ou dá margem a interpretação?

Resposta: Os dois. Essa regra é um fenômeno. Ela é clara, pelo que está no texto, ao proibir o movimento para a frente. Mas dá margem a interpretação por causa do que o Arnaldo mencionou. Desse modo, há árbitros que permitem que o goleiro se mexa, e outros que não permitem. O Brasil talvez seja o único lugar em que se mande voltar pênaltis por causa de avanço do goleiro. Obviamente, isso precisa ser revisto. Agora, só como complemento: viu o goleiro do time sub-20 de Gana, nas cobranças contra o Brasil? É o “goleiro siri”, mostrando que é possível pegar pênaltis movendo-se sobre a linha.

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Roberto Carlos escreve: Recentemente, ao ser convocado para a Seleção o zagueiro Miranda falou abertamente que seus companheiros do São Paulo estranharam a sua convocação, pelo fato do mesmo não possuir empresário. Eu esperava que esta declaração fosse uma “bomba”, porém não teve grande repercussão. Não é estranho que um jogador que está na vitrine, pois joga em time grande, necessite ter empresário para chegar à Seleção? Algum motivo existe para que seus companheiros tenham achado estranho, ou estou enganado?

Resposta: Não vi/li essa declaração do Miranda, por isso não sei em que contexto ela se deu. Mas o que é anormal (e isso eu já vi o Miranda falar), hoje em dia, é um jogador profissional não ter um agente. Pois o agente não é só aquele cara que representa o jogador nas conversas sobre renovação de contrato com o clube. É o cara que (pelo menos em tese) trabalha pelo desenvolvimento da carreira do cliente, em todos os aspectos. Fazer lobby pela convocação de um cliente faz parte desse trabalho? Pode ser que sim. Todos já ouvimos histórias interessantíssimas sobre esse campo, não? De novo, não sei exatamente o que o Miranda quis dizer.

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Filipe escreve: Você acredita que daqui a algum tempo os jornais tradicionais irão perder de vez o espaço na mídia e imprensa brasileiras? E mais uma pergunta: você acredita que os novos jornalistas irão passar dificuldades daqui a algum tempo por conta de tudo isso? A área de jornalismo se tornará inviável daqui a alguns anos?

Resposta: Não acho que o jornal de papel vai acabar. É provável que alguns deixem de existir, porque o mercado obviamente está se transformando por causa da internet, mas não creio que veremos o “desaparecimento da espécie”. O que acontecerá, imagino, é a total mudança de foco daquilo que o jornal de papel oferecerá ao leitor. Não fará sentido competir com a cobertura instantânea da TV, do rádio e da imprensa virtual. Manchetes de primeira página do tipo “Seleção Brasileira vence e está na Copa”, sobre um jogo que aconteceu na noite anterior, estão com os dias contados. Veremos algo mais profundo, mais analítico, que possa complementar aquilo que todo mundo sabe desde que foi dormir, ou seja, que a Seleção ganhou e se classificou. Jornais como o espanhol “El Pais” já fazem isso há algum tempo. Não informa o fato diretamente, mas o que está por trás, ou ao redor. Sobre as dificuldades que os novos jornalistas terão, creio que serão as dificuldades causadas pelas já citadas transformações do mercado de trabalho, algo que não é novidade. A diminuição do número de empresas, de lugares para trabalhar, obviamente tem impacto no número de vagas, aumenta a competição. Mas como a profissão, por mais que mude, não deixará de existir, não acredito que o jornalismo se tornará inviável.

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Fernando escreve: Quando veremos você comentar, ao lado do Everaldo Marques e do Paulo Antunes, um jogo dos playoffs da MLB?

Resposta: Já tive a cara de pau de participar da transmissão de um Yankees x Red Sox, alguns anos atrás. Foi legal, mas, obviamente, não é o meu papel. O Everaldo e o Paulo fazem um trabalho excepcional, e não precisam de um mala atrapalhando a transmissão deles. Fora isso, meu time está na briga, e eu seria um comentarista-torcedor escancarado.

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Como sempre, muito obrigado pelas mensagens. A CP volta no sábado que vem.

(e-mails para a Caixa-Postal do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Sou motivado pelo meu dever.”

James Bond, em “Quantum of Solace”.



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