3P PARA FERNANDO MEIRELLES



Não preciso dizer quem é Fernando Meirelles.

A participação dele nos filmes exibidos na campanha da Rio 2016 me deixou curioso.

Mandei três perguntas por e-mail. Fernando fez a gentileza de respondê-las:

Qual foi seu envolvimento nos ótimos filmes feitos na campanha da Rio 2016?

Entrei como uma espécie de diretor geral, mas acompanhei, meio de longe, os primeiros filmes produzidos. Foram 7 ao todo. Quem amarrou todo o processo de direção foi o Rodrigo Meirelles. No pacote completo trabalharam o Nando Olival, o Cesar Charlone, o Renato Rossi, o Rodrigo Meirelles, o Paulinho Caruso e eu, fora a turma da pós (-produção) da O2 que foi quem mais trabalhou. Nos filmes apresentados na Dinamarca, os últimos, rachei a direção com o mesmo grupo sem o Cesar e nem o Nando.

Qual é sua opinião sobre a oportunidade de realizar os Jogos, tendo em vista o que houve no orçamento do Pan de 2007?

Parece que os erros do Pan acenderam uma luz vermelha e já há mais de 11 comitês montados para fiscalizar custos e prazos desta vez. A prefeitura tem um, o Ministério Público, o Ministério do Planejamento, o Tribunal de Contas, há ONGs montando grupos de controle para que tudo aconteça de forma transparente. Com tudo isso e mais a imprensa cobrando, acho que teremos uma boa oportunidade que pode dar certo. A solução é essa mesmo, fazer direito ao invés de simplesmente não fazer porque pode não dar certo. Pelos Jogos acontecerem aqui deve surgir uma nova geração de atletas no país, como ocorreu com a China. Isso é ótimo.

Para quem foi o autor do melhor retrato já feito sobre um aspecto da vida real no Rio, como é imaginar uma Olimpíada na cidade?

Há tempo para preparar a cidade para o evento. O fato de haver uma data onde tudo deve estar pronto coloca uma pressão que pode, de fato, ajudar as mudanças a andar. Para ser honesto eu funciono muito assim, nada como um prazo para me fazer sair fazendo.



  • Anna

    Adoro Fernando Meirelles. Cidade de Deus, apesar da violência real que evito em filmes, é uma obra-prima e O Jardineiro Fiel é maravilhoso, um dos melhores filmes que já vi. Admiro muito o trabalho dele. Muito legal você tê-lo entrevistado.

  • Edouard Dardenne

    O trabalho do cineasta Fernando Meirelles é, no mínimo, memorável.
    Mas quando o assunto é dinheiro público, não posso concordar com ele. Poderia haver 30, 40, 50 órgãos interessados em fiscalizar o gasto de dinheiro público. Ainda assim, haverá gente nadando de braçada. Já trabalhei diretamente com assuntos ligados a Tribunais de Contas, e vi fiscalizações serem acompanhadas diretamente pelo MP. Não adianta. Só serve para impor um mínimo de pudor nas falcatruas. Alguns peixes pequenos acabam servindo de bois de piranha, para uma falsa sensação de controle e moralidade. O grosso mesmo, ninguém pega, e tudo cai no esquecimento.
    A propósito da existência de prazos para conclusão da infraestrutura dos Jogos, é aí mesmo que mora o perigo. Vamos todos ter nojo quando aparecerem argumentos invocando a ameaça à imagem nacional caso as obras não estejam concluídas no prazo.
    E depois, bem, depois vem a impunidade. apesar do descalabro, ninguém é punido seriamente, exceto alguns poucos e pequenos expiatórios.
    É verdade que o fato de algo ter sido mal feito no passado não deve justificar que não se tente algo melhor. Ou, como ele diz, “fazer direito ao invés de simplesmente não fazer porque pode não dar certo”. É correto.
    O problema não está apenas em “como fazer”, isso é fácil de corrigir. O problema está em “quem fará”. Em outros lugares do mundo, onde se cumprem as leis, alguns desses gestores teriam sido presos, outros teriam sumido, perdido espaço. Aqui, nós assinaremos um cheque de R$ 30 bilhões de reais para que eles tentem novamente.
    Um abraço.

  • Luiz Felipe

    Se pararem de estacionar os carros em cima das calçadas e de atirar lixo pela janela dos automóveis, já será um bom início para mudar a imagem do Rio.

  • Willian Ifanger

    Muito legal a entrevista, apesar de curta. Mas aproveitou bem as perguntas. Acho que ele pensa mais ou menos como eu sobre as Olímpiadas aqui no Brasil. Gostei dessa frase “(…) A solução é essa mesmo, fazer direito ao invés de simplesmente não fazer porque pode não dar certo.” Ainda mais que temos a sorte de ter uma imprensa fiscalizadora das melhores do mundo (podia ter medalha pra isso, hein?….hehehehe).

    Eu sei que é a visão mais superficial possível……mas eu estou muito feliz com a chance de poder acompanhar as Olímpiadas de perto…..de poder ter a chance de ver provas de atletismo, ginástica, natação, etc…de alto nível. Do frisson de um recorde poder ser batido. Não imagino isso na minha vida com as Olímpiadas longe daqui.

    Sou apaixonado por Olímpiadas, até mais que Copa do Mundo; acho que as Olímpiadas, num todo, ainda tem um romantismo que a Copa do Mundo – e o futebol em si – perdeu. Adoro os filmes Olímpicos, que a ESPN passa quando está chegando os Jogos. E por mim Olímpiadas poderiam sempre acontecer do outro lado do mundo, porque dá pra acompanhar tudo bonitinho de madrugada…….hehehehe.

  • Marcio

    Fernando Meirelles merece o Oscar de efeitos especiais pois apagou todas as favelas do Rio. .

  • Ricardo

    A sua terceira pergunta ‘e a sua cara

    Sucinta e inteligente

    Pena que nao fui eu quem fez….

    Abraco Grande Andre!

  • Marcel Souza

    Parabéns pela (curta) entrevista. Sem dúvida os filmes do Meirelles na apresentação contribuíram para a escolha do Rio.

    De resto, espero que ele esteja certo!

    1 abraço

  • Cruvinel

    Boa entrevista com o Fernando Meirellles!
    Sou fã dele…

  • daniel kersner

    O cineasta não caiu na pegadinha !!!! O jornalista bem que tentou mas tomou uma volta “bunita”.

    Eu sei que o papel do jornalista é instigar, cutucar e se possivel “trair” o entrevistado.

    Mas dessa vez você tomou um olé meu camarada.

    Fica pra proxima …

    AK: Não me responsabilize pela sua interpretação do que está escrito. Um abraço.

  • Paulo CC Saraceni

    André, a Globo estaría interessada em fazer voltar o mata-mata e já interpelou o clube dos 13. Quer aumentar a audiência. Realmente no Brasil quando algo dá certo tem sempre alguém ou alguma coisa trabalhando contra. Agora que a fórmula dos pontos corridos se consolidou, com crescente sucesso junto ao torcedor e vem obrigando os clubes a fazer uma verdadeira revolução em suas administrações, a globo que matar, digo, mata-mata, e aumentar suas receitas.
    No seu exclusivo interesse a emissora quer mata-mata entre os clubes para ela sobreviver cada vez mais lucrativa sobre todos, e estes voltando a ficar cada vez mais dependentes dela.
    E agora que o nacional ocupa toda a temporada praticamente o que fazer com os clubes desclassificados?
    E o patrocinador que planeja investir sua marca para ser divulgada durante todo o campeonato?
    É o mérito esportivo aferido em igualdade de condições de todos contra todos, em turno e returno, que afasta o campeão fortuito?
    A globo vai aumentar suas receitas e sem dúvidas as dos clubes vai cair, drasticamente, e ela arranjará um jeito de adoçar os lábios dos dirigentes com adiantamento de verbas e os mantendo mais dependentes da receita da tv.
    Agora que os clubes, bem administrados, vinham descobrindo o caminho do aumento de receitas diversificadas se tornaram uma ameaça para a patroa monopolista e ela logo quer terminar esta festa, já que a equação clube forte + futebol forte = independência financeira vai diminuir o poder da telinha.
    Abram os olhos dirigentes, não sejam venais, pensem no clube, no patrimônio que é de todos os torcedores.
    Na verdade poderão os clubes estar fazendo a opção para o morre morre.

  • Leonardo atleticano

    André, então, além de molhar a mão de lobista, políticos em geral, fiscais de toda natureza, empresários em geral, empreiteiros e outros. Já tem onze comitês para dar a sua mordida também? Ainda tem os tantos jornalistas que recebem para só falar bem. Acho que vai ser um expetáculo do crescimento essas olimpíadas, vai crescer a conta de muita gente. Que vc fique rico também com elas, mas de tanto fazer hora extra.

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