COLUNAS DOMINICAIS



Sim, duas.

Além da de sempre, hoje está aqui a do PVC, sobre a emboscada aos pontos corridos.

Bom domingo.

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(publicada ontem, no Lance!)

ESPELHO, ESPELHO MEU

Ninguém (deixe-me repetir: ninguém) é bonito ao olhar-se no espelho, logo pela manhã. Tenho certeza de que você sabe disso. Mas, como dizem os médicos, a qualidade do sono tem um papel decisivo na imagem refletida diante do olhar, ainda embaçado, de seres humanos recém-despertos.

Sabe aquele rosto inchado, muitas vezes marcado pela posição do travesseiro, resultado de uma longa e tranquila viagem pelo território de Morfeu? É Dunga.

E a cara maltratada pelo pouco descanso, os olhos avermelhados querendo se fechar, a cabeça que lateja implorando por um tempo no piloto automático? Maradona (por favor, sem absolutamente nenhuma conotação maldosa).

Enquanto a Seleção Brasileira olha para os dois últimos jogos das Eliminatórias apenas como compromissos formais (apesar da visita de hoje às alturas bolivianas) com a tabela, a Argentina enfrenta uma crise de hipertensão nacional.

Há uns quinze dias encontrei um jornalista argentino, meu camarada. Ele acha que a Celeste y Blanca irá à Copa de 2010, mesmo com o alto risco de repescagem. O problema é o que acontecerá na África do Sul. A Argentina já percebeu que o experimento com Maradona deu errado, que o segundo maior jogador de futebol da história da humanidade não conseguiu se transformar num técnico. O imortal Diego é um motivador que pode estar no final de seu prazo de validade. Quanto tempo duraria o discurso de que “é preciso morrer pela camisa”?

Pelo visto, pouco. E é curioso que, lá, reclame-se tanto da relação dos jogadores com “a camisa”, quanto aqui. Sempre achamos que fosse um problema só nosso… mas, enfim, é preciso mais. E Maradona não tem como oferecer mais. Os jogadores já descobriram que precisam se virar. Tanto que, de acordo com a imprensa argentina, não foi a voz do técnico a mais ouvida no vestiário de Rosário, no intervalo da derrota para o Brasil. Foi a de Juan Verón, com orientações sobre posicionamento.

Os problemas também vêm de cima, com os recados de Julio Grondona, chefão da AFA, de que se a Argentina for ao Mundial, Maradona não será o técnico. Parece loucura, pois como será possível tirá-lo do cargo, com a vaga nas mãos?

Talvez o sinal mais claro de que o professor Maradona está perdido seja o número de jogadores convocados: 78 para 13 jogos. Dunga, só como comparação, chamou 81 para 50 jogos. Meu camarada argentino está certo quando diz que “o Brasil claramente tem um time, e Dunga sabe o que está fazendo”.

O momento mais interessante de nossa conversa veio quando ele disse “imagine a cabeça de Messi, que recebe orientações táticas de Guardiola no Barcelona. Ou de Zanetti, que ouve Mourinho. Aí eles chegam na seleção…”. Ponderei que, lá atrás, os mesmos questionamentos poderiam ter sido feitos com relação aos brasileiros que jogam nesses clubes e na Seleção. Ele respondeu que os resultados provam que não. É verdade.

Para Maradona, os resultados definitivos serão os de hoje, em Buenos Aires, e quarta-feira, em Montevidéu. Enquanto isso, Dunga conta os carneirinhos.

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(publicada hoje, na Folha de S. Paulo)

PAULO VINICIUS COELHO

Que negócio é esse?


Nem tudo o que é bom para o futebol brasileiro é necessariamente bom para a televisão, e vice-versa


TERÇA-FEIRA passada, dia 6, Marcelo de Campos Pinto participou de um dos seminários da MaxiMídia, em São Paulo. Trata-se, você sabe, do diretor da Globo Esportes, sempre disposto a mudar o Brasileirão de pontos corridos e voltar ao modelo dos mata- -matas. Mas o assunto em pauta no seminário era Copa de 2014. Da mesa, além do diretor global, participavam J. Hawilla, proprietário de retransmissoras da Rede Globo no interior paulista, Paulo Saad, representante da TV Bandeirantes, e Júlio Casares, ex-diretor de marketing do São Paulo, pela TV Record.

No meio do painel, Marcelo de Campos Pinto colocou um assunto em pauta, do nada.
“Futebol não é entretenimento. É negócio. E, por isso, precisamos tomar muito cuidado com o atual formato do Brasileirão. Estamos largando dinheiro na mesa”, declarou, referindo-se a quantias supostamente desperdiçadas.

Imediatamente, Júlio Casares retrucou. Disse que o diretor da Globo quer discutir um modelo consolidado. Ouviu a tréplica: “Você acha que esse modelo funciona porque o São Paulo é tricampeão”.
J. Hawilla, concessionário da Globo, e Paulo Saad, da Band, parceira global nas transmissões do Brasileirão, apoiaram Campos Pinto.

Na véspera, segunda, o diretor da Globo participou de reunião no Clube dos 13 e de novo tentou emplacar os mata-matas. O Painel FC, nesta Folha, já deixou claro que o lobby pelo fim dos pontos corridos tenta se fortalecer. Na segunda, os dirigentes ouviram divididos o discurso global. Há os que gostariam de voltar aos mata-matas. Especialmente os que não se aproximaram da luta pela taça nos últimos seis anos. Mas, de modo geral, a ideia não foi bem recebida. “Hoje, há maioria, entre os dirigentes de clubes, pela continuidade dos pontos corridos”, diz o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo.

A Globo quer mais do que o fim dos pontos corridos. Quer a diminuição dos Estaduais e o fim da Copa Sul-Americana, ou pelo menos a exclusão dos maiores clubes do país do torneio. Como a CBF já divulgou o calendário de 2010, não há hipótese de mudança no ano que vem. Mas haverá novas batalhas até 2011. Uma delas: o C13 comprometeu-se a encomendar pesquisa para entender o que o consumidor final, o torcedor, julga dos pontos corridos e dos mata-matas.

“Precisamos ouvir nossos patrocinadores, porque, se colocarmos tudo na mesa, eles pagam mais do que a Globo”, diz Belluzzo. O presidente alviverde é favorável ao debate. Ao debate, não à imposição. Se o argumento da Globo prega “futebol é negócio”, é necessário entender de que negócio se está falando. Se o negócio é o futebol, os clubes melhoraram suas receitas com bilheteria e seus contratos de patrocínio na era dos pontos corridos. Também acabaram com o risco da eliminação em novembro -eram dois meses sem atividade, pagando salário e 13º aos atletas.

O que é bom negócio para o futebol não é necessariamente bom para a TV, e vice-versa. Por isso, se é a Globo quem faz força para os mata-matas voltarem, a pergunta é: ela pensa no bem do futebol ou da TV?

Afinal, que negócio é esse?



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