TA-TA-TA!!!



Muito obrigado a todos que enviaram a explicação sobre o “ta-ta-ta-Tardelli!!!”. Eu não fazia idéia da história que está por trás da maneira como um dos vice-artilheiros do BR-09 comemora seus gols.

Mas quando escrevi “nunca vou entender a simulação de tiros, comum no mundo inteiro”, não estava exatamente em busca dos motivos que levam jogadores a imitar um pistoleiro. Fiz um comentário sobre a repercussão dos gestos.

Veja, não estou falando apenas de Diego Tardelli (um jogador elogiado repetidas vezes aqui neste blog, pelo que vem fazendo na temporada), e nem poderia. Keirrison fazia o mesmo, Vágner Love fez no domingo na Vila Belmiro…

Há muitos outros tipos de comemoração que considero desnecessários. Mandar a torcida adversária se calar, o maldito (e proibido) “créu”, ou o “chororô”. Não gosto de basicamente tudo o que é diferente de correr para a própria torcida e extravasar o momento de alegria suprema do futebol. E acho, como também já escrevi, absurda a norma que pune um goleador com cartão amarelo por tirar a camisa.

É evidente que Tardelli (assim como qualquer outro “pistoleiro de gols”) não tem nenhuma intenção maldosa ao escolher tal comemoração. É algo para ser levado na boa, mesmo nos casos em que não há histórias que os expliquem. Você e eu entendemos isso perfeitamente. Conseguimos separar a brincadeira da apologia à violência.

Mas lembra daquela conversa de que “jogadores são modelos para as crianças”? Talvez você ache demagogia quando sai da boca de comentaristas, ou presunção quando sai da boca dos próprios esportistas. Só que é verdade.

Para a garotada atleticana que gostaria de dormir e acordar, todos os dias, vestindo uma réplica da 9 do Galo, Diego Tardelli é um ídolo, um exemplo. Eles querem fazer gols como ele, fazer o Mineirão cantar como ele, querem ser como ele. Não há nada de errado nisso, exceto o fato de crianças não serem capazes de fazer a distinção quando vêem as comemorações.

Tardelli não é culpado de nada. Ainda mais numa sociedade em que a violência ficcional faz tanto sucesso nos cinemas, e a violência real está diariamente na televisão. Ainda que haja restrição de idade no primeiro, e de horário no segundo.

Um artilheiro que comemora seus gols simulando tiros não está formando bandidos. Está só jogando a favor da banalização do que não deve ser banalizado.

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A respeito do assunto, de forma mais ampla, aqui está uma ótima reportagem levada ao ar hoje na ESPN Brasil.

Eis alguém que escolherá outro tipo de comemoração.

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ATUALIZAÇÃO, quarta-feira 07/10, 0h12 – Sobre a punição para quem tira a camisa: em 2003, a Fifa informou as associações nacionais a respeito de decisões tomadas em reunião do International Board.

Entre as determinações para a arbitragem, constava a punição com cartão amarelo para os jogadores que comemoram gols tirando a camisa ou cobrindo o rosto. O ato é considerado uma “comemoração excessiva” e, portanto, desnecessária.

A medida nada tem a ver com patrocinadores. É aplicada nos jogos entre seleções nacionais, cujos uniformes de jogo não são patrocinados.

O que houve, no mundo inteiro, e mais recentemente, foi uma gestão de algumas empresas patrocinadoras aos clubes, reclamando do sumiço de suas marcas no momento do gol. Coisa interna.

Isso aconteceu quando alguns jogadores passaram a erguer a camisa nas comemorações para exibir mensagens de feliz aniversário, fotos do filho, do cachorro… quando a coisa evoluiu para a religião e a política, a Fifa se preocupou e resolveu relembrar os árbitros do mundo de que já havia uma proibição.

A origem da medida não tem relação com os patrocínios de camisa.



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