COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DAQUI A SETE ANOS…

A grande questão em Copenhague era se o companheiro Obama faria a diferença. Se o primeiro presidente americano na história a ir a uma sessão do COI, para pedir a chance de sediar os Jogos Olímpicos, seria capaz de decidir a eleição com seu sorriso.

Enganou-se quem pensou que Barack Obama pegou o Air Force One e fez um bate-volta até a Dinamarca, só para buscar a Olimpíada de 2016. Como se fosse apenas uma questão de massagear o ego dos membros votantes com sua carismática presença. Se o havaiano Obama não passasse quase cinco horas em Copenhague, a derrota de Chicago seria ainda mais feia.

O Comitê Olímpico Internacional não exige a presença de chefes de estado em suas sessões decisivas. Mas não rejeita o prestígio que ela significa. E desde que Tony Blair foi até Cingapura pedir votos para Londres 2012, e ganhou, quem fica em casa pode ser responsabilizado pelo fracasso. Não foi por vontade de conhecer a América Central que Vladimir Putin esteve na Guatemala, dois anos atrás, para levar os Jogos de Inverno de 2014 para Sochi, na Rússia. E não foi para conhecer o campinho em que os irmãos Laudrup deram os primeiros toques na bola que Lula e demais colegas foram a Copenhague.

Mas o companheiro Obama apenas passou pela capital dinamarquesa. Seu avião pousou às 08h10 e decolou às 12h55. Alguns membros do COI podem ter achado “business” demais. Mesmo porque os outros líderes estavam lá há mais tempo. Lula, desde quarta-feira.

Numa das entrevistas que concedeu nessa semana, nosso presidente disse que o Brasil mudou, que hoje não vamos a essas disputas nos sentindo como cidadãos de segunda classe. Pode ser verdade. Mas deve haver uma razão para que o COI tenha tomado a “decisão ousada” (como pediu Nuzman) de entregar os Jogos ao único país, entre os quatro finalistas, que é de segunda classe, esportivamente falando. Ou terceira.

O que temos no Brasil são autoridades esportivas que, até hoje, só pensaram no final da fila. Ontem, o COI as autorizou a dar uma festa bonita, moderna, num apartamento em que há infiltrações, a descarga não funciona, a luz é gato e a geladeira está vazia (não estou falando do Rio, mas do Brasil). Vão gastar e gastar para reformar o apartamento, apostando na “melhora da autoestima” do morador esfomeado. Tomara que dê certo, mas o dinheiro precisa ser gasto exclusivamente na reforma.

Foi muito boa a apresentação da candidatura carioca, que mostrou um competente plano de realização da Olimpíada. Embalada por um emocionante vídeo que saiu da mente brilhante do cineasta Fernando Meirelles, autor, veja só, de “Cidade de Deus”. Somos mesmo o país dos contrastes.

Um país que será o quarto, em todos os tempos, a emplacar Copa do Mundo e Jogos Olímpicos na sequência. México, Alemanha e Estados Unidos foram os outros.

Que a primeira Olimpíada realizada na América do Sul seja histórica em outros aspectos. Que aconteça num Brasil realmente mudado, transparente, em que o dinheiro de quem paga imposto seja usado com probidade, e a corrupção seja punida.

Em nome da nossa autoestima.

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AVISO AOS DESPROVIDOS DE ARGUMENTOS E PROTOZOÁRIOS VIRTUAIS: comentários baseados em “bairrismo” e outras idiotices serão imediatamente dedetizados.

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