CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Daniel escreve: Escrever “artigos” simplesmente repercutindo o que alguém coloca no Twitter é jornalismo? Como avalia essa tendência, que me parece o mesmo que fazer trabalho de assessoria de imprensa?

Resposta: Talvez eu tenha entendido errado sua pergunta. Mas vou responder sob o ponto de vista do jornalista, e do tratamento que ele dá a uma informação recebida via twitter. Bem, a maneira como a informação chega não a diminui, certo? Seja numa conversa pessoal, telefônica, por e-mail… se há a confirmação de que aquilo é verdadeiro, ou a confirmação da opinião de alguém que é notícia, não há motivo para que não seja usada. As formas de comunicação entre as pessoas estão em constante transformação, é preciso que nos adaptemos a elas. Informações que chegam a uma redação, ou a um jornalista, via assessoria de imprensa, também devem ser tratadas da mesma maneira.

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Guto escreve: Você poderia me explicar como funciona a suspensão por cartões amarelos no Campeonato Brasileiro? Imaginando que um atleta receba um cartão no jogo 1, e no jogo 2 ele receba mais um. Está pendurado para o jogo 3. No jogo 3, ele recebe um amarelo, e em seguida recebe mais um, sendo expulso. De qualquer maneira ele estaria fora do jogo 4, por ter recebido o terceiro cartão, certo? Mas quantos jogos ele vai cumprir de suspensão?

Mais uma suposição: se o atleta recebe um cartão no jogo 1, e no jogo 2 ele recebe dois cartões amarelos, sendo expulso. Com quantos cartões amarelos ele ficará? Quantos jogos ele cumprirá?

Resposta: Eis o que diz o Regulamento Geral das Competições, da CBF:

§ 2º – Na aplicação dos cartões amarelos deve prevalecer o seguinte protocolo:

a) Quando um atleta for advertido com um cartão amarelo e, posteriormente, for expulso de campo com a exibição direta de cartão vermelho, aquele cartão amarelo inicial permanecerá em vigor, para o cômputo dos três cartões que importarão em impedimento automático;

b) Quando o cartão amarelo for o terceiro da série, o atleta será penalizado com dois impedimentos automáticos, sendo um pela seqüência de três cartões amarelos e outro pelo recebimento do cartão vermelho;

c) Quando um atleta recebe um cartão amarelo e, posteriormente, recebe o segundo cartão amarelo, com a exibição conseqüente do cartão vermelho, tais cartões amarelos não serão considerados para o cômputo dos três que geram o impedimento automático.

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Magnus escreve: André, já que tanto se discute sobre o impedimento (de 5cm ou 2m), te pergunto a tua
opinião sobre a extinção dessa regra.

Resposta: Sou contra acabar com o impedimento. Tal medida implicaria no surgimento, no futebol profissional, daquela figura conhecida nas peladas como “banheira”. Geralmente é um cara acima do peso, de técnica grosseira, que não aguenta correr e só quer saber de tocar a bola pro gol. O impedimento é, obviamente, a mais polêmica das regras do futebol, porque é raríssimo vermos um jogo em que não há um erro de arbitragem em sua marcação. Cobra-se dos assistentes a capacidade de olhar para dois pontos ao mesmo tempo, algo apenas possível para os camaleões. Como minha posição é favorável ao uso da tecnologia para auxiliar os árbitros, acho que a regra do impedimento deve continuar como está.

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José escreve: O que seria pior para a mídia, CBF e jornalistas: o São Paulo ou o Murici 4 vezes seguidas campeão?

Resposta: Posso falar apenas por mim. Não faria nenhuma diferença. Mérito é mérito.

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Obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“A religião tem falhas porque o homem tem falhas.”

Cardeal Strauss, em “Anjos e Demônios”.



  • Anna

    Gostei da pergunta sobre o Twitter porque para mim é a melhor ferramenta da atual tecnologia. Temos sempre que checar as informações e do assessor de imprensa também, pois as vezes são desencontradas ou ele quer esconder algo. Tive uma saia justa respeito disso essa semana, sobre publicar ou não a informação passada mas que não se queria divulgar.. E já estava publicada no Diário Oficial. coloquei na matéria e graças a Deus tudo deu certo. sua escolha de filmes atuais tem sido muito boa mas permita-me discordar desse filme baseado no livro de Dan Brown apesar da frase ser boa e me fazer refletir. Não compro nem assisto filmes baseados em livros de Dan Brown principalmente porque ele cria historias de ficção, que quem não tem fé consolidada, acredita.Não sou a favor de censura ou proibição mas prefiro não ver. A Igreja Católica teve muitas falhas, vide Cruzadas, se calar no Holocausto, porque é feita de homens, que têm falhas mas o Papa Joao Paulo II pediu perdão por tudo isso, então mesmo com senso crítico, permaneço nela. Acho que me estendi no assunto, Bom final de semana!

  • Rejane

    Agora a moda é conjugar o verbo Twittar! Acho engraçado as pessoas falando: ” Vou twittar”! Muitos jornalistas têm twitters, então também acho válidas as notícias relacionadas a essa rede social! Até o Técnico Mano Menezes tem twitter!

    André, concordo com você em relação a regra do impedimento! Sem essa regra o futebol não teria graça nenhuma!
    O Filme Anjos e Demônios é muito bom! Filmes protagonizados pelo ator Tom Hanks são sempre muito bons!

  • Pedro Valadares

    André, li no post anterior algumas citações rasteiras sobre um imaginário favorecimento que você receberia por ser filho do Juca. Sei que é uma questão pessoal. Mas como você lida com o fato de seu pai também ser jornalista? Quais os prós e quais os contras?

    Abraços!

    AK: Tem um ou outro contra e dois grandes prós: o exemplo e o orgulho. Não posso controlar a opinião das pessoas. Nem quero. Um abraço.

  • Daniel

    Olá André,

    Obrigado pela resposta sobre o Twitter. Talvez tenha me expressado com imprecisão. Dou um exemplo do que quis dizer: o UOL está sempre dando chamadas como “Mano Menezes escala De Federico no clássico” (só por exemplo). Quando leio a “matéria”, vejo que a única real informação foi o que o próprio Mano (ou melhor, sua assessoria) colocou no Twitter. Não há nada de valor agregado, que o jornalista buscou ou interpretou.

    Ora, se eu quiser saber o que o Mano tem a dizer diretamente, sigo ele no Twitter e pronto. Se a informação é acessível de maneira pública, não preciso desta matéria pra me informar, que ainda por cima vem com “atraso” em relação ao Twitter…

    Acho uma ferramenta tecnológica sensacional, mas temo que está deixando muito jornalista preguiçoso… Sinto o mesmo quando leio uma matéria sobre jogo da seleção e noto que as “aspas” usadas foram exatamente aquelas que o jogador falou para o microfone da Globo na saída do campo…

    um abraço,
    Daniel

  • Paulo

    Um voto e um veto. Um voto de confiança em Sálvio Spíndola, o árbitro FIFA escalado para apitar Santos x Palmeiras, o importante jogo do líder neste domingo à tarde lá na Vila Belmiro, em que todos estão de olho, principalmente o São Paulo FC de todos os lobbys. Diego Souza, craque alviverde, geralmente não consegue terminar jogos quando ele apita. Espero que não fique coagido com a sua performance no apito. Se ele é “FIFA” espero que demonstre mesmo alguma qualidade e não prejudique ninguém. Ele parece que começou a agir “estranhamente”, sempre apitando partidas do Palmeiras – (Brasileirão 2008: Palmeiras 2 x 2 São Paulo); (Paulistão 2009: Palmeiras 1 x 2 Santos) depois que o Todo Poderoso Juvenal Juvêncio vetou a sua escalação em jogos do São Paulo. Dizem que há um esquema para favorecer o Palmeiras neste campeonato… Mas porque o Verdão nunca veta árbitro nenhum? Abraços.

  • kappen

    já eu diria que o socialismo tem falhas porque os homens têm falhas.

  • David

    André, você não acha que a evolução física, técnica e tática equilibraria a disposição dos jogadores em campo? O banheira pode existir nas peladas da familia e da firma, que é um futebol (muito) abaixo do futebol amador organizado. O futebol profissional mudou muito, é só comparar o ritmo do jogo na década de 60 com o de hoje. Imagino, embora não possa comprovar em vídeo, que em relação ao futebol de 1890, a diferença seja ainda maior.

    Cada jogador que ficasse na banheira representaria um jogador a menos para compor o sistema defensivo. E mesmo que as equipes estivessem dispostas a essa troca, qual o problema? Mais gols seria bom. Não acho que diminuiria a troca de passes no meio campo. Se isso fosse verdade, na pelada sem impedimento, só teríamos chutão do goleiro pra área adversária.

    Pense no basquete. Você já viu um time optar por, sistematicamente, durante todo o tempo, defender com quatro jogadores e deixar um embaixo da tabela, pra receber um passe longo e marcar uma cesta certa? Isso só acontece em jogadas específicas, quando o primeiro jogador da defesa se antecipa no contra-ataque e não é acompanhado pelo marcador, ficando livre, ou então pra sair de uma marcação pressão.

    Acho que essa idéia de que sem impedimento o jogo mudaria a ponto de piorar é semelhante a oposição a adoção do apito eletrônico: baseada em argumentos hipotéticos errados, visão romântica, medo de mudar e conforto com o que já se conhece.

    Sem impedimento, o jogo seria exatamente o mesmo, só que, veja só que coisa, sem impedimento.

  • Walter Giovani

    Duas perguntas: O àrbitro aviso o mesário ou 4º àrbitro que determinado jogador, finda a partida, está expulso, embora não tenha exibido o referido cartão vermelho acompanhado do segundo amarelo. Isto ocorreu quando o atleta já estava fora do gramado. O àrbitro afirma que não mostrou os cartões com receio de ser agredido alegando que o atleta estava deveras nervoso. Quais acertos e ou erros foram cometidos nessa situação? Segunda: Um atleta reclama de uma marcação e recebe amarelo( o mesmo já estava com dois durante a competição); antes que a bola role, o referido atleta volta a protestar e recebe vermelho direto, sem o segundo amarelo. Quais punições, para efeitos de suspensões deverão ser atribuidas ao jogador? Abraços e obrigado.

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