COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SUGESTÕES PARA O BRASILEIRO

Tenho uma proposta para meus camaradas editores do Lance! (já encaminhei a mesma aos companheiros de Espn). Em nome da sanidade da cobertura dos jogos do Campeonato Brasileiro, e como estímulo para um comportamento mais generoso dos técnicos e dirigentes dos clubes, podemos estabelecer uma regra para declarações sobre arbitragens. Não é nada muito complicado: até o final do campeonato, nenhuma reclamação será publicada, enquanto não ouvirmos um clube BENEFICIADO criticar a atuação do árbitro.

Tem de ser algo absolutamente claro, tipo essa aqui, do técnico, abrindo sua entrevista coletiva pós-jogo: “hoje tivemos três pênaltis marcados a nosso favor, que não aconteceram. Os dois gols anulados do nosso adversário foram legais, portanto nossa vitória por 3 x 0 foi injusta. Não é agradável vencer dessa forma, por isso nos solidarizamos com o adversário, e pedimos uma atitude da comissão de arbitragem com relação ao árbitro do jogo de hoje. Não é possível continuar assim.” E depois essa, do dirigente, pedindo para participar da entrevista: “Hoje foi a terceira ou quarta vez que esse árbitro nos beneficiou. Já havíamos pedido para que ele não fosse mais escalado em nossas partidas, porque fica parecendo uma coisa orquestrada para nos favorecer. (enervando-se e elevando o tom de voz) O Tabajara não aceitará mais tantos erros, curiosamente do mesmo árbitro, sempre nos ajudando em lances capitais. Faremos um protesto formal na CBF.”

Que tal? Parece loucura, eu sei, mas pelo menos é diferente. E é mais honesto (ainda que honestidade não possa ser fracionada) do que a eterna criminalização das meias pretas. Porque não há mais resultados limpos, não há mais derrotas justas, não há mais relação entre os defeitos de um time e o placar negativo ao final do jogo. A falha do zagueiro mal posicionado é esquecida, em nome do impedimento (de clamorosos 7 centímetros, uma vergonha!!) não marcado. A irresponsabilidade do volante desmiolado, que se lançou num carrinho bélico dentro da área, é ignorada porque ele pegou a bola também. Pênalti inventado…

Os árbitros brasileiros (que não são profissionais, que trabalham sob a supervisão de uma comissão que não é independente, etc, etc e etc…) são como bovinos numa praça de touros. Estão destinados ao sacrifício público. Suas atuações são analisadas sob a ótica covarde dos replays em câmera lenta, recursos unicamente utilizados contra eles, jamais a favor. E aí se vota pelo prazo da suspensão, que é anunciada para aliviar as jugulares dos que se consideram sempre lesados, mas sofrem de amnésia instantânea quando o erro do apito é parceiro.

Evandro Rogério Roman, que não é um bom árbitro e foi mal na quarta-feira no Mineirão, levou 30 dias de “reciclagem”. Nada mais foi explicado e a imaginação do torcedor fica liberada para decidir que houve cinco pênaltis no jogo. Houve um.

Deixamos uma proposta para os ternos que comandam os apitos: instalem uma microcâmera na testa dos árbitros. Pelo menos a análise será feita sob o ponto de vista correto.

Ou coloquem as imagens da TV para ajudar, em vez de atrapalhar.



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