COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

FÁBULA REAL

Não. Luís Fabiano não é o melhor atacante do mundo. Amantes do futebol espalhados pelo planeta provavelmente não o escolheriam para seus times de fantasia. Messi, Ibrahimovic, Ronaldo português e, se bobear, até Eto’o, seriam mais assediados pelos “treinadores de computador”. Francamente, Luís Fabiano é muito melhor do que o Eto’o, mas esse não é o ponto aqui. O ponto é que se eu tivesse sido fisgado por essa mania chamada “fantasy”, LF seria o meu camisa nove. E todos os sinais indicam que seria o de Dunga, também.

Se a Copa do Mundo começasse amanhã, só haveria uma dúvida sobre o time titular: quem seria o lateral esquerdo? As outras questões estariam ligadas à formação do grupo. Divagações como a) quem seria o terceiro goleiro?, b) quem seria o reserva de Kaká?, e c) quem seria o reserva de Luís Fabiano?

Até junho de 2010, mais perguntas poderão surgir. Mas (toc-toc-toc…) algumas respostas deverão permanecer inalteradas. As camisas 1, 3, 9 e 10 da Seleção Brasileira são propriedades particulares, e intransferíveis. Uma campanha publicitária diz que Luís Fabiano tem o emprego mais difícil do mundo. Se o posto de centroavante do país do jogador de futebol fosse uma carreira universitária, a relação candidato/vaga seria coisa para maluco. E uma vez provado o uniforme, é preciso se manter vestido. Só há um jeito.

Luís Fabiano foi o artilheiro da Copa das Confederações, com cinco gols. É o artilheiro das Eliminatórias Sul-americanas, com nove. É o artilheiro da “Era Dunga (na prancheta)”, com dezenove. O Brasil venceu todos os onze jogos nos quais ele marcou. Fez três gols uma vez, dois gols seis vezes. Mas os números, mesmo ótimos, são só metade da equação. Aquele Luís Fabiano da cabeça quente, que entrava em órbita de repente, não existe mais. O atacante do Sevilha serve a Seleção Brasileira com atitude impecável. Joga contra a Estônia num campinho de casa de veraneio, com a mesma intensidade com que enfrenta a Argentina no caldeirão de Rosário. E faz gols importantes desde a época em que as coisas não iam bem, como nos jogos contra o Uruguai (no Morumbi) e Chile (em Santiago).

Quem o acompanha sabe que ele sempre foi um goleador prolífico, por causa das notas altas em todos os critérios de avaliação: chute com os dois pés, cabeceio, posicionamento, velocidade, força. A maturidade, processo que tem impacto em todas as qualidades e defeitos de um jogador, deixou de ser uma preocupação. Hoje, Luís Fabiano só preocupa os adversários.

Não dá para imaginar que a camisa usada por Ronaldo nas últimas três Copas tenha outro dono. Mesmo que o próprio Ronaldo (aprendi a não duvidar dele) se mostre em condições de ir a mais um Mundial. E seja chamado, o que é outra conversa.

Luís Fabiano não é um centroavante de fantasia. Seus gols são absolutamente reais. Seu nome não tem o tamanho ou o glamour das estrelas, mas isso pode ser questão de tempo.

Se você é um técnico virtual, faça como Dunga. Escale Luís Fabiano no seu time.



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