CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Daniel escreve: Segue uma observação ou desabafo: se a Renault está sendo julgada e punida pelo evento ocorrido envolvendo Nelsinho Piquet, Briatore e cia, por que a Ferrari não foi julgada pelos inúmeros episódios (públicos e notórios) como aquela “reduzida” do Rubinho permitindo vitória do alemão, e tantas outras enrascadas evidentes em que a Ferrari privilegiou Schumacher frente ao Rubinho? Não é uma situação típica de “dois pesos, duas medidas”? Será que a FIA privilegia alguma escuderia em detrimento de outra? Qual sua opinião?

Resposta: Há uma grande diferença entre os episódios que você citou: o Nelsinho confessou o que fez. Pessoalmente, eu não acho que o “jogo de equipe” deva ser proibido. Não estou falando, é claro, de bater o carro em alguém para tirá-lo da prova (o que já aconteceu, e sabemos com quem), ou bater o carro no muro para a corrida acabar. O fato é que os envolvidos nesse caso da Renault precisam ser punidos, porque há provas, confissões, etc.

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JJ escreve: Gostaria de saber sua opinião quanto às interrupções de partidas dos Grand Slams por conta das chuvas. Não seria o caso desses 4 torneios Grand Slams e outros torneios também, terem ao menos uma quadra coberta? Dinheiro aos organizadores não falta.

Resposta: Não é uma questão de ter uma quadra coberta, e sim de fazer um teto retrátil na quadra central (aliás, o termo “quadra central” não vale mais para os GS’s, né? São verdadeiros estádios de tênis). Em Wimbledon e no Australian Open, o teto já existe, e a quadra pode ser coberta em caso de chuva. Em Paris, já foi feito orçamento para a obra, que deve ser realizada no futuro próximo. No US Open, a questão foi discutida em 1997, quando se decidiu construir o estádio Arthur Ashe para substituir o Louis Armstrong como o principal palco do torneio. Mas a USTA (associação de tênis dos EUA) não gostou do preço de US$ 100 milhões, e preferiu fazer um estádio maior (23 mil pessoas). Deu no que deu. Se fizerem mesmo um teto em Paris, Nova York não terá como escapar.

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Rafael escreve: Me perdoe por entrar em um assunto tão batido, mas queria saber sua opinião sobre ele. Na verdade falarei da minha opinião sobre o embate entre os pontos corridos e o sistema mata-mata no Campeonato Nacional. Acho que podemos citar as qualidades dos pontos corridos como: é organizado e justo. Mas na questão de emoção eu realmente acho que ele deixa a desejar. Acho pontos corridos uma fórmula interessante por “cada jogo ser uma final”, o que exige regularidade e cobra planejamento dentro dos clubes, porém acredito que o sistema mata-mata ajude mais na evolução do futebol.

Resposta: Já deixei bem clara minha opinião aqui, mas essa questão reaparece de vez em quando. Sou um defensor intransigente dos pontos corridos, e realmente acho incrível que, no meio desse ótimo campeonato de 2009, se questione a fórmula por “falta de emoção”. De qualquer forma, cada um pensa como quer, e não pretendo convencer ninguém. Nada tenho contra o mata-mata, apenas não acho que seja o melhor formato para descobrirmos qual é o melhor time de um país. Além disso, a Copa do Brasil está aí para que os dois sistemas sejam contemplados.

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Tadeu (entre muitos) escreve: O que você achou da declaração (perguntado sobre ciúmes de Fernandão dentro do elenco, Hélio disse que “isso é viadagem”, e que trabalha “com homens, não com homossexuais”) do técnico do Goiás, Hélio dos Anjos?

Resposta: Achei triste. É uma declaração indubitavelmente homofóbica. Cada pessoa tem o direito de pensar o que quiser. Mas esse tipo de declaração é preconceituosa, desrespeitosa. Em outros países, episódios até mais leves do que esse resultaram em punição, aplicada pelo próprio clube. No mesmo dia, Hélio se retratou, disse que foi mal interpretado, e que trabalharia normalmente com um homossexual, desde que ele fosse profissional. Mas todo mundo que passa dos limites faz isso, não? É a mesma coisa que acontece quando alguém dá uma declaração racista e depois diz que tem “vários amigos negros”. Eu até acredito que o Hélio estivesse se referindo a essas picuinhas por causa de inveja, salário maior, etc, mas ele foi mal. Mesmo porque ciumeira entre homens, em times de futebol, é algo quase tão antigo quanto o futebol.

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Uma vez mais, muito obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Ei, Johnny! Te vejo na próxima vida!”

Bodhi, em “Caçadores de Emoção”.



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