COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!. Obviamente, o texto já chegou aqui com o prazo de validade vencido. Mas pode estimular a conversa sobre a grande vitória da Seleção – que só precisou de UM contra-ataque. Os comentários do blog sobre o jogo chegam amanhã, junto com as Notinhas Pós-Rodadas.)

PARA DUNGA, COM CARINHO

O maior elogio que a seleção argentina poderia fazer à sua equivalente amarela já foi feito: a transferência do jogo de hoje para Rosario.

Pense na Copa Davis. Na competição tenística entre países, as regras permitem que se tente armar todo tipo de arapuca para o adversário. O time mandante escolhe local, piso, e bola. Tudo para promover o maior desconforto possível. Contra jogadores acostumados ao clima frio, que gostam de quadra rápida e sacam a 200 km/h, o pacote saibro-calor-nível do mar aumenta as possibilidades de vitória. O inverso também vale, é só lembrar dos ginásios cobertos, com quadras de gelo, escolhidos para confrontos com equipes fortes no piso de terra.

O uso dessas vantagens, nos limites do regulamento, é, na verdade, um claro reconhecimento: se não criarmos dificuldades, podemos perder em casa.

E é exatamente esse o temor dos argentinos, guardadas as óbvias diferenças entre os esportes. Por isso a seleção celeste e branca deixou sua tradicionalíssima casa, em Buenos Aires, e receberá o Brasil num estádio menor, mais antigo, mas mais “quente”.

No Gigante de Arroyito, cabem cerca de 24 mil pessoas a menos do que no Monumental de Nuñez. Mas Diego Maradona acha que a troca de quantidade por intensidade vale a pena. Enquanto na casa do River Plate, a platéia fica distante do campo, no caldeirão do Rosario Central, é possível sentir a respiração da torcida. Maradona acredita que, em Rosario, o Brasil não será amarelo apenas na camisa.

A mudança de local não seria tão marcante (e um sinal tão grande de respeito), não fosse pela raridade. Para a Argentina, jogar em Nuñez é algo automático. O ônibus não precisa de motorista para sair do centro de treinamento da AFA e tomar o rumo do estádio do River. Tanto que Julio Grondona, o cartola-mor deles, precisou ir à FIFA para habilitar o Gigante para jogos das Eliminatórias Sul-Americanas.

Mas engana-se quem acha que a ideia é pegar a Seleção Brasileira num campo menor, que facilitaria o abafa. De Buenos Aires para Rosario, não há nenhuma diferença em relação às dimensões do gramado, de 105m por 70m. A tentativa de pegadinha é a grama baixa, precisamente 1,5cm, como se a Seleção Brasileira (formada por “europeus”) só jogasse em canaviais.

A verdade é que o plano maradoniano tem um problema, que independe do estádio e do barulho: a urgência da vitória. Perder para o Brasil aproximaria a Argentina de um perigoso desvio no caminho para a África do Sul. Um desvio conhecido, chamado de “repescagem”. Escondido em meio às armadilhas e provocações, há um presente que os argentinos não querem, mas serão obrigados a oferecer: o contra-ataque. E há poucos times no mundo que gostam tanto de contragolpear quanto a Seleção Brasileira.

O Chile, a Venezuela e o Equador, nessas Eliminatórias, e a Itália, na recente Copa das Confederações, podem falar sobre os perigos de dar espaço ao time de Dunga. A configuração da tabela sul-americana pode acrescentar um país a essa lista.

Para aumentar a emoção, Sebá Dominguez está escalado.



  • Fabio

    Mais legal do que ler isso aqui é ler isso aqui já sabendo do que aconteceu lá.

    😉

    /Fabio.

  • Marcel Souza

    André, ontem lembrei do seu livro (e do Fininho), das passagens que ele conta sobre as Copas Davis, e fiz o mesmo paralelo. Apesar de toda essa história extra-campo, a seleção brasileira mostrou que está mesmo alguns níveis acima da hermana.

    Outro pensamento que me veio no decorrer da partida foi aquela “velha” discussão sobre a hegemonia dos argentinos na Libertadores. Como a nossa seleção anda ganhando tão convincentemente, e os clubes ainda sofrem e não conseguem ganhar…

    1 abraço,

  • Daniel

    Para o bem do Brasil o jogo não era de Copa Davis…

  • Os “hermanos” não tinham chance alguma.

    Tevez, Mascherano e Sebá juntos no mesmo time só se o juiz fosse o Edilson…

    Brincadeirinha…

  • Joao Luis Amaral

    Fui só eu ou alguém mais aqui achou que o Maradona, a cada gol, ficava mais e mais parecido com um irmão gordinho do Cauby Peixoto? Ele parecia estar maquiado para o jogo… he he!
    Abs.

  • Fabio

    Boa Luiz !!!
    hahahaha….
    /Fabio.

  • Stefan Obermark

    Parece adivinhação ler essa coluna após o jogo!!

    Muito bom!!

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