PERGUNTE AOS CARTOLAS



Quando o assunto é invasão de vestiários, CT’s ou coisa que o valha, está para surgir o clube brasileiro que seja exceção.

Com maior ou menor nível de violência, maior ou menor nível de responsabilidade, todos têm suas histórias.

Já tive o “privilégio” de acompanhar algumas, de perto.

Eu estava no Parque São Jorge, em 2000, quando “torcedores” organizados entraram no departamento de futebol para cobrar os “culpados” pela eliminação na Copa Libertadores.

No estacionamento dos jogadores, diante de várias patrulhas da Polícia Militar, Edílson caminhava para seu carro quando levou um tapa na cabeça. Foi embora de vez.

Eu também estava na Academia de Futebol do Palmeiras, em 2002, quando um dirigente encomendou, aos vândalos profissionais, uma “pressãozinha na imprensa”.

Pedras foram atiradas nos carros de jornais, rádios e TVs. A polícia foi chamada, e chegou com doze viaturas. Mas foi impedida de entrar.

E eu também estava no CT do São Paulo, em 2003, quando desocupados jogaram sacos de pipoca nos jogadores que chegavam para treinar.

Em outros lugares, cenas idênticas, ou parecidas.

A gravidade das agressões varia, mas todas têm uma coisa em comum: a cumplicidade dos dirigentes.

Se os clubes não quiserem, invasões de qualquer tipo não acontecem. É simples assim. Portanto, além de apurar as ocorrências, é preciso também apurar as responsabilidades.

A barbaridade de ontem à noite no Canindé foi o caso mais acintoso, mais escancarado, da longa história de “pressões” que jogadores e comissões técnicas da Portuguesa já sofreram.

São tantos episódios, que acabaram fazendo parte da vida do time de futebol do clube.

Onde vamos parar? Fácil responder: onde os dirigentes quiserem.

São eles que se relacionam, promiscuamente, com esses caras.

ATUALIZAÇÃO, 19h54 – O presidente da Portuguesa, Manuel Da Lupa, já começou a correr da responsabilidade que tem como mandatário do clube.

Hoje à tarde, Da Lupa teve a “coragem” de dizer o seguinte:

“Esse negócio de arma o pessoal colocou mais para fazer um folclore. Ninguém viu arma. A gente deduz que os seguranças estavam armados porque são militares, mas ver, ninguém viu”.

Hmmmmm… estranho.

Abaixo, a declaração de René Simões:

“Nunca vi em nenhum lugar do mundo o que aconteceu dentro daquele vestiário. Nem em jogos de gueto aconteceu algo desta proporção. Entrar gente armada no vestiário, isso é gravíssimo! Que mundo é esse?”

E a do atacante Edno:

“Assim que acabou o jogo, fizemos nossa oração já no vestiário. Claro que estava todo mundo chateado e de cabeça quente pela derrota, ainda mais em casa. Acho que cinco ou seis homens invadiram o vestiário e mostraram as armas na cintura. O pessoal ficou apavorado. Meu irmão estava lá e entrou na frente de um deles para impedir qualquer reação. O Cristian também tentou acalmá-los, mas não adiantou. Não sei como eles conseguiram entrar. Um deles eu reconheci, mas nunca tinha visto o restante. Não sei se eram torcedores, se eram do clube. Só sei que estavam ali dentro e nos ameaçando. Depois, os seguranças foram chamados e todo mundo foi colocado para fora.”

Parece claro que alguém está mentindo.

Quem será?



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