O BRINDE DOS BOTINUDOS, BRUCUTUS E RUINS DE BOLA



Quem frequenta este blog há de se lembrar do “Vascaíno”.

Já o chamei aqui de “setorista” do Vasco, mas essa não é a palavra certa.

Porque o setorista é uma presença diária, e o “Vascaíno” aparece de vez em quando.

Foi com alegria que a caixa de e-mails do blog recebeu mais uma mensagem dele:

______

“Dias de festa para os botinudos, brucutus e ruins de bola, que convidam para a celebração de mais um assassinato de talento que fica impune.

Nesta semana, Pedrinho divulgou sua decisão de abandonar, prematuramente, o futebol, aos 32 anos.

É importante ressaltar que o assassinato do talento se dá com requintes de crueldade. Não é uma morte imediata. O talento é agredido, maltratado, chutado, pisado até que seja mutilado. Após a mutilação, vêm os intermináveis períodos de expectativa, depressão, dor, dúvida, esforço.

Quando o talento parece estar pronto para ressuscitar, as limitações físicas e a mutilação incurável voltam. Se apresentam sob as mais diversas formas: contusões repetitivas, contusões novas, baixa resistência ao esforço competitivo. E as limitações se somam às dores, à depressão, às dúvidas.

Inapelavelmente, a força do talento vai sendo subjugada, lentamente. Submetida à vergonha, ao vexame, à incapacidade, à chacota. Ao crudelíssimo grito de ‘bichado’ que vem das arquibancadas rivais.

Como combater a desconfiança, que vem de dentro de seu próprio clube? Como combater os medos, as dores, as incertezas e as inseguranças?

Garrincha, Reinaldo, Zico, Pedrinho, quantos mais, que me esqueço agora? Quantos mais que ainda virão pela frente?

Enquanto isso, os árbitros continuam a não expulsar os botinudos.

Os doutores auditores continuam a ‘desclassificar’ artigos para punições.

Violência vira ‘jogo brusco’, agressão vira ‘ato hostil’, ofensas viram ‘atitude inconveniente’. Os botinudos pegam dois ou três jogos de suspensão (folga? Prêmio por desempenho?). Os juízes continuam impunes. Os auditores continuam omissos.

E nossos desembargadores têm a cara de pau de afirmar, em rede nacional, que fraudar jogos para beneficiar apostadores não é um crime.

Faz todo o sentido.

Celebrem, seus malditos botinudos, brucutus, técnicos brucutus, árbitros covardes, auditores omissos. Vocês assassinaram mais um talento.

Ao Pedrinho, a mais nova vítima, fica aqui o meu muito obrigado. Quantas vezes a velocidade, o chute forte, a visão de jogo, a impetuosidade, o drible curto e a entrega não encheram meus olhos em São Januário, no Maracanã e em qualquer outro campo?

E desculpe. Desculpe por não termos sido capazes de fazer um futebol no qual o seu talento não fosse assassinado.”



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