CAIXA-POSTAL



Aos temas da semana:

Allan escreve: André qual é o problema que acontece com os times brasileiros que são eliminados nas fases finais da Libertadores? Parece que eles esquecem como jogar bola…

Resposta: Chegar à final da Libertadores, e perder, é a pior coisa que pode acontecer. O time esqueceu de tudo em nome do título sulamericano, e se vê sem nada, e com a obrigação de começar de novo. O Campeonato Brasileiro ainda está no começo, mas, ao mesmo tempo, a distância para os primeiros lugares é grande. Desgastes dentro do grupo, ignorados em nome da conquista que está próxima, voltam com mais força. É terrível. Fluminense e Cruzeiro que o digam. Exceção nesse caso foi o Grêmio de 2007, que perdeu a Copa para o Boca Juniors e não se descontrolou. O São Paulo de 2006 também pode ser citado, mas é preciso lembrar que, por causa da Copa do Mundo, aquele ano foi diferente. A Libertadores terminou no meio de agosto.

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Haynes escreve: Um jogador tem contrato com um clube e sua multa rescisória é estipulada em X milhões. Porém esse jogador não é aproveitado e tem uma oportunidade de jogar em outro clube. Como funciona nesse caso? Ele é demitido e o outro clube não paga a multa?

Resposta: O que acontece nesses casos é um empréstimo, em que o pagamento dos salários é negociado entre os clubes e, claro, não há pagamento de multa porque o contrato não foi rompido. Se o jogador for vendido, a negociação precisa resolver a questão da multa. Mas como o clube que está cedendo o jogador tem total interesse em fazê-lo, as coisas ficam mais fáceis.

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Marcelo escreve: O Ricardo Teixeira se manifestou favoravelmente à adaptação ao calendário europeu acrescentando que o São Paulo seria contra. O próprio SPFC se declarou a favor em seguida. Daí vai minha pergunta: existe alguém ligado ao futebol, ou até mesmo da imprensa, que é manifestamente a favor do calendário atual?

Resposta: Certamente existe. Não fosse assim, o calendário já seria diferente. Apesar de você não ter perguntado, mas aproveitando a oportunidade, sou totalmente a favor da mudança.

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Henrique escreve: Alguns jogadores que mudam de clube e dão sua primeira entrevista coletiva, falam que optaram por tal clube por que esse o apresentou um projeto interessante, como, por exemplo, Elano. Gostaria de saber sua opiniao sobre isso: existe algum projeto no futebol que seja diferente de ganhar jogos e ser campeão? Esse discurso de projeto convence o torcedor?

Resposta: Sei que o ponto principal da sua pergunta não é esse, mas sim, existem muitos projetos no futebol diferentes de ganhar jogos e ser campeão. A maioria, eu diria, é de gente que só quer ganhar dinheiro. Mas quando um jogador fala sobre esse assunto, como fez o Elano, normalmente é porque está convencido de que chegou a um clube sólido, que pretende ser competitivo por muito tempo. Não dá para saber se o torcedor se convence, mas ninguém está ligando para isso.

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Café escreve: Esta semana criou-se a polêmica na declaração de Hélio dos Anjos sobre a preferência dos torcedores de Goiânia. Cada vez mais me assusta andar pelas ruas e ver a maioria das crianças com camisas de clubes europeus, consequência inerente à presença dos maiores jogadores do mundo (inclusive os melhores brasileiros) nos grandes centros europeus. Talvez esse fenômeno não seja ainda sentido pela ainda maioria de brasileiros que torcem primordialmente por clubes brasileiros. Mas, caro André, lhe pergunto: agravado pela política nos últimos anos de esvaziamento dos estádios (ppv, aumento abusivo dos ingressos, horários proibitivos…), não chegará o momento que ao invés de discutirmos sobre a torcida de times cariocas e paulistas fora de suas cidades de origem, iremos passar a discutir que o número de torcedores de Milan, Manchester ou Barcelona é maior do que a de algum time local?

Resposta: Não creio que isso acontecerá. É claro que tem gente que gosta mesmo dos times europeus, até torce por eles. Mas o uso das camisas também passa por outras questões. Uma é o modismo. São camisas bonitas, que as pessoas gostam de vestir também pelo estilo. Outra questão é o “potencial de aborrecimento”. Se você sai na rua com uma camisa do Milan, não há chance (pelo menos por enquanto, mas a estupidez humana é capaz de tudo) de alguém querer agredi-lo. Já com a camisa do seu time…

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Muito obrigado pelas mensagens. A Caixa-Postal volta na semana que vem.

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“Preste atenção no que eu vou dizer: existem três jeitos de fazer as coisas aqui. O jeito certo, o jeito errado, e o jeito que “eu” faço. Entendeu?”

Ace Rothstein, em “Cassino”.



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