COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

NÃO TOQUEM NO OURO DE CESAR

“É muito fácil chegar pra mim, quando o meu filho é campeão olímpico, e falar ‘Flávia, você está precisando de alguma coisa?’. Mas eu queria saber, lá atrás, quando ele perdia pra caramba e quase parou de nadar, se alguém chegou pra mim, ou pro Cesar, e perguntou se a gente estava precisando de alguma coisa. Isso nunca teve.”

A frase é de Flávia Cielo, a mãe mais rápida da natação mundial. Faz parte do premiado programa “Brasil Olímpico – Uma Candidatura Passada a Limpo”, da ESPN Brasil, exibido em fevereiro desse ano. Quem viu, sabe que tem muito mais. Declarações fortes dela e de Cesar Cielo, o pai, sobre as dificuldades de criar um atleta no Brasil.

A frase tem seis meses, mas vale pelos 22 anos de vida do nadador mais rápido do mundo. Vale pelos segundos e centésimos que ele passou na piscina do Cubo d’Água, em Pequim 2008, pelos segundos e centésimos que passou na piscina do Foro Itálico, em Roma 2009. E valerá por tudo, e será muito, que ele ainda fará.

É natural que conquistas individuais de atletas brasileiros sejam celebradas como conquistas coletivas, como se fossem produtos do que fazemos como “nação esportiva”. Esse é o caminho escolhido pelas raposas que usam terno, com a alegre colaboração dos mal-informados e/ou mal-intencionados. Mas é ridículo, humilhante, vergonhoso, imaginar que o feito histórico de um César brasileiro em Roma, seja um feito “nosso”.

Cesar Cielo Filho, campeão olímpico dos 50 metros livre, campeão e recordista mundial dos 100 metros livre, é um de nós. Nasceu em Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo. Sua relação com o que se chama de “natação brasileira”, seja lá o que isso for, termina aí. Aliás, o correto é dizer que suas conquistas foram alcançadas, por esforço próprio, e de quem está a sua volta, apesar da “natação brasileira”.

Ele não é o primeiro, é só o mais bem-sucedido. Ricardo Prado (campeão e recordista mundial dos 400 metros medley no Mundial de Guaiaquil, em 1982) e Gustavo Borges (multimedalhista olímpico) lidaram com níveis diferentes dos mesmos problemas.

Ao ver Cielo chorando no pódio romano, foi impossível não lembrar da cerimônia de entrega de sua medalha de ouro em Pequim. Foi o mais emocionante momento que já presenciei, em quinze anos cobrindo eventos esportivos. Sem comparação com o segundo. Ao ver sua família pulando na torcida, sob o sol do verão europeu, também não deu para evitar outra lembrança da China. A de seus pais, andando para um lado e para outro, sem que seus pés tocassem o chão. Eles flutuavam.

São esses os momentos que não podem ser descritos, apenas sentidos. Momentos cujo valor não se calcula, nem mesmo pela insaciável ganância das nossas “autoridades esportivas”.

As medalhas de ouro de Cesar Cielo não são nossas. Simplesmente porque nós não as merecemos. Elas são dele, do técnico dele, e da família dele.

E de mais ninguém.



  • Morgana

    César: “Veni, vidi, vinci ”

    E como vc disse, sozinho. Vitória dele, da família e do técnico. Só deles.

  • Paula

    Bem, não sei quem perguntou se ele queria alguma coisa, mas isso acontece em qualquer esfera, esportiva ou não. Se o cara não se destaca de alguma forma, não vai aparecer nenhum bom samaritano perguntando se ele precisa de ajuda. Isso devia partir de centros de treinamento e descoberta de atletas. E mesmo assim as vezes algum escapa.

  • Fabio Romeiro

    Perfeito! Nada a acrescentar.
    Parabéns a todos que realmente merecem… e a você, André, pelo grande texto.
    Abraço

  • perfeito.

  • marco

    ridiculo

    AK: É difícil argumentar, né? Um abraço,

  • O Nilson Cesar, narrador da Jovem Pan, deve ter ficado contente com a citação de uma das suas expressões no final deste texto.

  • Paulo

    Andre

    Nao sou nenhum especialista no assunto mas acompanhando o mundial de natacao senti falta de uma cobertura um pouco mais tecnica, em relacao a analise dos tempos, por parte de sites e canais de tv. Mas a internet esta ai pra te dar a oportunidade de fazer suas proprias analises.

    Vi que Cielo fez o segundo melhor tempo da historia em provas de revezamento neste domingo. Estes tempos nao valem pra recorde pois o tempo de reacao pode ser de 0 enquanto para o primeiro nadador e em provas individuais este tempo fica em torno de 0,7 segundos.

    http://www.omegatiming.com/swimming/racearchives/2009/Roma2009/C73B1_Res1HeatRelay_140_Finals_1_Men_4x100_Medley.pdf

    http://www.omegatiming.com/swimming/racearchives/2009/Roma2009/index.htm

    Uma forma justa de comparar tempos seria descontar o tempo de reacao ou entao ajustar para 0,7.

    Jason Lesak fez 46.06 em Pequim contra 46.22 de Cielo em Roma, mas:
    Lesak 46.06(0.04)
    Cielo 46.22(0.28)
    Bernard 46.26(0.10)
    Isso mostra que o tempo de reacao do Cielo nao foi bom e mesmo assim ele fez um tempo espetacular…

    Em teoria Cielo pode nadar para 46.6 os 100m….ou 45.9 em provas de revezamento…

  • Pedro Valadares

    Concordo plenamente, André. Acho que tem muito engravatado que faz festa com o convete dos outros.

    Porém, de certa forma, a vitória de Cielo reflete sim em muitos brasileiros. Foi o que disse o Ricardo Prado, Cielo mostrou que para chegar lá é preciso trabalhar duro e treinar com seriedade, não é preciso ser sobrenatural. Esse exemplo de trabalho duro com certeza pode motivar muitos jovens. Então, por esse lado a vitória transcende apenas Cielo e família.

    Contudo, não dá pra negar que as condições da natação por aqui, apesar da evolução, ainda estão longe do ideal e que o incentivo é risível. O próprio Fernando Vanzella, técnico do Thiago Pereira e da Joana Maranhão, disse que a evolução passa por temporadas de treinos nos Estados Unidos, bancadas, é claro, pelo atleta e pela família.

    Abs!

  • Me add http://www.maquina-alvinegra.blogspot.com

    vou te adicionar.
    Abraço!

    Rafael Petry

  • Felicio

    André, me desculpe, mas discordo. Sou um cidadão brasileiro, recolho meus impostos, sou fã incondicional de esportes e torcedor de todos os atletas que, sadia e honestamente, nos representam em eventos pelo mundo afora. Ora, eu sempre espero que os impostos que recolho sejam investidos de forma responsável, mesmo tendo plena ciência de que isso não ocorre na grande maioria das vezes, e um dos destinos destes recursos deveria, sim, ser os esportes dito olímpicos, natação inclusa. Se há tantos desmandos, eu ainda assim tento me manifestar contrário a tantas bandalheiras, mesmo que minhas maifestações pareçam cair no vazio. Assim, me sinto sim, além de muito feliz, merecedor dessa medalha, como brasileiro, cidadão, contribuinte e fã de esportes.

    AK: Claro que você pode ficar feliz. Eu também fiquei. São coisas diferentes. Um abraço.

  • nelsonrubens

    O Corinthians deveria contratar o preparador fisico do Cesar OURO Cielo: esse atleta jamais vai precisar de fazer lipoaspiração…. rsssss… Aliás, a lipo não foi só o Ronaldo “Aristides” Fenomeno que fez tirando quase 2 litros de gordura: PARECE QUE FIZERAM UMA LIPO NO TIMÃO INTEIRO! A saída de Douglas, André, Christian – deixou o Timão “magrinho” de bola murcha… É melhor trazer de volta Marcelinho Carioca, Neto – até o lipoaspirado Fenomeno voltar…

    AK: Ok, ok… um abraço.

  • Jovaneli

    André, concordo 100% contigo. Só não entendi o Ricardo Prado no Bate-Bola da ESPN Brasil, dizendo que os atletas tem boas condições para competir e muita ajuda dos Correios.
    Será possível que ele não tomou conhecimento do que foi mostrado no ótimo documentário “Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo” (para quen não viu, eis um trecho: http://www.youtube.com/watch?v=2_4vOXKMmAI)??!!!
    Lamentavelmente, o Flavinho Gomes, um cara que respeito demais, seguiu na mesma linha do Ricardo Prado. Mesmo o Calçade (outro monstro no que faz) e Edu o Elias (apresentador) nada fizeram. Pareciam desconhecer o que foi mostrado pelo documentário. Gosto de todos eles, mas fiquei decepcioando.
    Senti falta de alguém que trabalhou no documentário para debater com ele o assunto. Sou a favor de que sejam ouvidos todos os lados.
    Perdoe-me por usar este espaço para fazer essa minha reclamação (se quiser e puder transmitir à emissora esse meu desapontamento, ficarei agradecido), mas é que essa sua coluna foi muuuito feliz em lembrar aquele brilhante desabafo da “mãe mais rápida do mundo”.
    Acho normalíssimo cobrar resultados dos atletas (como o Thiago Pereira), mas é preciso contar a história toda. Não apenas aquela oficial. Entre o que dizem os dirigentes da CBDA e os pais de Cielo Filho, não tenho dúvida em quem acreditar. Basta assistir ao documentário “Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo”.

    AK: O ponto do comentário do Ricardo é outro. Ele fala com o conhecimento de quem, muito tempo atrás, e com muito menos condições, fez muito mais do que a maioria dos nadadores brasileiros faz hoje. Ele fala da falta de atitude de muitos deles, algo que se pode confirmar em competições como o Mundial e os Jogos Olímpicos. Rápida história: em Pequim, depois de uma nadadora do Brasil nadar a classificação com um tempo 2 segundos mais lento do que o melhor tempo dela, perguntei o que tinha dado errado. A resposta: “não sei, preciso ver o vídeo.” Em alguns casos, é muita desculpa, muita vontade de ser o brasileiro que não tem condições de competir com os melhores do mundo. Ricardo toca nesse ponto. E não deixa de ter razão. Um abraço.

  • Cruvinel

    Ótimo texto André!!
    Faço de suas palavras as minhas…! Nada a tirar e acrescentar!

  • BASILIO77

    E como isso poderia ser diferente?
    Não digo UM POUCO diferente, pergunto se algo pode ser diferente na estrutura do esporte olímpico para se alcançar vitorias no esporte de ALTÍSSIMO rendimento.
    O “mercado” nacional tem esse potencial?
    Porque o que se vê é que a grande maioria dos apoiadores desses esportes, e só na hora boa das grandes competições, são as empresas estatais…
    Há retorno que atraia as empresas privadas?
    Abraço.

  • Custodio Neto

    André,

    A frase resume tudo: “As medalhas de ouro de Cesar Cielo não são nossas. Simplesmente porque nós não as merecemos. Elas são dele, do técnico dele, e da família dele”.

    Esses programas da ESPN são “F DEMAIS”. Esta é a descrição correta.

    Penas que as raposas não são desmascaradas em nível nacional, por exemplo, com o alcance da Rede Globo, que não faz programas com a qualidade crítica da ESPN.

    E no futebol, por exemplo, vemos uma CBF comprar um jatinho que daria para custear Copa do Brasil e Serie C, por 2 anos.

    Infelizmente, o interesse dos dirigentes são maiores que o do esporte, que o do atletas e o da sociedade.

  • Anna

    Acho que estou meio repetitiva mas a coluna foi perfeita e bem escrita.”São esses os momentos que não podem ser descritos, apenas sentidos” Sensibilidade que definiu tudo. A César o que é de César!

  • Jovaneli

    André, primeiramente obrigado pela resposta. Eu concordo com ele nesse ponto da falta de competitividade nas horas decisivas. É esse o ponto que concordo com o Ricardo. Só achei que ele ignorou a má gestão da CBDA.
    Se o “nosso” Cielo precisa treinar nos EUA para ser um nadador de alto nível, algo está errado. Na base. Acho que ele poderia ter tocado nessa parte da história. Falar um pouco sobre a falta de apoio da CBDA na hora mais difícil. Como disse a mãe do Cielo Filho, ajudar quando ganha é fácil.

    AK: Na sexta-feira, na redação da ESPN, mostrei a coluna ao Ricardo. Ele concorda. Um abraço.

  • Jovaneli

    André, sabe uma coisa que me incomoda: ver atletas brasileiros sem a menor chance de brigar por medalha representando o país em mundiais e jogos olímpicos.
    Por aqui, comemora-se exageradamente quando alguém consegue o índice olímpico. Seria mais útil levar só gente realmente competitiva. É melhor para o atleta, inclusive, que pode se preparar melhor para futuramente poder encarar bem as competições de algo nível. Obviamente não me refiro a panamericanos. Aliás, o Pan do Rio enganou muita gente a respeito do nível do Thiago Pereira. E, ao que tudo indica, ele também se deixou enganar.

  • Jovaneli

    Opa, então o Ricardo Prado está zerado…hahaha
    Concordar com essa sua rica coluna é obrigação para quem tem um pingo de senso-crítico. Fico feliz que o Ricardo concorque, porque é irretocável. Exagero? Não. Apesar de admirá-lo, escrevo isso com a razão. Abração, velho!

  • Azul

    É INACREDITÁVEL o que a arbitragem vem prejudicando o Cruzeiro. Tivemos que encarar nosso SUPER FREGUÊS com NOVE jogadores. O problema, nem são as expulsões Celestes, mas a falta de cretério dos sopradores de latinha. Pro Gremio ele não dava um amarelo. O lance do T.Ribeiro JAMAIS foi um lance pra expulsão. Contra o Flu, o atacante pó de arroz faz falta antes, claramente. No jogo contra o Corinthians, putz, o Leonardo nem toca a mão na bola. Contra o Galo o exagerado expulsa com 10 segundos e não expulsa um carrinho para matar contra ataque quando o lateral já tinha amarelo… Cansado dessa palhaçada. Foram NOVE expulsões de atletas do Cruzeiro contra UMA de adversários. Será que o Cruzeiro é TÃO MAIS VIOLENTO assim????

  • Azul

    E um pitaco na participação do Ricardo Prado… Eu também assiti ao vivo. Achei-o MUITO ARROGANTE e INDELICADO. Apenas a minha opinião.

    AK: Impressão errada. O RP é disparado o melhor comentarista de natação que temos no Brasil. Um abraço.

  • Cristiano Andrade

    Tal pai, tal filho! O mesmo comentário nos 2 blogs! Obviamente num esporte individual os maiores méritos são individuais, independente da estrutura, para pegar exemplo extremo, os méritos do Phelps na natação ou do Bolt no atletismo são mais méritos deles do que da estrutura. Obviamente também é mais provável que um “Phelps” aparece nos EUA, um “Haile” na Etiópia ou no Quênia, um “Bolt” na Jamaica. Criticar a estrutura atual não deveria ser tão 8 ou 80. A estrutura do esporte e do esporte no Brasil quando Ricardo Prado surgiu era outra (o esporte não era profissional, os patrocínios inexistiam e a única opção de treinamento de ponta era fora do país com bolsa numa universidade americana). Gustavo Borges e Fernando Scherer pegaram a transição, foram profissionais e tiveram caminhos distintos (GB treinou em Michigan, Scherer no Brasil, exceto um breve período na Austrália), ambos profissionais, com patrocínios, com um circuito e premiação para se manter no esporte. Felizmente a natação brasileira soube potencializar parte do fenômeno de GB e FS. Os clubes brasileiros tem técnicos de ponta, não só em SP, mas em MG, RJ, RS.. em todos os estilos. Os atletas de ponta recebem patrocínios para se manter em dedicação exclusiva ao esporte (questionemos onde vai parar todo o dinheiro dos Correios, mas boa parte financia os atletas). O país possui 3 piscinas AAA (padrão máximo da FINA) e mais tantas AA. Falta sim que transformem o Maria Lenk num centro de excelência para seleções de base e adultas (como na Austrália). Mas não enxergar os resultados da delegação brasileira é miopia (19 finais, em 2 provas com 2 nadadores em finais, finais em todos os estilos, no masculino e feminino), a variedade dos resultados é resultado de trabalho de base, de intercâmbio (financiado pela CBDA), de maiores e melhores competições no Brasil. Dizer que o resultado do César não tem o dedo do Albertinho na formação do garoto, não teve ajuda do Xuxa na gestão da carreira dele, não teve o apoio do ídolo Gustavo Borges no Pinheiros é ignorar o papel de todos na melhora da natação brasileira.
    A CBDA poderia ter uma papel muito melhor, como a CBV também poderia no voleibol, mas a direção está correta, e virou moda entre os jornalistas não especializados criticar a tudo e a todos, transformar o Gigante Cielo num mártir. Vão perguntar a ele sobre o Albertinho, o Scherer, o Gustavo, os patrocinadores dele?

    AK: Não deveria ser difícil perceber que a crítica é endereçada a quem comanda. Mas parece que é. Se você acha que o resultado da natação no Brasil em Roma foi bom, fique à vontade. Você confunde mérito com resultado de trabalho, e erra gravemente – para quem fala em miopia – quando aponta uma tentativa de “martirização” de Cielo. É óbvio que os clubes em que ele nadou, os técnicos com quem trabalhou, os exemplos que teve, são parte do atleta que ele é. Mas, para usar uma frase de quem acompanha de perto a carreira dele (jornalistas não precisam ser especializados para falar com as pessoas certas – incluindo, obviamente, os próprios atletas – e fazer as perguntas que devem ser feitas), “ele aprendeu a ser campeão nos Estados Unidos”. E aí está o ponto. Tratar as conquistas de Cielo como feitos da natação do Brasil é risível. Ignorar o que a família dele diz é cegueira voluntária. Um abraço.

  • Azul

    Talvez possa ter sido mesmo uma impressão errada. E que ele deve mesmo entender MUITO de natação, não duvido mesmo. És um monstro do esporte. Só o achei muito mal humorado e excessivamente crítico. Parecia descontende com a vitória do Cielo e a prata do Felipe França. Ademais, deu a impressão (que pode mesmo ter sido uma impressão) de que quem não ganhou medalha com tanto recurso, é incompetente. Espero ouví-lo outras vezes e então mudar esta impressão…

  • Jovaneli

    André, se me permite, acho que você tem uma baita pauta: Natação, CBDA, Cielo e os campeões fabricados longe do Brasil, nadadores que colecionam fracassos por falta de atitude, Ricardo Prado, (falta de boa) gestão desse esporte no país etc. Se rolar, avise. Hehehe…Abraço!

  • Evânio

    100% verdade, PARABÉNS pelo excelente texto, deveria ir para todos os jornais do país, e parabéns a nação Cielo, ganhadora de 02 ouros em Roma, diferente do Brasil, com zero
    Abraçose sucesso

  • Anna

    Azul, Ricardo Prado foi um grande campeão. Não teria porque se sentir inferior com as conquistas de Cielo e Felipe França. Sua análise foi uma das mais lúcidas e objetivas que já ouvi sobre natação. Ele foi um nadador excepcional, eu acompanhava sua carreira de perto e como comentarista se mostrou tão brilhante quanto. É que infelizmente preferimos às vezes ouvir ufanismos e não a realidade nua e crua, tanto que hoje ele disse que tinha sido mais crítico com Thiago, mas reconhecia seu talento e sua prova no medley. Ele tem grande potencial mas precisa rever seu planejamento e mudar algum detalhe que não funciona, o craw por exemplo que ele perde gás no fim. É só uma observação minha porque o blog dá margem à troca de ideias entre os blogueiros.

  • Tamaris Pavanelli

    André
    Vc não poderia ser mais feliz com seu comentário, eu assisti na ESPN e vc disse essas mesmas palavras, concordei na hora.
    Aqui os ditos “responsáveis” pelos esportes só aparecem na hora de comemorar, e tem a cara de pau de dizer nossa conquista, nossa medalha, como se tivessem realmente participado do processo todo.
    Deveriam ter mais vergonha na cara, mas num país com esses dirigentes “eternos” que nunca largam o osso, só podemos esperar isso.
    PS: adorei a abertura do SPORTCENTER, foi bom rever todos os filmes, e a trilha de Hawaai 5.0 era ótima
    Abraços
    Tata

  • Ricardo da Costa

    O Ricardo Prado pode até ser o melhor comentarista de natação, mas a Mariana Brochado é bonita pra dedéu!

    (só pra descontrair um pouco)

  • Cristiano Andrade

    André
    Os resultados da natação brasileira foram bons se levarmos em consideração a evolução em relação ao último mundial, o salto foi muito grande! Que o Cesar aprendeu a ser campeão nos EUA também é verdade e concordo, assim como o Kitajima o fez nos EUA, como o Popov o fez na Austrália, estamos falando de uma esporte profissional onde os melhores do mundo irão treinar nos melhores centros! O caminho para que o Brasil se torne um desses centros é longo, passa por potencializar a estrutura que possui, os ídolos que tem, os técnicos etc. Além disso, ele só chegou aos EUA devido ao trabalho realizado anteriormente no Brasil (a bolsa em Auburn não caiu do céu). Concordo que, infelizmente, a mentalidade vencedora foi polida nos EUA (porque ele já tinha esta mentalidade, apenas a aprimorou), e aí está uma das diferenças entre treinar aqui ou lá. Talvez o Felipe França tenha suvumbido a pressão, talvez o Thiago Pereira precise disso (ou menos azar de se machucar nas vésperas do mundial), talvez a Gabriela Silva e a Daynara possam dar o salto necessário treinando fora. O Henrique Barbosa resolveu treinar na França junto com os melhores peitistas do mundo, mas quem se destacou mais no último ano foi o Felipe França (prata no mundial e recorde mundial no Maria Lenk).
    Concordo que poderíamos estar num estágio mais avançado, mas é difícil queimar etapas de evolução, não se constrói uma potência de qualquer esporte de uma hora para outra. Assim foi com o vôlei (onde o Brasil é sem dúvida a maior potência e o maior celeiro de atletas no mundo) e talvez venha a ser com a natação um dia.
    Um abraço

    AK: Estamos de total acordo quanto a isso. Mas continuamos pensando no fim da fila, em vez de pensar no começo. Queremos fazer Olimpíada antes de formar atletas olímpicos. O Thiago Pereira, empacado no quarto lugar, vai treinar na Califórnia (USC) agora. Como tem talento, é grande a chance de dar o salto para o pódio em Xangai e Londres. E se conseguir, ele será mais um exemplo. Não acho que as coisas têm de acontecer da noite para o dia, mas é preciso pensar no começo do caminho. É inadmissível que a CBDA, com os contratos que tem, ainda não possua um centro de natação. Como vivemos num país onde não existe política de esporte, é capaz que as medalhas do Cielo sejam usadas para provar que estamos no caminho certo. Um abraço.

  • Carlos Futino

    André,

    concordo contigo 99,9%. Só acho que, desde o primeiro comentário, você têm esquecido de citar a Universidade de Auburn na lista dos merecedores dos parabéns pelos resultados do Cielo. Afinal, é pela equipe da universidade que ele treina, certo?

    Valeu.

  • Paulo Sergio

    André, talvez você esteja sendo muito radical. É comum desabafos, como o da mãe do Cielo, após vitórias expressivas, mas não se pode desprezar o trabalho feito pelo Albertinho e pelo Pinheiros. Não defendo a confederação, mas sim o trabalho realizado. O próprio Cielo, após as olimpíadas, comentou que estava pensando em ficar no Brasil – dependia dos patrocínios – pois o Albertinho era tão bom treinador quanto o atual, então….
    Acho justa a sua crítica quanto ao modelo do esporte no Brasil, mas desprezar o trabalho de um profissional excelente na carreira deste atleta é injusto.
    Grande abraço.

    AK: A declaração da mãe do Cielo foi dada em fevereiro de 2009, bem depois da euforia pós-Pequim. E de forma nenhuma estou desprezando o trabalho do Albertinho, com quem já conversei várias vezes. Minha crítica é a quem está em cima. Um abraço.

  • nelson josé de souza

    acredito que os maiores vitoriosos são a família dele, mas não se pode esquecer dos amantes de natação como eu que vibrei muito mais 2 vezes com o Cielo,

  • leonardo atleticano

    André, o problema hj é que vc criticar o papel do Estado e dessas confederações não surti efeito, ninguem nem escuta mais, tamanha a descrença, quando surge um elogio, aí sim, todo mundo para para escutar, pois é coisa raríssima, vide a organização do volei.

  • KARINA DAUDT

    Simplesmente perfeito o que escreveste. Admiro cada vez mais o teu trabalho.
    Um grande abraço!!!

  • O Cielo tá arrebentando…

    BRASIL – O MELHOR PAÍS DO MUNDO!! => http://brasilinteligente.wordpress.com/

  • Luiz Felipe

    Concordo com o teu texto.

    Só gostaria que você esclarecesse como funcionou a classificação do Cielo para esse mundial: ele obtém o índice e a vaga é dele como nadador avulso ou é o COB ou a Universidade dele que escolhem os seus representantes??? E nas olimpíadas de quem é a vaga, dos atletas ou das confederações????

    Um abraço

  • Rodrigo Neves

    André,

    como ficou aquela história do Cielo criticando a CBDA e no dia seguinte “abrindo as pernas” para a pressão externa??

  • ADSON CARVALHO

    Atenção brasileiros!!! Não comemorem a vitória do Cesão!!! Só ele, sua família e seu técnico tem esse direito…
    AK, na impossibilidade de comemorarmos, o que fazer quando nosso atleta estiver competindo??? Mudamos de canal???
    att.
    AC

    AK: Olá “DC”, seja bem-vindo. Mas não tome os outros por você. Um abraço.

  • Luiz Alberto

    André, perdoe-me, sei que sua coluna é direcionada aos dirigentes, no entanto, como colocado, parece que a nós, brasileiros comuns, também não nos cabe compartilhar o ouro do Césão, e neste ponto discordo totalmente, eu fiz o ensino fundamental e médio todo em escola pública, fiz a minha graduação toda em Universidade pública, convivendo com greves, estrutura medíocre, professores despreparados e todas as mazelas do ensino público deste país, consegui me formar, e hoje tenho um emprego que me dá a chance de pelo menos dar uma boa formação e futuro para o meu filho, por isto me sinto muito à vontade de compartilhar, como brasileiro, a vitória do Cesão.

    AK: Sua primeira frase comprova que você entendeu a mensagem. Um abraço.

  • Iran Né

    Caro Kfouri, sem mais comentários.
    Um grande abraço !

    iran Né

  • Henrique

    Não acredito que o Usain Bolt e os outros corredores da Jamaica tenham apoio, ou estrutura, maior que os corredores do Brasil, mas aqui vale a desculpa de falta de apoio, que em muita das vezes não é desculpa, mas que as vezes fica um discurso chato isso fica.

    AK: A Jamaica dominou as provas de velocidade, no masculino e no feminino, em Pequim. Você acha que algo assim acontece por coincidência? O atletismo de velocidade é o primeiro esporte por lá. Um abraço.

  • Carlos

    Quer dizer que se o Thiago Pereria conseguir resultados expressivos daqui pra frente, o mérito será do treinamento nos Estados Unidos, exclusivamente do seu treino a partir de agora??????? E a formação e toda bagagem que contruiu no MINAS????? Se mandarmos 10 atletleas para treinar fora, um ou dois irão se destacar, porque??????

    AK: Não é isso que está escrito. Você entendeu assim porque quis. Se ele der o salto depois de ir treinar nos EUA, será mais um exemplo de nadador que precisou sair do Brasil para conseguir. Um abraço.

  • Thiago Ojea

    Oi André,

    Sempre leio o seu blog (desde da época do outro site), mas essa é a 1a vez que deixo uma mensagem.
    Eu concordo com o seu texto e também concordo com o Ricardo Prado e a falta de melhores resultados na natação brasileira.
    O que eu não concordo é essa bipolarização entre ser treinado no Brasil x ser treinado no exterior. Acho que aqui no Brasil temos muito que evoluir (a estrutura tem que ser melhor, o conhecimento teórico tem que ser melhor estudado e aplicado; os dirigentes melhores capacitados, etc.), mas o fato de o Césão ter ido treinar nos EUA, não é só pq aqui a estrutura ainda não é a ideal, mas tb é pq nos EUA ele vai estar ao lado da nata da nata, o que impacta muito o desenvolvimento de um atleta do calibre do Cesão. Podemos ter a melhor estrutura do mundo, mas se os melhores profissionais (atletas e treinadores) estiverem nos EUA ou na Austrália é para lá que nossos nadadores têm que ir para se aprimorar.
    O melhor exemplo (já citado aqui) é o do Kitajima. O Japão possui uma super estrutura para esportes (inclusive natação) e apoio pesado do governo, mas mesmo assim o Kitajima treina na USC na California devido ao calibre de todos os profissionais que estão lá (inclusive, seus concorrentes).
    Por fim, temos que melhorar sim e gastar melhor a verba destinada aos esportes olímpicos, mas não podemos querer remar contra a maré.

    Um forte abraço

  • Carlos

    Engano seu. O Thiago Pereira já consegue… E continua em evolução. Você deveria citar também aqueles atletas que vão pra fora e não conseguem ser NEM MESMO quarto colocado. Ou os que tem apoio privado e ainda sim não conseguem estourar. Claro que investimento e estrutura são fundamentais, mas o Brasil vem tentando crescer. Aliás, investir no esporte, num país que pouco oferece em troca é o problema. Um país de corruptos, onde a própria imprensa (que existe sim, enquanto classe) é ABSOLUTAMENTE mercantilista e só pensa em IBOPE e retorno financeiro. Fica difícil criticar assim…

    AK: Engano meu? Parece que o próprio Thiago pensa diferente de você. E “a imprensa”, companheiro, é algo que não existe. As pessoas têm nome e são responsáveis por suas opiniões. Um abraço.

  • Daniel

    Vá lá que boa parte de nossa imprensa, especialmente a aberta, ajuda a estragar a mentalidade dos atletas nacionais. O Thiago Pereira é um exemplo disso, fizeram o maior festival em cima dele antes das Olimpíadas quando se sabia, ao menos quem não só acompanha esporte as vésperas das Olimpíadas, que dois de seus adversários de medley são exatamente os dois maiores nadadores da atualidade indiscutivelmente, Phelps e Lochte, tudo isso em prol de divulgar um torneio que está longe de ser uma competição de ponta, os Jogos Pan Americanos, o Thiago é ótimo deve treinar para tentar superar esses caras, mas não é vergonha nenhuma “ficar empacado em quarto lugar”, lembrando que Phelps não competiu no medley em Roma. Fizeram o maior carnaval em cima da Fabiana Murer e chegaram até a culpar a perda de sua vara por ela não ter ganho medalha, quando ela tinha marcas bem inferiores as suas rivais diretas por medalha, e não medalhava a um bom tempo em torneios de ponta. Em suma muitas vezes a imprensa “queima” atletas, o que prejudica em um país que mesmo não tendo nenhuma tradição poliesportiva, se acha uma potência.

    Faço aqui uma ressalva a um comentarista da ESPN que infelizmente não lembro quem foi, acho que foi o Trajano, que logo após o Pan não entrou no oba-oba que permeou toda a imprensa esportiva nacional e disse algo do tipo: “Somos uma potência Pan Americana, mas próximo ano em Pequim nossas medalhas devem vir do iatismo, vôlei e futebol”.

  • Paulo

    O Japão e a Coréia do Sul devem ser umas m já que seus principais nadadores treinam nos Eua.
    A Austrália deve ser uma b já que o talvez maior matemático do mundo, que é australiano (Terence Tao), vive e trabalha nos Eua.
    O que dizer do Canadá então, com times de basquete, baseball e hóquei disputando ligas estadunidenses?

    AK: O que dizer? Que você aparentemente não sabe se expressar com educação, e não entendeu nada do que está escrito. Um abraço.

  • João Lourenzo

    Vai me desculpar, mas eles não tem do que reclamar não… Quem tem o direito de protestar são as crianças e jovens que não têm quadras, material esportivo e professores para garantir uma vida mais saudável e com educação. NÃO É DEVER DO ESTADO INVESTIR EM ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO! O governo deve se ater ao esporte que rende frutos à população: o que traz saúde e desenvolvimento à crianças, adultos e idosos. Investir na aberração que se tornaram as Olimpíadas, “atletas” que de saudáveis não têm nada, é digno dos piores momentos da Guerra Fria em que os EUA e a URSS abandonaram o esporte pela propaganda.

    Gosto do modelo cubano. Todo atleta tem espaço, mesmo aquele que não tem potencial para medalhas… Desde de crianças os cubanos entram em contato com algum tipo de esporte, sem ter necessariamente o objetivo de disputar titulos. Talvez seja por isso que a ilha tem sucesso em modalidades como vôlei, beisebol, boxe… Esportes que não requerem a deformação do corpo. Ou você acha que o Phelps consegue fazer alguma coisa além de nadar? Correr para aquele rapaz deve ser um sacrificio!

    O que é sim correto é afastar essa hipocrisia de que o Cesar representa uma vitória do esporte brasileiro porque não é. É uma vitória do César.

  • George

    Concordo, a vitória é do César, não é “nossa”, e nem deveria ser. Já que o “nossa” implica em investimento da população brasileira, ou seja dinheiro público e infelizmente no Brasil quando se pensa em criticar qualquer instituição sempre se pensa em governo. A obrigação em desenvolver atletas de elite deve ser das confederações, que devem ser instituições não-governamentais. Na minha opinião não deveria haver sequer patrocínio de estatais ao esporte de alto rendimento. Não acho que se deveria seguir o modelo chinês, outrora soviético de criar máquinas ganhadoras de medalhas. Por sinal nunca vi uma coisa tão ridícula quanto haver um “Ministério dos Esportes”.

    Se o César se tornou vencedor nos EUA não vejo mal nenhum nisso. O Irving Saladino é campeão olímpico e mundial de salto em distância, treina no Brasil apesar de não ser brasileiro. Já uma de nossas principais estrelas do atletismo, o Jadel Gregório, treina na Inglaterra e tem resultados bem mais modestos.

    O Reino Unido tem o mais tradicional torneio de tênis do mundo, Wimbledon, um dos mais, importantes eventos, não só esportivo, do país, coberto desde a BBC até os mais sensacionalistas tablóides. O que não faltam são clubes de excelência e patrocínio a seus atletas. Há mais de 70 anos um britânico não vence o torneio, até esse ano já fazia um tempo semelhante que sequer tinham um vencedor nacional em Queen’s o segundo principal torneio do país. Atualmente só possuem um jogador no top 100 (pior até do que o Brasil), que por sinal é, em termos de ranking, o melhor da História britânica na Era Open e para a tristeza dos mais conservadores ingleses trata-se de um escocês, Andy Murray. Onde ele foi lapidado para se tornar um campeão? Na Espanha…

  • Christiano

    André, perfeita sua coluna! Parabéns!
    Abraços!

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