COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VOLANTES QUE FAZEM FALTA (no bom sentido)

Uma das commodities mais valorizadas no mercado do futebol é o jogador de meio-campo que sabe atuar nas duas dimensões do jogo.

O exemplo mais bem acabado desse tipo de jogador é o imortal Paulo Roberto Falcão, modelo com o qual todos os (bons) volantes serão comparados. E que estará sempre alguns patamares acima deles, até dos melhores.

Muitos times não têm nenhum jogador assim, e povoam o meio do gramado com indivíduos especializados na recuperação da bola. Em alguns casos, custe o que custar.

É só metade da equação. A outra metade, e o verdadeiro problema, aparecem no momento em que é preciso saber o que fazer com ela. Fazer bem, e rápido. Observação: tocar de lado não é uma das opções válidas.

Alguns times têm um jogador que corre, marca, passa e chuta. O impacto da presença desse jogador é evidente até para quem não presta atenção. Outros times, privilegiados, têm dois. Não por coincidência, são os mais bem-sucedidos.

O Corinthians tinha dois, até o final da tarde de segunda-feira, quando foi anunciada a transferência de Cristian (e do lateral-esquerdo André Santos, que precisa de reposição imediata) para o Fenerbahçe. A dupla Cristian e Elias foi uma das principais razões dos títulos recentes.

Por causa da proteção que ela oferecia, a defesa do Corinthians foi tão sólida no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil. Isso não é nenhum demérito para os zagueiros William e Chicão, que jamais perderam um jogo juntos. Só para lembrar: o título estadual foi conquistado sem nenhuma derrota, e o nacional, com uma clínica de como jogar mata-matas – sem levar nenhum gol em casa (e fazendo gols em todos os jogos fora).

E por causa da qualidade dos dois, com a bola, o ataque (e, talvez até mais importante, o contra-ataque) foi tão eficiente.

No jogo que, de fato, deu o título paulista ao Corinthians (primeira semifinal contra o São Paulo, no Pacaembu), os gols foram marcados por Elias e Cristian. O primeiro, numa jogada de atacante, limpando o caminho e entrando na área. O segundo, numa bola que ele mesmo roubou, carregou pela diagonal e mandou para a rede, nos acréscimos.

É só um jogo, mas um bom exemplo.

Ao perder Cristian, compreendidas as necessidades do clube e o significado da oportunidade para o jogador, o Corinthians desfez um encaixe que não é fácil de encontrar. Se fosse, todos os times o teriam. Essa é a maneira pessimista de olhar para a questão.

A otimista passa pelo nome de quem criou a dupla, Brother Meneses (sugestão da coluna para a internacionalização da marca). Elias já era muito bom quando jogava na Ponte Preta, no Paulista-08. Provavelmente, até quando estava na várzea, três anos atrás. Sua transformação num jogador onipresente era provável. Mas Cristian? Cristian foi uma surpresa gratíssima para o corintiano. Claro que agora não aparecerá nenhum dizendo que, no início, não gostou da ideia. Só que, pai dela, só há um.

É o técnico que terá de reconstruir um setor vital de seu time. A aposta, aqui, é que ele conseguirá.



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