COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PERDENDO E APRENDENDO

“Eu pedi aos jogadores que olhassem para o céu. Eles veriam uma enorme camisa do Estudiantes, encontrariam os ex-campeões, estariam na sala de suas casas. Pedi que saltassem e se agarrassem nas estrelas, que levassem essa camisa. E disse que essa camisa iria a todas as partes do mundo. Era a camisa deles.”

Essas foram as últimas palavras do técnico Alejandro Sabella, aos jogadores do Estudiantes de La Plata, antes da decisão contra o Cruzeiro. No vestiário, os argentinos podiam ouvir o Mineirão lotado. Sabella os preparou para que não sucumbissem ao ambiente hostil. Tratou de criar uma conexão entre seus comandados e o sentimento que não os deixaria sozinhos, num gramado brasileiro: os 39 anos de saudade do último título de Libertadores conquistado pelo clube.

A história do futebol é quase sempre contada pelos vencedores. É óbvio que Adílson Batista também falou com seus jogadores, também lhes mostrou um vídeo motivacional. Esta coluna não é uma supervalorização do discurso de um treinador, não credita o título do Estudiantes às subjetividades propostas por Sabella. É apenas uma constatação das diferenças entre as duas principais escolas de futebol do mundo. Diferenças que são, acima de tudo, culturais.

No momento em que um clube brasileiro perde, mais uma vez, e em casa, a decisão de Libertadores para um adversário argentino, a análise precisa sair do campo. O que decidiu o jogo? A maneira como o Estudiantes absorveu o gol do Cruzeiro, e a maneira com o Cruzeiro não absorveu o empate. Do 1 x 0 ao 1 x 1, seis minutos. Do 1 x 1 ao 1 x 2, quinze, tempo em que o goleiro Andújar não sofreu ameaça. Atrás no placar, e com o Mineirão em festa, o time argentino continuou jogando. Após o empate, que apenas prolongaria a final, o time brasileiro parou.

Já vimos filmes parecidos, com outras cores e em outros cinemas nacionais. Os (bons) times argentinos raramente abandonam seu plano de jogo. Levam gols e parecem nem ligar. Fazem gols e tomam conta. E quanto mais festejam títulos por aqui, menos se preocupam em decidir aqui.

São times mais obedientes taticamente, mais conscientes do que podem e não podem fazer, mentalmente mais fortes. O que não tem só a ver com futebol. Tem a ver com a formação das pessoas.

O jogador argentino “standard”, nota 6, é melhor do que o brasileiro. E é mais profissional do que o brasileiro. Como nas competições entre clubes há mais jogadores comuns dos dois lados, a superioridade fica exposta, principalmente na hora mais importante. Superioridade que aumenta quando há um “top-de-linha” envolvido, como Juan Sebastián Verón.

Quando a parada é entre os “tops” de cada país, seleção contra seleção, a vantagem é nossa, porque os temos em maior quantidade.

Imagine o discurso de Alejandro Sabella, num vestiário brasileiro. Cartolas e boleiros recomendariam sua internação. E alguém ainda perguntaria quem eram os “ex-campeões”, ou o que aconteceu há 39 anos.

A evolução do nosso futebol acompanhará nossa evolução como sociedade.



  • Teobaldo

    Excelente post, constituído de uma análise crítica muuuuuuiiiiiito acima da média. No meu entendimento, modesto, a diferença cultural entre os atletas do Brasil e da Argentina muitas vezes têm peso preponderante em jogos decisivos entre equipes, principalmente em relação à necessidade da obediência tática. O dia em que os times brasileiros deixarem de ser “peladeiros”, talvez tenhamos mais sucessos contra nuestros hermanos. Parabéns pela sua análise.

  • Marcel

    Concordo plenamente com respeito a falta de cultura histórica do jogador brasileiro, um exemplo recente foi o fato dos jogadores da seleção brasileira terem participado de um amistoso em comemoração aos 50 anos do 1o título muitos nem sabiam o que tinha sido o primeiro título do Brasil.

  • Jovaneli

    Por mais que o grupo do Cruzeiro não se achasse campeão por antecipação, acho bem possível que um ou outro jogador – talvez até do time titular – tenha se deixado contaminar pelo favoritismo.
    Concordo contigo, André, quando diz que não existe “imprensa”, já que cada jornalista pensa e analisa as situações a sua maneira. Mas que a maioria dos jornalistas achava o Cruzeiro mais time, isso não tenho dúvida, o que não tem nada de errado. É compreensível até, desde que não haja excesso. E, a meu ver, houve exagero. Falta de informação, inclusive.
    Muitos de nossos colegas sabia pouquíssimo sobre o time do Estudiantes, consequentemente menosprezaram ou desconsideraram a possibilidade de equilíbrio na decisão da Libertadores. Felizmente, houve exceções, como Mauro Cezar Pereira e PVC (ESPN Brasil), Vitor Birner (rádio CBN), entre outros poucos. Pouquíssimos.
    A análise mais comum durante os dias que antecederam a final foi um festival de clichês e de lugar comum: “O jogo vai ser difícil, o Estudiantes merece respeito, o Cruzeiro é favorito por jogar em casa”. Foi assim que a maioria dos jornalistas analisou (?) a decisão da última quarta-feira.
    Sinceramente, acho que já passou da hora de as pessoas que trabalham profissionalmente com esporte – no caso futebol – serem mais responsáveis. Entendo perfeitamente que haja uma preferência pessoal e até torcida por uma vitória brasileira, seja de clubes ou da seleção, mas, na hora em que está trabalhando, o jornalista não pode ser torcedor. Acho incompatível. A informação é o mais importante e deveria ser levada mais a sério no jornalismo esportivo.
    Palpite é palpite. Pode-se acertar ou errar. Só não pode torcer e distorcer. O torcedor pode. O jornalista, não deveria.

  • Flávio

    Coluna perfeita. Sem mais nada a acrescentar.

  • Luis

    Cara, você é um top de linha. Como é bom acordar domingo e ler um post desses….

    Sensacional!

  • Pedrinho S

    Parabens André, cada dia melhor. SC está ótimo tbm. Abraço

  • Anna

    Coluna perfeita, como sempre… A parte da “internação” uma das melhores! Foi um resumo do que realmente aconteceu com a raposa…

  • Christiano

    Excelente coluna! Só isso o que tenho a dizer!
    Abraços!

  • Azul

    Não é possível a quantidade de erros de arbitragem que acontecem CONTRA o Cruzeiro neste Brasileiro.

    Também é comum os erros acontecerem a favor do Corinthians (embora a imensa maioria dos jornalistas (e não a imprensa) jamais irão concordar. Teve até jornalista dizendo que se o corinthians fosse beneficiado não teria caído para segunda divisão (balela. aquele time era tão horroroso, que nem se marcassem penaltis em todos os jogos, o time não deveria se salvar).

    Neste domingo, mais um gol MUITO mal anulado e três lances de penaltis para o soprador de latinhas marcar um…

    Fica difícil ganhar do bom time do corithians com a arbitragem ajudando…

    Parece que Ronaldo é o árbitro… esse sim, um cracaço que desequilibra todo jogo!!!

    AK: Amigo, não foi um gol anulado. O árbitro marcou falta, antes da conclusão da jogada. Deu para ouvir o apito. A questão é se a falta aconteceu ou não. O Wellington Paulista não tocou na bola, o árbitro viu empurrão. E sobre o pênalti marcado em Kléber Rooney, vale o mesmo. O árbitro viu falta. Um abraço.

  • BASILIO77

    Um treinador brasileiro, no cruzeiro:

    “Olhem pro alto, seus pôr@#$!!!
    Deus colocou nosso escudo no céu, cara@#%, e nós não vamos decepcioná-lo!
    Muita gente se f%$# pra que a gente chegasse até aqui..nossa família…nossa torcida.
    E se a mãe de alguém vai chorar, que seja a mãe dos gringo!!!
    Vâmo lá e bota pra f@#$% com eles.”

    E pra finalizar, em círculo, orar o Pai Nosso com aquela levada de marcha militar.

    Abraço.

  • Andre Luis

    Bom coluna, AK. Realmente, nos jogos entre brasileiros e argentinos pelos clubes, é impressionante a frieza dos hermanos. Enquanto nós nos descabelamos e perdemos o controle, eles, e sempre eles, parecem frios e concentrados no jogo. Até em jogos pelas seleções eles conseguem ser mais tranquilos que os jogadores brasilieros. E se perdem o jogo é porque partiram pra cima, como é de se esperar. Não é apenas porque temos mais “craques”. O jogador argentino dá aula de como se joga na casa do adversário. Quando uma equipe brasilieira vai ter uma maturidade dessas é que eu não sei.

  • ADSON CARVALHO

    André, o interessante neste seu post é que nenhum jornalista brasileiro profetizou estas “sábias” palavras antes do jogo. Muito antes pelo contrário, todos, eu disse todos, exaltaram a infinita “superioridade” Cruzeirense. A imprensa, como nos casos da seleção de telê 82, Fluminense 2008, Cruzeiro 2009, entre outros campeonatos, ajudou sobremaneira a derrota celeste pela criação do clima do “Já Ganhou”!!! Quer queiram ou não…
    Em tempo: André, parece que finalmente e pela primeira vez, vc.sucumbiu diante de meu comentário no post “Notinhas Pós Vice” que a “Diferença” do jogo chama-se Juan Sebastián Verón, antes tarde do que nunca!!!
    Um abraço.

    AK: Engano seu. Não sei que tipo de jornalismo esportivo você consome. No que eu consumo, todos os alertas foram feitos sobre os perigos do jogo. E sobre a “diferença” do jogo, acho que você não leu direito. Um abraço.

  • Juanito

    “A evolução do nosso futebol acompanhará nossa evolução como sociedade”.

    Discordo parcialmente da frase do André. Pode-se começar a comparar as economias dos 2 países …

    AK: Ninguém está falando de economia. São mais bem educados do que nós, do ponto de vista acadêmico. Formação de pessoas. Um abraço.

  • Marcel Souza

    É André, essas frases da sua coluna dizem tudo: “E alguém ainda perguntaria quem eram os “ex-campeões”, ou o que aconteceu há 35 anos.

    A evolução do nosso futebol acompanhará nossa evolução como sociedade.”

    Excelente!

  • Pedro Valadares

    Bem, concordo em parte com sua análise, André. Porém, eu acho que a pressão no Brasil é maior que na Argentina. E mais, tem aquela velha história de que temos o melhor futebol do mundo. Na seleção, isso pode ser verdade. Mas nos times isso não é tão real assim. Entre os clubes sul americanos, brasileiros e argentinos se equivalem.

    Acho que o Cruzeiro é um excelente time, e não pode ser julgado por um jogo apenas. Porém, teve muita gente que tratou o Estudiantes como um time fraco, o que ele estava longe de ser. Não acho os argentinos mais profissionais, acho só que eles são mais concentrados. Duvido que um argentino pense ” ah meu Deus, vou jogar no Mineirão”, mas tenho certeza absoluta que muito brasileiro fala ” Ai meu Deus, vou ter que jogar na Bomboneira”.

    Acho que a diferença está aí. Os brasileiros acham que os faotres extra campo têm mais peso do que o que na verdade têm. Por isso, entram em campo anciosos e acabam travando.

    Abs!

  • ADSON CARVALHO

    André, já reparou que vc.está sempre com a razão??? Que marra é essa meu filho??? Menos cara… Palavras de André Kfouri: “Superioridade que aumenta quando há um TOP DE LINHA envolvido, como Juán Sebastián Veron”, se isto não é reconhecer que o jogador “É O CARA” então não escreva a frase. Ainda vem com o cínico discurso que eu não lí direito??? Vc. é bom mas não infalível, mais uma vez lhe digo: Menos, André, menos…

    AK: Companheiro, vamos aprender a conversar? Escrevi que a superioridade “aumenta”, percebeu? Se aumenta, é porque já existe. O que decidiu o jogo, na minha opinião, está escrito mais acima. E de forma bem clara. Você não precisa concordar. Um abraço.

  • Bravo, bravíssimo! Abraço!

  • Haroldo Maia

    Estava pensando nesta diferença entre Times e Seleções.
    Penso que além de tudo os times deles são superiores aos nossos, pela organização. Veja os casos de Fluminense,Flamengo e Santos que tem elencos bem melhores que os atuais resultados. Concordo que tem a ver com o nível acadêmico dos jogadores. Veja a consciencia tática. Uma reportagem do canal Futura,de uns meses atrás, entrevistou os adolescentes de cidades do interior da Argentina. A diferença entre nossos é gritante no quesito cultura geral.
    Quanto a Seleção o seu ponto de vista é interessante. Concordo sim que nossos craques foram “polidos” pelos anos de Europa. Inclusive podemos ganhar deles no jogo de 05/09.

  • Pedro Valadares

    Adson, o André disse que o diferencial em disputas envolvendo dois times com jogadores “médios”, a obediência tática e o controle emocional dos argentinos prevalece. Ele disse que essa vantagem somada a qualidade do Véron resultaram na superioridade do Estudiantes na final.

    Abs!

  • Pedro Valadares

    (corrigindo)Adson, o André disse em disputas envolvendo dois times com jogadores “médios”, a obediência tática e o controle emocional dos argentinos prevalece. Ele disse que essa vantagem somada a qualidade do Véron resultaram na superioridade do Estudiantes na final.

    Abs!

  • ADSON CARVALHO

    Sinceramente, não concordo com este papo de “Controle Emocional”, “Obediência tática”, “Mentalmente mais Fortes”, blá, blá,blá… Acredito mesmo é em verdadeiros craques que quando precisam estão lá pra decidir, dentre eles destaco: Garrincha, Pelé, Maradona, Zico, Romário, e na final da libertadores, JUAN SEBASTIÁN VERÓN… O resto é conversa pra boi dormir e vender jornal….
    Um abraço.

    AK: Não. O resto é conversa para quem se interessa em debater sobre o assunto. Um abraço.

  • Vibezone Tri do Mundo

    E quem não viu um tal de Felipe Melo no dia do aniversário dos 39 anos do Trii dizendo que “ouviu falar mas que não lembra de ter visto nenhuma vez os gols do jogo…” Tenho a idade dele e me lembro entre minhas mais antigas memórias de rever por diversas vezes os gols da final, não só daquela, mas como outras e outros jogos do Brasil nessa e naquela Copa.
    Se os jogadores não conhecem nem a história da Seleção imagina ter compromisso com a história dos seus clubes. Futebol sem memória, tanto por boa parte da torcida assim como jogadores, técnicos e dirigentes.

  • Vibezone Tri do Mundo

    Complementando, parabéns André pelo post e por levantar uma polêmica que tange ao nosso futebol tanto ao aspecto esportivo quanto ao jornalismo praticado que por diversas vezes nos coloca de frente com “comentaristas” e “jornalistas” que por viverem perto do futebol nos bombardeiam com inverdades históricas e total desconhecimento do passado dos clubes que criticam (principalmente na TV). No aspecto esportivo destaco mais uma vez a falta de identidade de jogadores e dirigentes que desconhecem o passado dos mantos que vestem e o peso das torcidas que representam. No caso desse jogo se não me engano o Véron, por exemplo, recusou propostas para sair pois queria tentar o título da Libertadores pelo clube de coração e pelo qual o pai já havia ganho esse titulo. No meu Tricolor tenho certeza que tem jogador que sabe que joga no Tri do Mundo mas não tem idéia de em que ano os títulos foram ganhos. Invejo esse comprometimento dos jogadores argentinos.

  • rogério porifrio

    parabéns, André !
    seu post foi muito bom ! Álias, seus posts, são sempre ótimos, e o que vc descreveu, é a mais pura verdade, será que algum dia, nós teremos essa inteligencia tática do “nuestros hermanos” ?

  • Jefferson Fernando

    É com certeza uma das melhores criticas que já li sobre as diferenças do futebol brasileiro e argentino. É uma pena que outros jornalistas ficam no oba-oba do Brasil ser e ter o melhor futebol do mundo, e pouco se comenta da indisciplina tática de nossos jogadores e do pouco e baixo profissionalismo. Dos times brasileiros o São Paulo, foi um dos poucos que conseguiu se armar taticamente dentro e fora do campo tanto que foi tricampeão brasileiro seguindo.

  • Rodolfo Bauer

    Não acho que o futebol tenha relação com a sociedade de um país. Tem tantos países aí com futebol mais fraco que o Brasil em todos os aspectos e são sociedades bem mais evoluídas que a nossa. E o contrário também.

    E sobre os argentinos, socialmente tem as mesmas características de subdesenvolvimento que a gente. A prova é a crise institucional que vivem há quase duas décadas, típicas dos países daqui.

    A verdade é que a derrota do Cruzeiro despertou o complexo de vira-lata que você, como todo brasileiro, tem. Aí acabou escrevendo estas coisas.

    AK: Lamento que você não tenha me entendido bem. Está escrito: “… diferenças entre as duas principais escolas de futebol…”. Portanto, estamos falando de dois países que produzem ótimos jogadores de futebol. E obviamente, a conversa não deve chegar aos países que não os produzem. Você cometeu o equívoco de comparar o que não deve ser comparado.

    É verdade que os argentinos têm as mesmas características de subdesenvolvimento que a gente. Mas é verdade, também, que são um povo mais bem educado, sob o ponto de vista acadêmico. O mesmo ocorre no Chile. E é aí que está o ponto.

    A verdade é que não estamos falando apenas da derrota do Cruzeiro. Como também está escrito. Um abraço.

  • Gabriel Marcos

    André,

    Seu texto, muito bem escrito diga-se de passagem, provocou em mim uma certa indignação em vista da realidade. Infelizmente nosso nível educacional é abaixo do Chileno e Argentino – fiz algumas pesquisas na internet para certificar que ainda estamos atrás. Como você afirma em sua coluna isso se reflete no nível acadêmico de nossos jogadores.

    Entretanto não estou convencido que isso é um fator determinante para o mau desempenho de nossos times frente aos argentinos. Quando se analisa o desempenho das seleções nota-se uma ampla vantagem para o Brasil. Esse fato não passou desapercebido no seu texto, você cita que nossa superioridade se deve ao fato de temos “em maior quantidade de jogadores “tops” “. Mas por que temos mais ? Não seria por que também temos mais jogadores de todos os tipos (ruins, medianos e Tops?). Será que nossos clubes é que ficam sem os jogadores por eles estão saindo daqui para jogar lá fora cada vez mais cedo ? Será que a Argentina exporta tantos jogadores como nosso país? Eu não tenho dados precisos para responder a essas perguntas, mas acho que somos muito mais “exportadores” que eles.

    Você também cita a postura tática mais aplicada dos argentinos, o que também é verdade. Os Holandeses são excentes táticos e não tem nenhum mundial, os Ingleses 1. Acredito que o número de títulos de nosso futebol comprava que aplicação tática é menos importante do que o talento e a improvisação.

    Nossos técnicos e jogadores sempre terão muito o que aprender como todo e qualquer ser humano. Concordo que podem estar educacionalmente atrás da média dos boleiros argentinos, mas em termos de futebol estamos muito mais para professores do que para alunos.

    AK: Obrigado pelo comentário. Sobre exportação de jogadores, não tenho o número exato. Mas certamente os argentinos que jogam fora do país também são muito numerosos. Também certamente, os melhores jogadores argentinos não estão lá. Proporcionalmente à população, se não estou enganado, os uruguaios exportados são maioria. Perceba que a coluna fala em “duas melhores escolas”, portanto, parte do princípio de que a qualidade de Brasil e Argentina, como produtores de jogadores de futebol, é semelhante.

    Não falo apenas em aplicação tática. Falo em capacidade. E não apenas em futebol, mas em formação de pessoas. Para mim, é evidente a ligação entre uma coisa e outra.

    No futebol, somos professores na capacidade de produzir jogadores muito acima da média, numa quantidade muito maior do que qualquer outro país. Por isso a Seleção Brasileira é tão vencedora. O mesmo acontece quando conseguimos reunir, por um período razoável, alguns desses jogadores no mesmo clube. Um abraço.

  • Luis Abranchis

    O que eu vi foi um time bandido, que foi desleal em várias jogadas com os jogadores cruzeirenses. Que culpa o Cruzeiro teve se o árbitro não enxergou nada disto e deixou os caras inpunes? Se esta sujeira é por causa do nível acadêmico superior deles, eu prefiro ficar aqui no nosso país inculto.

    E sobre a capacidade de reação do argentinos, também discordo frontalmente. Uma das características dele sempre foi, quando o jogo estava perdido, perder a cabeça e partir pra violência. Cansamos de ver isso acontecer nos jogos.

    É como o cidadão acima falou, vc foi acometido por um complexo de vira-latas.

    AK: Discorde à vontade, mas não distorça a realidade. Nem a do jogo em questão, e nem das vitórias dos argentinos em nossos gramados. Um abraço.

  • Rodrigo Falcão

    Caro André, concordo com tudo o que escreveu !!!

    Como profissional do Esporte, atuo como Psicólogo do Esporte. Entendo que entre outras coisas, a formação global do atleta deve passar por um trabalho psicológico e emocional adequado. Nesse sentido nosso Esporte ainda deixa muito a desejar.

    Um abraço.

  • Mecenas Salles

    Sr. comentarista, há muito tempo não lia texto tão pertinente. Sua análise é perfeita ao comparar o grau de instrução e educação dos jogadores e referencia-los com o do restante da população. Eles são uma amostra estatistica . E sinto vergonha pelos comentarios estupidos , oligofrênicos e reacionarios dos pouco discordantes , mas que na verdade representam uma grande percela da população brasileira. Analfabeta, alienada, e rancorosa, mal educada. Há muito tempo não me emocionava , a ponto de ir às lágrimas , como fui, ao ler as palavras ditas pelo Alejandro Sabella aos jogadores , dentro do vestiario antes de subir ao campo . Um verdadeiro poema, uma ode , uma inspirada poesia . Uma lição de dignidade e desprendimento . Imagine ouvir aquilo , antes de entrar em campo. Imagine a cena . A coragem , a grandeza de sentimentos , o respeito pelos que os antecederam . Os jogadores ouvindo , e entendendo, se transportando a um Olimpo de heróis . Seguir o exemplo daqueles vencedores . E isso só foi conseguido pelo grau de instrução, pela formação humanistica , pela auto estima elevada, pela cultura geral e pessoal , e tambem pela formação ética, pela dignidade pessoal de cada um . Perfeita sua analise. Só faltou comentar a beleza estética e emocional de frases como : ” Eu pedi aos jogadores que olhassem para o céu .” ” Pedi que saltassem e se agarrassem nas estrelas… ” ” …que encontrariam os ex-campeões , estariam nas suas salas … “, ” … que essa camisa iria a todas as partes do mundo “. È isso aí , aquele Fernando Fernandes outro dia entrevistando o Gerson na televisão, não veio perguntar se 4×1 na Italia em 70 não foi demais , foi preciso o Gerson dar uma geral do que foi o jogo e descobrir que , o tal reporter de campo nunca viu o jogo. Bem um abraço. Estou terminando um texto e assim que for impresso te mando um de presente pois mereces. Mecenas Salles.

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