COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VIDA DE TÉCNICO

Diga-me qual seria sua reação se, exatamente um ano atrás, alguém previsse que, nos primeiros dias de julho de 2009, teríamos o seguinte panorama:

Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo desempregados, e não por vontade própria.

Luiz Felipe Scolari trabalhando no Uzbequistão.

Dunga a caminho (e prestigiado, no melhor sentido) da Copa de 2010.

Adílson Batista na final da Copa Libertadores.

O que você diria? Não responda agora. Deixe-me lembrá-lo(a) do que estava acontecendo na carreira desses treinadores, nessa época, no ano passado.

Muricy ainda digeria a eliminação nas quartas-de-final da Libertadores, por um gol de Washington, do Fluminense, nos acréscimos dos acréscimos. Mas era bicampeão brasileiro, e garantido no cargo pelo presidente do São Paulo.

Luxemburgo acabara de levar o Palmeiras a um título paulista, que o clube não conquistava havia doze anos. Iniciava o BR-08 com planos, e orçamento, de título.

Felipão tinha sido contratado a peso de ouro pelo Chelsea. Estava a uma semana de comandar o primeiro treino nos milionários londrinos.

Dunga? O último jogo da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, tinha sido em 18 de junho. Argentina, no Mineirão. Tétrico 0 x 0, com direito a trilha sonora: “Adeus, Dungááá…”

E Adílson tentava reanimar o Cruzeiro, após a queda nas oitavas-de-final da Libertadores, com duas derrotas para o Boca Juniors. Muitos cruzeirenses o chamavam de Professor Pardal, por causa das mexidas no time. Diziam também que o time dele não sabia jogar fora de casa.

Quanta mudança em um ano… claro que cada caso tem sua explicação.

Muricy claramente encerrou seu ciclo no São Paulo. Ou o São Paulo encerrou seu ciclo com Muricy. Ou os dois. Está para nascer o dirigente brasileiro que garantirá um trabalho realmente longo a um treinador, com coragem para inverter o método, na hora ruim. Qual seria a inversão? Em vez de trocar o comando, mostrar a porta a dois ou três (ou mais) jogadores, se for preciso.

Luxemburgo obrigou o Palmeiras a lhe dar um tapinha nas costas definitivo. Só por causa da saída de Keirrison? Evidente que não. Pesou o pior custo/benefício da história do futebol brasileiro (briga sangrenta com Corinthians/Passarella), num contrato entre um clube e um “professor”.

Felipão foi vítima de uma igrejinha bem feita, e sentiu o drama da obrigatória redução de custos no futebol europeu. Seu contrato em “ondeéquistão” oferece remuneração irrecusável, na medida (18 meses) certa.

Dunga, após quase três anos, fez um time que se gosta e gosta de estar na Seleção. O resultado é produto direto de trabalho e ambiente. Lembremos que ele assumiu o cargo para isso.

E Adílson, bem… se o time de Adílson não sabe jogar fora de casa, as recentes passagens por Morumbi e Olímpico forçam a reflexão: imagine se soubesse.

Esta coluna pode durar só mais alguns dias (nos casos de MR e VL), semanas (no caso de Adílson), meses (Felipão), ou um ano (Dunga). Tudo bem, é assim que funciona.

Agora pode responder. Você não acreditaria, né?

Nem eu.



  • Gustavo

    André,

    Concordo com sua análise sobre o trabalho do Dunga. Acrescento, ainda, que além de ter formado um grupo comprometido com a causa, ele está sendo muito bem sucedido em apostas pessoais que realizou. Quando todos pediam Rogerio Ceni, ele titularizou Julio Cesar; quando Hernanes era unanimidade, ele inventou Felipe Melo; quando Maicon era considerado um brucutu, ele insistiu até provar que o problema da lateral-direita tava duplamente resolvido, com o tanque de Milão e o novato Daniel (algúem lembra de Cicinho, o antigo sucessor natural de Cafu ?!). E agora, consolidou Luís Fabiano, que parece enfrentar a mesma resistência que o Rivaldo despertava para ser devidamente valorizado. Quem há três anos diria, além do Dunga, que o lugar do Ronaldinho Gaúcho não era sagrado na seleção? Pois esta foi uma das primeiras polêmicas que ele enfrentou. Acho, contudo, que ele está perdendo a aposta no Robinho, mas o saldo de invenções é inegavelmente positivo. Vida de técnico é mesmo essa montanha russa que você relembrou e nada garante que amanhã elogiados e criticados invertam suas posições.

    Um abraço.

  • Luiz Guilherme Madeira

    André, você acha ético, por parte da Rede Globo, ficar falando de Corinthians na Libertadores 2010, e ignorar o Cruzeiro que já está na final da Libertadores 2009? E outra, a grande final não será transmitida para Rio e SP, que ficarão com Fluminense x Corinthians. O que você pensa a respeito? Sei que poderá falar das obrigações comerciais da Globo, mas será que realmente, em uma final de Libertadores, isso deve ser o mais importante? Será que nesse momento a paixão e o sentimento do torcedor não importam? Ao mesmo tempo que vejo toda imprensa argentina apoiar 100% o Estudiantes nessa final, vejo a imprensa brasileira (não estou generalizando, você entendeu) ignorar o Cruzeiro, por questões puramente econômicas. E até onde sei, o dever do jornalismo é levar a informação verdadeira e imparcial, e não visar somente o lucro.

    AK: Desculpe, isso não tem nada a ver com ética. Entendo sua posição, e os argumentos de quem gostaria de ver seu time, na final da Libertadores, em rede nacional. Mas televisão aberta é audiência. E transmissão esportiva, em tv aberta, não é jornalismo. É entretenimento. Não estou dizendo que está certo. Apenas que é assim. Um abraço.
    Um grande abraço!

  • Luiz Guilherme Madeira

    André, quando eu disse transmissão esportiva em tv aberta, estava apenas dando um exemplo de como a presença do Cruzeiro na final da Libertadores está sendo esquecida pela maioria dos meios de comunicação. Em nenhum momento disse que transmissão esportiva é sinônimo de jornalismo, e sim disse que o Cruzeiro não está sendo apoiado pela imprensa brasileira, ao contrário do Estudiantes da argentina. Vou ser mais claro, Globoesporte.com não é jornalismo? Lancenet e Diário Lance, não são jornalismo? A falta de ética a que me refiro diz respeito a abrir um site ou jornal desses e ver uma capa falando de Corinthians na Libertadores de 2010. A Libertadores de 2009 nem acabou ainda, tem a presença de um time brasileiro, e vc abre todos esses jornais e revistas e não vê uma alusão sequer ao fato de o Cruzeiro ser finalista, e vê um monte de baboseiras falando do “corinthians fenomenal e galático na Libertadores 2010”. Isso meu amigo, você não pode negar. É falta de ética sim, porque a função dos principais meios de comunicação do país é entreter, como vc disse, e principalmente INFORMAR. E se um meio de comunicação que é lido, assistido ou ouvido por todo país, destina suas informações e entretenimento apenas a dois estados, ele está sendo sim anti-ético e parcial. Se é nacional, seu conteúdo deve ser nacional, e não apenas, paulista, gaúcho, carioca ou mineiro. Eu sei que você como profissional de uma dessas empresas defende sua posição, mas se estivesse na situação de muitos torcedores do Cruzeiro, se tivesse um filho em casa que torcesse para o Fluminense em 2008 (que também não teve o primeiro jogo da final da Libertadores transmitido pra SP), você pensaria um pouquinho diferente.

    Um grande abraço.

    AK: Cara, você está errado no que diz respeito ao Lance!. O jornal tem três capas diferentes, todos os dias: uma para SP, uma para o RJ e uma para MG. O Cruzeiro foi capa do Lance!, em Minas Gerais, nos dias 30/6, 1, 2, 3 e 4/7. Não sei onde você mora, e, realmente, se é fora de Minas, as capas que você viu eram diferentes. Por mais que a final da Libertadores seja um evento da maior importância, no ponto de vista do torcedor paulista e carioca, ele NÃO é mais importante do que o noticiário local. O mesmo vale para o noticiário dos times de fora de BH, no ponto de vista de atleticanos e cruzeirenses. É por isso que o jornal tem três capas. Estampar o Cruzeiro na capa de um diário esportivo, em São Paulo, é pedir para o jornal não ser comprado no principal mercado do país. Essa é uma decisão de mercado. O raciocínio para não transmitir o jogo, em tv aberta, para São Paulo, é similar. Você está errado, também, quando diz que não há qualquer referência à decisão da Libertadores nos meios de comunicação. Não é o que eu tenho visto. Um abraço.

  • Anna

    Eu nao acreditaria. Contra os numeros, nao há argumentos mas ainda falta algo na seleção. A lateral esquerda, por exemplo. Dunga poderia chamar Fabio Aurelio, mas eu prefiro Marcelo.Felipe Melo e Gilberto Silva nao me convencem ainda.Eu prefiro Elano a Ramires. Eu gritei Adeus Dunga mas no Maracana, contra a Colombia mas tem que admitir que o trabalho evolui, tem dado certo. É isso.

  • Ricardo

    Acho que essa ótima explanação sobre treinadores (antigos / consagrados) e a ascencão de “novatos” – some-se a eles Pep Guardiola -mostra uma tendencia mundial.

    Não é a toa que o AC Milan aposta em Leonardo.

    Não sei se esses 3 citados estão em decadencia, mas ao olhar para suas contas bancárias e ter uma gigantesca satisfaçao diariamente acredito que involuntariamente os faz nao ter a mesma disposicao de um novato.

  • Luiz Guilherme Madeira

    André, mais uma vez, eu não disse “apenas” jornais impressos. Globoesporte.com e Lancenet, não são jornais impressos. São sites acessados por todo país. O Lancenet por exemplo, no dia da classificação cruzeirense, tinha uma capa enorme com fotos dos possíveis “galáticos” do Corinthians, e apenas uma pequena e quase invisível nota falando da classificação cruzeirense. Não estou cobrando isso de você, mas como sempre achei vc um bom jornalista e coerente, acho saudável o debate. Sinceramente, respeito sua opinião, mas não consigo ver sentido alguém achar isso normal:

    Nota da Diretoria
    Por Sport Club Corinthians Paulista
    02/07/09 – 18h14

    No momento de maior alegria da Fiel nos últimos anos, reverenciamos nosso técnico, seus craques e conselheiros, toda a equipe do Futebol que nos devolveu a auto-estima e a grandeza do Timão.

    Entretanto, seria injustiça irreparável esquecer aqueles que apostaram na gente quando o sucesso ainda era duvidoso e que nos ajudaram a trazer o Corinthians para uma era de racionalidade com paixão, emoção e razão combinadas para fazer a felicidade da nossa nação.

    A nossa maior parceira Batavo, marca que mais troféus partilhou com o Timão em sua história, voltou com seu pé quente,como principal financiador da nossa trajetória. A Nike que, por contrato,poderia ter-nos cortado quando caímos para a Série B e em vez, triplicou seu envolvimento conosco desde então. O Grupo Silvio Santos, cujos Banco PanAmericano , Baú e TeleSena orgulhosamente ostentamos no nosso Manto Sagrado e que nos engrandece com seu prestígio. E Bozzano e Avanço, que nos ajudaram a completar a nossa rede de patrocinadores e com que esperamos ter pela frente um longo convívio.

    FINALMENTE, RENDEMOS HOMENAGENS À NOSSA PARCEIRA DE TODAS AS HORAS, A TV Globo, SEMPRE NA VANGUARDA DO PROFISSIONALISMO, QUE NOS HOMENAGEIA QUANDO TRANSMITE PARA SÃO PAULO NOSSO JOGO EM VEZ DA FINAL DA LIBERTADORES E QUE NOS ENVAIDECE QUANDO REVELA QUE 11 DAS 12 MAIORES AUDIÊNCIAS ESPORTIVAS DESTE ANO FORAM DO TIMÃO.

    São os aliados do Timão dando-lhe gás para que o seu Futebol obedeça à Fiel: não para, não para, não para!

    Obrigado a todos. A nação corinthiana agradece!

    Diretoria
    Sport Club Corinthians Paulista

    Já que você perguntou, eu moro no interior de São Paulo. E tenho muitos amigos mesmo, com os quais sempre discuto futebol. Conheço muitos santistas, corinthianos, são paulinos, palmeirenses, flamenguistas, e por ai vai. Todos, com exceção de alguns corinthianos (óbvio), são unânimes em dizer que preferem assistir a Libertadores. A questão que discuto André, é a importância do fato. Quando digo que acho anti-ético, não é o fato da capa de SP sair assim, e a de MG sair assado. O que acho anti-ético são os meios de comunicação falarem assim para as pessoas: “olha, em 2009 a Libertadores não vale nada, porque é o Cruzeiro que tá na final…mas em 2010 ela vai ficar super importante, porque o Corinthians e o Ronaldo estarão lá. É a mesma coisa de um jornal soltar uma notícia, e depois negá-la, dizendo o contrário. Você falou muito bem pela ótica paulista, dizendo que transmitir a final para São Paulo seria perda de audiência. Então faço uma aposta com você: se o Corinthians chegar a final da Libertadores, tenho certeza que a Globo transmitirá para todo o país. Como mineiro que sou, apesar de morar em SP, sei que em BH todos odeiam esse time. E aí, a Globo não perde em audiência? A imparcialidade, significa uma análise por todas as óticas possíveis, não só por uma.

    Abraços.

    AK: Não se pode afirmar que, SE essa situação acontecer, o jogo será transmitido para todo o Brasil. Por isso não vou apostar com você. Mas o que se pode afirmar é que, SE acontecer e o jogo for transmitido para todo o país, a emissora em questão absolutamente não perderá audiência. Será outra decisão de mercado, é isso que é necessário entender.

    De novo, os meios de comunicação que eu consumo não estão tratando a final da Libertadores 09 como algo sem importância. E já lhe mostrei um exemplo em que você não tinha razão. Sobre a primeira página do Lancenet!, não sei em que momento você a visitou, mas sei que a rotatividade da home page de um site é muito grande. E sei, também, que o que essa home page estampa ou não estampa também é uma decisão de mercado, avaliada por page views.

    A audiência de veículos de comunicação não é dirigida por esses veículos. É o contrário. Um abraço.

  • R.Di

    Agora o Felipão vai voltar a se sentir no Grêmio dos tempos mais retranqueiros… Afinal foi pro país onde “OsBequesTão”… Abraços pra vc e pro Antero Greco, inspirador do trocadilho.

  • Marcelo Coelho

    Concordo plenamente com o Luiz Guilherme Madeira.
    Sou capixaba, torço pelo Flamengo e moro em Campinas. Se quiser assistir os jogos mais importantes do ano tenho que pagar TV por assinatura. Os jornais mal noticiam as finais da Libertadores.

    Agora se o Ronaldo, que eu admiro muito, tem unha encravada sai na capa do Lance!. Até a final da Liga dos Campeões ou a vitória do Federer são mais comentadas.

    E o Cruzeiro, na final da Libertadores recebe um espaço ínfimo na cobertura jornalística. A imprensa deve noticiar o que é importante ou o que vende mais? Deve mostrar o time na final do campeonato mais importante ou o time que tem mais torcedores?

    Grande abraço, parabéns pelo Blog.

  • Luiz Guilherme Madeira

    Marcelo, é isso que muitos meios de comunicação não entendem.

    E quando falamos algo, a maioria tem desculpas, dizem que estamos errados e que nossos argumentos são baseados em paixões clubísticas. Em nenhum momento aqui eu citei ser torcedor do Cruzeiro (apesar de ser, só agora estou falando), e o André já falou que eu era um torcedor querendo ver meu time na final. É mais fácil se basear no que parece ser o mais óbvio.

    O que ele não entende, é que mesmo sendo cruzeirense, também fiquei decepcionado quando a Globo não transmitiu o primeiro jogo da final da Libertadores no ano passado, do Fluminense. E quando não transmitiu o primeiro jogo do Grêmio na final da Libertadores em 2007 e por ai vai.

    Quem é apaixonado por futebol meu amigo, não é movido apenas pela paixão por seu clube. E sim pelo bom futebol. Como apaixonado pelo futebol, eu não quero ver a 10ª rodada do campeonato brasileiro em rede nacional, enquanto ao mesmo tempo está acontecendo a final da copa libertadores. Essas finais, de mundial, de Copa Libertadores, e até de Copa do Brasil, mexem com o coração das pessoas, é emocionante, não dá para comparar a 10ª rodada do Campeonato Brasileiro com a Final da Copa Libertadores.

    Aconselho a todos lerem o post de hoje (06/07) no blog do Mauro Beting. Fala exatamente sobre isso. Espero que lendo as palavras dele, André, você entenda o que eu quero dizer. A questão não é audiência, é respeito ao esporte. Torcedores do Corinthians ainda terão 30 rodadas para ver e se cansar de ver seu time na TV aberta. Nós cruzeirenses, não sabemos quando chegaremos a uma final de Libertadores novamente. Essas coisas são raras, magníficas e todos têm o direito de acompanhar.

    Mais uma vez, minha intenção não é criticar, apenas debater. Seu trabalho é ótimo, André, e continuarei acompanho suas “Caixas-postais” e as “Colunas Dominicais”. Textos ótimos, curtos, mas coerentes e imparciais. (mesmo você achando que todos os meios de comunicação não tem uma afinidade pelo “Timão” heheheheheh)

    Um grande abraço.

    AK: Luiz, a conversa está boa, mas, por favor, não coloque palavras “no meu teclado”. Não afirmei que VOCÊ estava querendo ver seu time na final da Libertadores em rede nacional (apesar de ser exatamente isso), afirmei que “entendia os argumentos de quem quer ver…”. E quero frisar, repetindo, que entendo suas reclamações. Não acho que você esteja errado em querer ver o jogo em transmissão nacional, acho que está errado em não querer compreender como as coisas funcionam. Hoje é o torcedor do Cruzeiro que questiona, ontem foi o do Fluminense, amanhã será o torcedor de algum outro time. Mas o caso, em si, é o mesmo. Em TV aberta, o que manda é a audiência. Mais uma vez, não estou afirmando que está certo, que é a melhor decisão em termos jornalísticos, etc. Estou apenas dizendo que é assim. Se você quiser combater a “ditadura da audiência”, fique à vontade. Mas essas são as forças que comandam esse mercado. E, por favor, não queira me convencer de que você está indignado “por amor ao futebol”. O motivo é o fato de o jogo do Cruzeiro só ser transmitido para Minas Gerais. Não há nada de errado em se sentir assim. Obrigado pelo elogio ao meu trabalho. Um abraço.

  • Luiz Guilherme Madeira

    André, tudo bem, admito meu equívoco ao “colocar palavras no seu teclado”. Eu já li a sua resposta novamente e você tem razão.

    Mas acho que você erra ao dizer: “E, por favor, não queira me convencer de que você está indignado “por amor ao futebol”. O motivo é o fato de o jogo do Cruzeiro só ser transmitido para Minas Gerais. Não há nada de errado em se sentir assim”

    Acho que você erra por alguns motivos:

    1 – Eu não quero convencer você disso. Se eu tivesse que convencer alguém seria a Globo certo? Estamos apenas debatendo.

    2 – O motivo de eu me sentir assim não é pelo fato de o jogo ser transmitido apenas para Minas. Primeiro que não ficarei sem assistir o jogo, tenho SPORTV, e também quero assistir a finalíssima em BH. Sou fanático, e dependo apenas do meu dinheiro para ver meus jogos. Agora você que está “colocando palavras no meu teclado” afirmando com tanta certeza o motivo de eu estar indignado. Só quem me conhece pode afirmar se sou ou não apaixonado por futebol. E sou de fato. Apaixonado, pesquisador, estudioso e tudo mais deste esporte. Não sou profissional da área, mas tenho sim, muita paixão por este esporte. Se assim não fosse, não teria gastado tanta grana para assistir jogos de times que nem são os meus (São Paulo, final da Libertadores 2005, Boca Juniors no Campeonato argentino, só pra citar os que mais gostei).

    3 – Aliás, em momento algum eu vim aqui discutir o fato de eu não poder ver o jogo. E sim o descaso da mídia com os times fora de SP e Rio. O descaso com as pessoas que ao contrário do meu caso, não tem SPORTV e também não podem ir ao jogo.

    4 – Também não quero combater a “ditadura da audiência”. Há uma diferença muito grande entre duas pessoas formadas e cultas como nós debaterem um assunto, e uma pessoa combater a “ditadura da audiência”.

    Um grande abraço.

    AK: Se errei, peço desculpas. Um abraço.

  • BASILIO77

    Televisão, aberta ou fechada, é lei de mercado.
    Abraço.

  • BASILIO77

    Sobre a situação dos treinadores….e o Nelsinho Batista?
    Rebaixado no final de 2007 com o SCCP.
    Campeão da CB seis meses depois, com excelente desempenho.
    Ótima libertadores em 2009.
    E agora, sem clube.

    Abraço.

  • Rafael Bastos

    André,

    É engraçado como a mídia esportiva, na minha opinião, trata a questão da longevidade de um técnico com tanta importância. Acredito que a mudança de treinador é primeira medida para buscar melhorar os resultados de uma equipe antes de trocar o os jogadores. Isso que eu disse não é válido para times que mudam de técnico a cada rodada, mas aqueles que chegam no limite no meio ou no fim da temporada e lançam mão dessa solução. Veja o caso do Barcelona atual, por exemplo, ganhou quase tudo o que disputou com um time muito semelhante ao da temporada passada? O que mudou de um ano para o outro além do técnico? Rijkaard não é um mal técnico, mas às vezes a relação chega a um desgaste natural e os resultados se esgotam. A situação do Ferguson e do Wenger, são exceções e mesmo eles não mostram que isso seja sufuciente para manter uma equipe vencedora. Que outros trabalhos longos temos para comprovar que isso é realmente condição para manter uma equipe vencedora? Acredito que a questão de uma comissão técnica fixa como a do São Paulo seja uma solução melhor do que a de manter um técnico por muito tempo.

  • Nívio

    André, eu torco pro Fluminense e prefiro muuuuuuuuuuuuuuuuuito mais ver o jogo do Cruzeiro pela final da liberta do que o do Fluzão no brasileiro.
    Abraço!

  • Alexandre

    Muito interessante o debate entre o Luiz Guilherme e o André.
    Eu acredito que, mesmo comercialmente, a decisão de priorizar o televisionamento de jogos dos times de maior torcida, em detrimento dos jogos claramente mais importantes, é míope e imediatista.
    Isto cria um círculo vicioso, em que os times de maior torcida são mais “falados” pela mídia porque dão mais audiência, e dão mais audiência porque são mais “falados”…
    No longo prazo, teremos só dois times grandes no Brasil, a saber: Flamengo e Corinthians, mesmo estes não tendo, historicamente, um desempenho esportivo superior ao de seus maiores rivais (em especial no caso do Corinthians).
    Ao menos neste ponto, seremos semelhantes ao países europeus, e isto só não aconteceu antes porque o televisionamento de jogos de futebol tem só uns 30 anos de histórico.
    É uma pena, pois resultará em eventos esportivos muito mais pobres em diversidade e, quiçá, menos rentáveis para a mídia (já que é isto que importa no final), já que é mais difícil ser torcedor de verdade (e con$umidor) morando a milhares de quilômetros do time de “coração”.

  • BASILIO77

    Alexandre, concordo em parte com seu ponto de vista.
    Mas me pergunto…então as empresas que pagam uma fortuna pelos direitos de transmissão do futebol irão, por algum tempo, “ganhar menos” afim de exibir jogos de maior “importância esportiva” mas jogados por clubes de menor repercussão na sociedade?

    Ou seja, seria justo pedir à emissoras que transmitissem ao vivo as regatas de Robert Scheidt(octa-mundial e bi-olimpico), ou as disputas no hipismo do alazão Baloubet de Rouet, montado por Rodrigo Pessoa(tri-mundial e ouro olimpico), além das respectivas reportagem sobre os excelentes resultados, de extrema “importância esportiva”!
    Com direito a capa do Lance!

    Nem lá, e nem cá, “importancia esportiva” NÃO É TUDO.

    Além do mais, Corinthians e Flamengo não são instituições que se possa desprezar suas importâncias sócio-culturais. Portanto, não é nenhum crime uma empresa que vive de publicidade, valorizar essas instituições visando ganhos de capital.

    Outro aspecto é que a tal audiência não é composta apenas por torcedores dos clubes citados como “beneficiados”…boa parte da audiência é composta pelas torcidas adversárias…o pessoal do contra.
    Para cada torcedor que gostaria de ver a final da libertadores, terão tres que gostariam de ver SCCP e torcer contra.
    São os numeros que dizem isso, não eu.

    Corinthians e Flamengo atraem os opostos, somando isso, dá muita gente, aí não dá pra concorrência.

    Abraço.

  • Alex (EUA)

    Andre’, excelentes observacoes na coluna, que comprovam duas coisas notorias: o futebol e’ extremamente efemero e a memoria dos que o acompanham pode ser MUUUUITO curta (fora resultados e campeonatos)…

  • Julio

    Felipão foi a maior esperança que de titulos importantes (Champions League) que já pisou no Stamford Bridge, e Avram Grant a maior desconfiança um não chegou a terminá-la e outro foi o único que levou o Chelsea a uma final, Vai entender…. Dunga, sempre tive uma opnião muito clara André nao sei se voce concorda, ele “convoca mal” pois tem jogadores melhores para chamar, mais o time que ele convoca ele faz render muito bem… Muricy foi demitido pelo fato do São Paulo não querer passar uma reformulação no elenco, (coisa que o Mestre Telê fez 3x) o Luxa no popular, sai mais caro o molho do que o peixe, muito salário pra pouca coisa (apenas um Paulista para receber senao me engano 400 mil mensais). tecnicos vitoriosos que fazem de suas conquistas fonte de renda e nao de inspiração

    Gosto dos novos técnicos Adilson, Mano, Mancini, Caio Junior(mesmo sendo o eterno 5º colocado no Brasileiro operando milagres com Paraná, Palmeiras e Flamengo) paraná foi um belissimo milagre já os outros. Sergio Guedes é um bom técnico enfim varios tecnicos que estão surgindo mostrando seu potencial e provando que não é com nome que se conquista títulos. Abraço Andre!!

  • David

    Esse argumento da audiência não faz muito sentido.

    Dia 29/03/09, a média da Globo foi de 24 pontos no IBOPE no horário do jogo do Brasil pelas eliminatórias, sendo que uma semana antes, Corinthians x Santos pela final do Paulista deu 25 pontos de média. Quando o Brasil joga os clubes não jogam, mas na hipotética situação de um jogo do Brasil e Corinthians no mesmo horário, a Globo deveria optar pelo Corinthians então? Sim, se fosse coerente, usando o mesmo critério comercial que justifica passar o Timão no lugar de uma final de Libertadores, deveria. Mas não vai, porque não faz sentido.

    Corinthians x Barueri, dia 06/02/08, teve uma das piores audiências já registradas em um jogo de futebol exibido pela Globo. A Record fez o dobro de pontos no IBOPE, e ficou em primeiro lugar do início até o fim, exibindo novela.

    Aqui no Paraná, as vezes a RPC inventa de passar jogo do Campeonato Paranaense ao invés do Paulista. Qual seria o critério comercial se a grande maioria dos paranaenses torce por times paulistas? A justificativa oficial é “incentivar” o futebol local. Mas todo mundo sabe que é pra vender assinatura do PPV. Se o IBOPE fosse medido aqui no interior, o jogo do Paulista que passa na Band iria ter 3x mais pontos que o jogo do paranaense na Globo.

    A preferência pelo Corinthians entre os que assistem futebol pela TV é grande sim, mas não é maior que a soma do resto. Assim, entre Corinthians e uma final de Libertadores, há um número maior de pessoas querendo ver o último. Sei que a única forma de averiguar isso é a medição que o IBOPE faz, que provavelmente tem abrangência estatística pra ser confiável. Mas não podemos esquecer que essa medição é tentativa de se aferir a realidade, não é a realidade em si. Ou seja, ela pode estar errada.

    Você dirá que a Globo é líder e se ela opta pelo Corinthians, é porque é melhor economicamente, já que esse é o negócio dela e, portanto, ela deve se preocupar e entender disso melhor do que a gente. E eu concordo.

    Mas sabendo que todo mundo odeia o Galvão e mesmo assim ele continua, e que todo mundo odeia o Faustão e mesmo assim ele continua, entendo que o fato de ter audiência não significa que quem está assistindo queria estar assistindo aquilo. No caso da audiência, o observador (Globo) altera o objeto (telespectadores). O Brasil ouve o Galvão narrar porque não tem opção, e a Globo entende “ele dá audiência”. O Brasil assiste o Faustão por não ter opção, e ela entende “ele da audiência”. Aqui reina a inércia. Dá audiência porque é a Globo, apesar do Faustão, e não por causa dele. Se você colocar o Luciano Huck no Domingo vai dar audiência também, talvez até mais. Ninguém deixa de assistir um jogo porque não é o Galvão narrando, mas se for ele, todo mundo que eu conheço, se pudesse escolher, assistiria em outro canal. Quando essa opção existe (SporTV ou PPV), a pessoa sai da Globo. As vezes se atura o Galvão mesmo tendo o mesmo jogo na Band, por causa da imagem (aqui a diferença da qualidade existe, não sei em SP). Eu conheço pessoas, mais de uma, que ligam na Globo, colocam no mudo, e ouvem a narração pelo rádio, pra não terem que ouvir o Galvão.

    Concluindo, acho que a Globo lê a realidade de uma forma errada (sim, eu sei que a Globo é a Globo e eu não sou ninguém, mas acho que ela lê errado). Se o jogo do Corinthians dá mais audiência em SP que uma final de Libertadores, essa diferença é o número de pessoas que só assistem o Corinthians. Só que no jogo do Corinthians, as pessoas que assistiriam a final da Libertadores estão vendo um jogo que seria a segunda opção, e estão xingando a Globo, e por isso muito menos sujeitos a publicidade. Dessa forma, ela pode ter uma audiência maior em números absolutos, mas é uma audiência majoritariamente insatisfeita.

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