COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VIDA DE TÉCNICO

Diga-me qual seria sua reação se, exatamente um ano atrás, alguém previsse que, nos primeiros dias de julho de 2009, teríamos o seguinte panorama:

Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo desempregados, e não por vontade própria.

Luiz Felipe Scolari trabalhando no Uzbequistão.

Dunga a caminho (e prestigiado, no melhor sentido) da Copa de 2010.

Adílson Batista na final da Copa Libertadores.

O que você diria? Não responda agora. Deixe-me lembrá-lo(a) do que estava acontecendo na carreira desses treinadores, nessa época, no ano passado.

Muricy ainda digeria a eliminação nas quartas-de-final da Libertadores, por um gol de Washington, do Fluminense, nos acréscimos dos acréscimos. Mas era bicampeão brasileiro, e garantido no cargo pelo presidente do São Paulo.

Luxemburgo acabara de levar o Palmeiras a um título paulista, que o clube não conquistava havia doze anos. Iniciava o BR-08 com planos, e orçamento, de título.

Felipão tinha sido contratado a peso de ouro pelo Chelsea. Estava a uma semana de comandar o primeiro treino nos milionários londrinos.

Dunga? O último jogo da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, tinha sido em 18 de junho. Argentina, no Mineirão. Tétrico 0 x 0, com direito a trilha sonora: “Adeus, Dungááá…”

E Adílson tentava reanimar o Cruzeiro, após a queda nas oitavas-de-final da Libertadores, com duas derrotas para o Boca Juniors. Muitos cruzeirenses o chamavam de Professor Pardal, por causa das mexidas no time. Diziam também que o time dele não sabia jogar fora de casa.

Quanta mudança em um ano… claro que cada caso tem sua explicação.

Muricy claramente encerrou seu ciclo no São Paulo. Ou o São Paulo encerrou seu ciclo com Muricy. Ou os dois. Está para nascer o dirigente brasileiro que garantirá um trabalho realmente longo a um treinador, com coragem para inverter o método, na hora ruim. Qual seria a inversão? Em vez de trocar o comando, mostrar a porta a dois ou três (ou mais) jogadores, se for preciso.

Luxemburgo obrigou o Palmeiras a lhe dar um tapinha nas costas definitivo. Só por causa da saída de Keirrison? Evidente que não. Pesou o pior custo/benefício da história do futebol brasileiro (briga sangrenta com Corinthians/Passarella), num contrato entre um clube e um “professor”.

Felipão foi vítima de uma igrejinha bem feita, e sentiu o drama da obrigatória redução de custos no futebol europeu. Seu contrato em “ondeéquistão” oferece remuneração irrecusável, na medida (18 meses) certa.

Dunga, após quase três anos, fez um time que se gosta e gosta de estar na Seleção. O resultado é produto direto de trabalho e ambiente. Lembremos que ele assumiu o cargo para isso.

E Adílson, bem… se o time de Adílson não sabe jogar fora de casa, as recentes passagens por Morumbi e Olímpico forçam a reflexão: imagine se soubesse.

Esta coluna pode durar só mais alguns dias (nos casos de MR e VL), semanas (no caso de Adílson), meses (Felipão), ou um ano (Dunga). Tudo bem, é assim que funciona.

Agora pode responder. Você não acreditaria, né?

Nem eu.



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