COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

CORPO FECHADO

Dois dias depois de levar três gols do Egito (bom time? Até é. Pode fazer 3 no Brasil? Jamais.), a Seleção Brasileira fez um belo jogo e aplicou 3 x 0 nos Estados Unidos, em Pretória. Ramires mostrou o futebol que deve garantir sua camisa amarela por muitos e muitos anos, e Maicon recuperou o torque de tanque. O terceiro gol, iniciado e finalizado pelo (dono da) lateral, foi o tipo de “jogada brasileira” que tanto se cobra do time de Dunga.

Isso aconteceu na hora do almoço, no Brasil. No final da tarde, um jogo em Johannesburgo transformou as falhas da estreia, preocupantes a princípio, em pelo de ovo. Na maior vitória desde que uma bola de futebol apareceu à sombra das pirâmides, o Egito bateu a Itália. Nada escapou da tela do El Hadary egípcio (perdão, não resisti), o goleirão que garantiu o dia histórico. Os jogadores beijaram o gramado, e o técnico Hassan Shehata, que na verdade é o ator Omar Sharif, chorou feito criança.

Tudo bem que os atuais campeões mundiais têm um inesgotável potencial para micos, mas a vitória do Homos (autor do gol) sobre a sardela só serviu para congestionar as ruas do Cairo, e deixar Dunga com aquela cara de “estão vendo?”.

Perguntas: você está surpreso? Não percebeu ainda que o mundo do futebol, faz tempo, conspira a favor do técnico da Seleção?

Há quem diga que Dunga viveu um, e apenas um, momento crítico em sua gestão: a rodada dupla, em junho do ano passado, em que o Paraguai jantou o Brasil em Assunção, e o Mineirão não suportou o 0 x 0 com a Argentina. O jogo seguinte, quase três meses depois, era no Estádio Nacional de Santiago, onde boas seleções brasileiras já penaram. E o que aconteceu? Três a zero nos chilenos.

Em março passado, as cornetas (quase tão potentes quanto as sulafricanas) soaram após o 1 x 1 no Equador. A dificuldade para jogar futebol na altitude foi tratada como desculpa infantil. Três dias se passaram até a vitória sobre o Peru, em Porto Alegre. Enquanto a Seleção goleava por 3 x 0, a tão elogiada Argentina levava um placar de tênis (6 x 1) da Bolívia, em La Paz. Ah, a altitude…

Ninguém deveria ter arregalado os olhos quando o Brasil venceu o Uruguai, no último dia 6. O fato de trinta e três anos sem vitória em Montevidéu terem acabado com uma goleada, em que o melhor em campo foi (o melhor do mundo) Júlio César, também não deveria provocar suspiros. É resultado corriqueiro para um técnico que mandou 3 x 0 na Argentina em seu segundo jogo, placar repetido logo na primeira decisão (Copa América 2007, fora o baile).

E não vamos nem tocar nos amistosos contra Itália (2 x 0) e Portugal (6 x 2).

Dunga tem 73% de aproveitamento, em três anos como técnico da Seleção. Felipão, só como um exemplo, teve 74% em um ano. Antes que você pergunte, é evidente que não se trata de sorte. Dunga é um técnico de vitórias cirúrgicas.

Ninguém é obrigado a gostar de números, nem do jeito que o Brasil tem jogado. Mas os números de Dunga, sob o nome de um treinador mais experiente, nunca seriam contestados.



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