COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O ENVELOPE MUDOU DE CORTE

Marco Polo Del Nero voltou a exercer, oficialmente, a presidência da Federação Paulista de Futebol. A suspensão de 90 dias imposta pela Terceira Comissão Disciplinar do STJD terminou na última quarta-feira. Mas o “Caso Tardelli”, que o árbitro (e principal prejudicado) prefere chamar de “Caso Marco Polo”, não acabou.

Primeiro porque o recurso de Del Nero ao pleno do Tribunal ainda não foi julgado. O dirigente está contrariado por causa da morosidade da Justiça Desportiva, que protela sua oportunidade de ser inocentado, mesmo tendo cumprido a pena até o último segundo. Mas deve saber que, como em outras situações parecidas, a demora quase sempre é amiga do réu.

Essa é opinião do jurista que tem colaborado com a coluna, desde os primeiros movimentos do (ainda não explicado) caso. Sempre no sentido de informar e esclarecer. “Com o passar do tempo, algumas resistências são quebradas, outras motivações perdem força. O mesmo acontece em outras esferas da Justiça”, diz o nosso consultor informal, que prevê uma tranquila absolvição de Del Nero no julgamento do recurso.

A questão é o que significa a absolvição de alguém, após o cumprimento da pena. A princípio, parece uma absurda injustiça. Imagine-se na cadeia, independentemente do período, por um crime que não é seu. Mas pelo menos aos olhos de um dirigente do São Paulo, clube que se considera tão (ou mais) vítima quanto Wagner Tardelli, o fato de Del Nero ficar suspenso por três meses é a prova de que algum tipo de justiça se fez. “Esse tempo que ele passou afastado tem um significado”, acredita o cartola.

Ocorre que Marco Polo Del Nero não ficou totalmente afastado do dia-a-dia da Federação Paulista de Futebol durante sua punição. Apenas um exemplo: nos dias em que aconteceram reuniões para definição de datas e locais das rodadas decisivas do Campeonato Paulista, o presidente suspenso estava em sua sala, e se encontrou com os representantes dos clubes envolvidos. Formalmente, as reuniões foram comandadas pelo presidente em exercício, Reinaldo Carneiro Bastos.

Outro indício da sobrevida do caso (aliás, qual nome você prefere: “Tardelli”, “Madonna” ou “Marco Polo”?) é sua “migração judiciária”. Wagner Tardelli está processando Del Nero por danos morais. Pretende limpar seu nome e ser indenizado pelo prejuízo que sofreu. A eventual absolvição do dirigente, no âmbito esportivo, não guarda relação com o que se decidirá na Justiça Comum. “Mesmo que o STJD absolva, um juiz cível pode concluir que houve dano moral”, diz o advogado carioca Michel Assef Filho, que representa Tardelli na ação. A primeira audiência deve acontecer em cerca de dois meses.

O julgamento do recurso de Marco Polo Del Nero ao Pleno do STJD ainda não tem data marcada, e não deve ter a participação do presidente do Tribunal, Rubens Approbato, por problemas de saúde.

Há dois meses, imaginava-se uma votação apertada. Hoje, o placar seria 6 x 2 a favor do dirigente paulista.

Exatamente como quer a CBF.



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