COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

OBCECADO PELA BOLA

O cartaz exibido por dois torcedores do Barcelona, na entrada do Estádio Olímpico de Roma, era um claro exemplo do que os catalães pensam de seu time: “ELES INVENTARAM O FUTEBOL. NÓS, A ARTE DE JOGAR”.

Desconte o orgulho com o qual o catalão veste a camisa azul-e-grená, e a mistura de origem e história que une o Barcelona a seus seguidores. Não são muitos os outros times de futebol do mundo que, literalmente, representam um povo. Mas perceba que, década após década, o tipo de futebol praticado pelo recém-aclamado campeão europeu é o mesmo. É como um DNA futebolístico.

Sempre que forma bons times, o Barcelona parece o mesmo time. Como se a camisa não tivesse nomes, os jogadores não tivessem rostos. É o mesmo pedigree de futebol coletivo elevado à máxima potência, um controle do jogo baseado na supremacia técnica.

A coluna encontrou o lateral brasileiro Sylvinho na zona mista do Olímpico, uma hora depois que ele saboreou o supremo título do futebol europeu. Sylvinho já tinha parado de chorar, e pôde falar sobre a filosofia de jogo implantada no clube em que atua desde 2004. “Os treinamentos que fazemos em espaço curto, para valorizar a posse da bola, são impressionantes”, contou o ex-corintiano. “Tem dias, cara, que um time fica com a bola e o outro simplesmente não vê”.

A frase ilustra a forma como Andrés Iniesta e Xavi Hernandez, especialmente, jantaram o Manchester United na quarta-feira. E ajuda a explicar como o Barcelona passou por equipes fisicamente muito mais fortes (Bayern de Munique, Chelsea e o próprio Man U.) no caminho para o triunfo em Roma. A troca de passes é tão automática, e precisa, que há lances que parecem arriscados demais. Mas só parecem, porque a aproximação dos adversários simplesmente não os preocupa.

Na véspera do jogo, o técnico Pep Guardiola foi questionado sobre a dificuldade que seu time teria para se defender do jogo aéreo do tricampeão inglês, dada a evidente diferença de tamanho. “Realmente somos um time pequeno”, respondeu Guardiola. “Mas chegamos até aqui valorizando o que fazemos bem”.

O que o Barcelona faz bem é jogar futebol, e isso não tem nada a ver com tamanho. Garotos rejeitados nas categorias de base de outros clubes, porque são baixos, são avaliados no Camp Nou pelo nível de habilidade que mostram. Não foi por outro motivo que o clube decidiu investir, desde os 13 anos, num argentino que hoje mede 1,69m. Porque a bola de Léo Messi sempre foi gigante. “Eles procuram jogadores técnicos, que queiram a bola, que gostem de jogar. Isso é um marco nesse clube.”, diz Sylvinho.

Outro marco é a média de posse de bola do Barcelona na temporada 2008-09, a primeira a produzir uma tríplice coroa na história do futebol espanhol: 63%, em 61 jogos. Isso significa que ganhando, empatando ou perdendo, com jogadores a mais ou a menos, nenhum time conseguiu tomar a bola dos donos da Liga Espanhola, da Copa do Rei e da Liga dos Campeões da Uefa.

O Barcelona, como instituição, é um time obcecado pelo passe.

E sem passe não há futebol.



  • Roberto Carlos

    André
    O Robinho forçou a barra para sair do Santos, depois fez o mesmo no gigante Real Madrid e agora repete a dose no Manchester City, na sua opinião ele ainda pode dar certo ou vai viver para sempre daquelas pedaladas em cima do Rogério?
    Abraços

  • Valdir

    ALGUNS ABSURDOS EVIDENTES:

    – Cidades com futebol semi-amador serão agraciadas com arenas milionárias e super-modernas, que se transformarão em elefantes brancos após a copa, com toda a certeza.

    – São Paulo, que é a maior cidade brasileira, sede do mais estruturado futebol brasileiro, vai ter que se conformar com uma garibada no anacrônico Morumbi, um estádio que é odiado por todos os que já tiveram o desprazer de assistir algum jogo alí (mesmo alguns sãopaulinos).

    – O Rio de Janeiro ser, de novo, o lugar da final é brincadeira de péssimo gosto. Aliás, é brincar com o azar. Pensem o Brasil chegando à final da copa de 2014, todos os fantasmas do Maracanazo de 1950 que serão ressuscitados, e a pressão que vai cair nas costas de nossos jogadores…

    A final, por uma questão de justiça, deveria ser em São Paulo, que é a cidade brasileira mais importante. Ou por outros critérios (turísticos, calor humano, o fato de ter sido a primeira capital brasileira) em Salvador, em um novo estádio construído sobre os escombros da Fonte Nova. Já que a questão do elefante branco pós-copa não foi levada em conta mesmo, então uma opção seria Manaus, porque ficaria bem apresentar para o mundo uma final no meio da Amazônia, para nos mostrarmos como país ecologicamente consciente e preocupado com o desenvolvimento sustentável…

  • Bia Honda

    Olá André, quero parabenizá-lo pela cobertura da final, vc e a ESPN me proporcionaram uma emocionante e bela partida! O jogo foi muito mais do que eu esperava, não que eu duvidasse da competência do Barcelona, mas oq pude ver foi além… Já havia postado em seu blog anteriomente a minha admiração pelo Messi, e até questionado sobre os critérios adotados pela FIFA, pois eu acho que o Messi já tinha futebol para levar o prêmio não é de hoje. Eu vibro com o futebol do Messi e tenho certeza que dessa vez ele leva o prêmio!! O Barcelona foi demais, talvez um dos últimos times que poderemos ver jogando o tão sonhado futebol arte!
    Abraços, Bianca.

  • Raphael Silva

    Enquanto isso, vemos os técnicos brasileiros pregando que futebol é força e marcação… triste…

  • Dennis

    Oi André, na sua linha de raciocínio, será que o Kaká não “cairia” melhor nesse time do Barça do que no Real?

  • César

    Devemos exaltar a conquista do Barcelona, com certeza. Podemos ovacionar sua busca constante pelo futebol arte, sim. Mas não podemos buscar nela uma fórmula para o sucesso.

    Nas quartas, o Barça goleou o Bayern em casa. Mas e daí? Não foi a única goleada sofrida pelo Bayern no ano. Os alemães estão longe de seus tempos aúreos.

    Já na semifinal contra os Blues, um time que sabe se defender tão bem quanto, e aqui vai um detalhe importante, o Manchester mas sem o mesmo talento ofensivo, o Barça, completo, só não foi eliminado devido a 3 (TRÊS) erros grosseiros da arbitragem no jogo de volta.

    Só mesmo na final, o Barça sobrou. Mas contra um prepotente Manchester United que, contra o melhor ataque do mundo, assumiu a condição de favorito. Esse era o discurso, não era? Ferguson e seus pupilos achavam que bastava entrar em campo. Um erro básico em uma final tão importante.

    Não tento desmerecer o título do Barcelona, até porque torci por ele. Também não quero ensinar a missa ao vigário visto que não disse nada de novo. Eu quero apenas colocar aqui um pouco de perspectiva no assunto. Se o Barça venceu foi porque também contou com a sorte nos sorteios e nos jogos. Sorte de campeão… mas sorte.

    Como disse, a administração do clube pode definir o estilo de jogo do time, o que é maravilhoso, mas não justifica, como pode parecer, o título obtido.

    Resumindo, a conquista do Barça não é a vitória do futebol-arte sobre o futebol-de-resultados. Como a Euro 2002, não foi a vitória do futebol-de-resultados sobre o futebol-arte. É apenas a vitória do Barcelona, dentro das condições apresentadas.

  • Celso

    Chororo de Paulista é ruim em, esse Valdir deve ter muita dor de cotovelo dos cariocas. Nem o maior Estadio de futebol de São Paulo ou melhor do São Paulo Futebol Clube, o agrada é brincadeira. chororo igual ao seu só dos Campo Grandenssessss……..Buuuaaaa….. buuuaa…..Tchupa essa Manga que ela é doce e vem do Pantanal 2014.

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