COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

A COPA É NOSSA

O Club Atlético Boca Juniors era o time brasileiro favorito para ganhar a Copa Libertadores.

Você leu certo. Brasileiro.

Some as torcidas dos rivais de Grêmio, São Paulo, Cruzeiro e Palmeiras, e veja como tinha muita gente depositando enormes doses de esperança no papa-títulos argentino.

Esperança que simplesmente desapareceu na noite de quinta-feira, com a zebraça que foi a vitória do Defensor Sporting na Bombonera. Último jogo das oitavas-de-final, Boca precisando empatar (até 2 x 2) em casa para seguir em frente, diante de um adversário que tinha arrancado a segunda vaga de seu grupo (o mesmo do São Paulo, que venceu no Morumbi e em Montevidéu) com um gol aos 48 minutos do segundo tempo, contra o pujante Independiente de Medellín…

Seja sincero. Você já estava conversando com os amigos sobre o encontro de argentinos entre Boca e Estudiantes de La Plata nas quartas-de-final. O hexacampeão da América eliminado em seu quintal? Por um modestíssimo time uruguaio? Esquece. Esse tipo de coisa não acontece.

Mas aconteceu. É futebol. E o resultado, amigos, é uma nova realidade na tabela da Copa, uma realidade ainda mais verde-e-amarela.

E não por coincidência, o verde vem primeiro. Dê uma olhada na parte de baixo da chave. O vencedor de Defensor Sporting e Estudiantes pegará o vencedor de Nacional e… Palmeiras. Com a Bombonera fora da rota (alguns amigos palmeirenses me disseram que o sonho supremo seria eliminar o Boca. Mas é bem melhor não precisar passar por isso, né?), a final, sem querer colocar o carro na frente dos bois, parece mais próxima.

Final que pode ser nacional, por todos os aspectos. Na parte de cima, a chave mostra Grêmio x Caracas e São Paulo x Cruzeiro. Se os gaúchos passarem, o que seria o normal, uma das semifinais será inteiramente brasileira. E se o Palmeiras chegar pelo outro lado, não haverá cruzamento obrigatório no regulamento que impeça mais uma decisão doméstica na Libertadores.

Ainda estamos longe dela, eu sei. Mas, ao mesmo tempo, já estamos mais perto. Gremistas (Libertadores 2007), cruzeirenses (Libertadores 2008), palmeirenses (Libertadores 2000 e 2001) e são-paulinos (Recopa Sulamericana 2005) experimentaram derrotas para o Boca no passado recente. Portanto, o que o diário esportivo argentino Olé chamou de “o fim de uma história”, é um problema a menos para os quatro brasileiros que pensam, com todo direito do mundo, no título continental.

Pena que a Seleção Brasileira, veja você, tenha prejudicado gaúchos e mineiros ao chamar Victor e Ramires. Os dois merecem a convocação, mas não merecem perder os jogos decisivos de seus times.

O calendário do futebol brasileiro, atrasado e inadequado, produz a inexplicável ausência dos melhores jogadores, nos melhores momentos.

Inexplicável, também, é o silêncio cúmplice dos clubes.



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