COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

LEMBRA DO ENVELOPE?

O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, já cumpriu dois terços da suspensão de 90 dias por causa do “Caso Tardelli”, e seu recurso ao Pleno do STJD ainda não foi julgado. Duas petições movimentaram o processo nas últimas semanas.

Uma foi feita pela defesa do dirigente, solicitando que uma testemunha seja ouvida. Trata-se do promotor José Reinaldo Carneiro, do Gaeco. Foi ele quem recebeu um telefonema de Del Nero na sexta-feira anterior à última rodada do BR-08, e sugeriu que o cartola comunicasse a CBF sobre “o envelope” (mais em instantes). Carneiro será ouvido no próximo dia 15, em audiência que se realizará na sede da OAB-SP.

A outra petição foi feita pela CBF, e é intrigante. No ofício, enviado ao tribunal a título de esclarecimento, a Confederação “sugere” que o processo se concentre na Federação Paulista, a instituição, e exclua seu mandatário. Ocorre que a CBF não é parte interessada, porque não quis. Ela pediu a abertura do inquérito, que já foi concluído. E agora parece querer, num claro atentado contra a independência do STJD, determinar como o tribunal deve proceder. Ocorre, também, que Del Nero já foi condenado à suspensão de 90 dias, pela Terceira Comissão Disciplinar, em decisão, repita-se, unânime.

É curioso que a CBF, à época indignada com a “tentativa de manchar o Campeonato Brasileiro”, peça que o caso seja apurado e, no momento em que os responsáveis são apresentados, queira desfocar a conclusão do imbróglio.

Mas aqui está o que é ainda mais curioso: a petição da defesa foi assinada pelo advogado Mario Alberto Pucheu. A petição da CBF, pelo advogado Carlos Eugenio Lopes. Até mesmo o site de buscas mais preguiçoso da internet, chamado ao trabalho, mostrará que Lopes (que é diretor-jurídico da CBF) e Pucheu são sócios da mesma firma de advocacia: Garcia & Keener Advogados, com escritórios no Rio de Janeiro, em São Paulo, Manaus e Campinas. Não é difícil concluir que quem está fazendo a defesa de Marco Polo Del Nero é a CBF. O que comprova o tamanho dos interesses envolvidos no caso.

Mas fiquei de voltar ao “envelope”, e espero que você não esteja com um copo, ou uma faca, na mão: o envelope não existe. Repita comigo: O. Envelope. Não. Existe. Uma das primeiras providências do inquérito foi produzir o aparecimento do que, num caso de assassinato, seria o corpo. E o que se comprovou após os depoimentos é que não há envelope algum. Não há, não houve, não haverá.

O São Paulo enviou, sim, ingressos do show da Madonna para o presidente da FPF e para o vice, Reinaldo Carneiro Bastos. Não para o árbitro Wagner Tardelli. O envelope sobre o qual conversaram as secretárias do São Paulo e da FPF era, na verdade, uma reclamação formal do clube contra um árbitro. Deveria chegar às mãos de Carneiro Bastos, e não tinha nada a ver com o show. Isso é o que está nos autos.

Como essa conversa entre secretárias se transformou numa “tentativa de corrupção” que sujou o nome de um árbitro e rasgou o Estatuto do Torcedor, é o que precisa ser explicado.

Marco Polo Del Nero cometeu um erro. E ele sabe disso.



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