CAIXA-POSTAL



Com os devidos pedidos de desculpas pelos problemas técnicos e pelo horário adiantado.

Aos temas da semana:

David escreve: Vejo você sempre chamar o atacante do cruzeiro de Kléber “Rooney” e, ciente dessa tremenda semelhança de estilos, com meus miolos, parei pra pensar e não consegui lembrar de outro atacante além do Tevez com essas mesmas características, que são tão marcantes nesses 3 jogadores: baixinhos, encorpados, raçudos, voluntariosos, dribladores e artilheiros. Você consegue lembrar de outros jogadores de qualquer época que poderia ser comparado a esses de tal forma? Ou seria esse um novo e raro estilo no mercado?

Resposta: De vez em quando chegam alguns e-mails indignados, do tipo “como você consegue comparar Kléber e Wayne Rooney… blá, blá, blá?”. E eu fico pasmo como não se percebe que eu não estou comparando jogadores, estou apenas observando que eles são dois caras intensos em campo. É a atitude. Talvez eles até sejam parecidos fisicamente, como os outros que você citou. Mas estou falando de comportamento. Realmente é difícil lembrar de outros jogadores com todas essas características. Seu comentário é interessante.

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Pedro escreve: André, me empolguei vendo o trailler de um documentário que está sendo produzido por alunos da Unicamp sobre a Democracia Corintiana. Então, fui atrás de artigos sobre o tema. Li, incrédulo, várias descrições do sistema e mais impressionado fiquei com o nível de politização do jogadores. Você
acredita que algum dia será possível que algum clube volte a adotar sistema semelhante?

Resposta: A Democracia Corinthiana foi um fenômeno. Uma reunião de jogadores e diretores que, na época, pensavam muito à frente. O fato de serem jogadores politizados era algo que os unia, mas não creio que tenha sido o principal. Os jogadores que lideravam aquele time do Corinthians tinham uma visão do profissionalismo que era (e ainda é) desafiadora. E eles mostraram que um grupo que se entendia e se respeitava tinha a capacidade de se organizar da maneira que achava correta. Costuma-se dizer que a Democracia Corinthiana “acabou com a concentração”, como se isso fosse a única inovação naquele grupo. Mas, na verdade, era muito mais um resultado da relação que o grupo tinha com as pessoas que dirigiam o clube. Não acho que veremos algo parecido.

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Jorge (entre vários) escreve: O que você achou da ida do Adriano para o Flamengo?

Resposta: Primeiro, vamos aguardar a apresentação dele, né? Mas acho que viver no Rio de Janeiro e jogar no Flamengo representam o caminho que o Adriano acredita que seja o melhor para ele. Há quem diga que ele traiu a Internazionale, contando uma história bonita, falando que estava infeliz, que iria parar para repensar a vida, e pouco tempo depois, acertou com o Flamengo. Eu apenas me recuso a crer que um clube seja ingênuo a esse ponto. Se a Inter liberou o Adriano de seu contrato, é porque decidiu que era coisa certa a fazer. Se o Adriano voltará a ser o Imperador na Gávea? Não sei. Espero que sim.

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Renato escreve: Por que você e seus coleguinhas da imprensa idolatram tanto o Barcelona, e não percebem que esse negócio de futebol-arte é coisa do passado?

Resposta: Não sei de quais coleguinhas você está falando, mas me permita corrigi-lo: eu não idolatro ninguém, apenas gosto de ver o Barcelona jogar. É o time que, desde que me conheço, corre mais riscos, joga mais para a frente, valoriza jogadores criativos, etc, etc e etc. Há quem prefira times que não gostam de atacar, talvez seja o seu caso. Há gosto para tudo. Não quero que ninguém concorde comigo. Sugiro que você faça o mesmo. Ah, eu já ia me esquecendo: cheque como foi o clássico de hoje com o Real Madrid.

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Obrigado pelas mensagens, e até o próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“A humanidade não é má. Apenas está mal informada.”

Prof. Charles Francis Xavier, em “X-Men”.



  • Leandro Thomé

    Seria interessante saber do cara que reclamou da “idolatria” ao Barça o que ele achou do massacre no Barnabeu hoje… hehe

    Abraço

  • Pedro
  • Willian Ifanger

    O Real levou um sova histórica em casa.

    Pena que esse time espetacular pode ser eliminado por causa de um timinho retranqueiro e robotizado, como o amigo que comentou gosta. E se for eliminado, não deixará de ser espetacular.

  • Jovaneli

    Entendo futebol como um esporte onde o melhor é aquele que, de forma inteligente e com mais felicidade (sorte), consegue fazer mais gols no seu adversário. Claro, futebol com belas jogadas é muito melhor. E certamente esse time do Barcelona é capaz de lances belíssimos em campo. Contudo, no futebol isso não é essencial.
    A meu ver, a chance é zero de vermos algo parecido com esse Barça 6, Real 2 na quarta, em Londres. E não ficarei nem um pouco surpreso se Guss Hiddink armar o time dele para (novamente) travar esse ofensivo Barcelona. Até acho que essa é a hipótese mais provável.
    Será suicídio jogar aberto e dar o contra-ataque para Daniel Alves, Xavi, Iniesta, Messi, Henri e Eto’o. Assim como será perigoso para o Barça lançar-se à frente, como faz em casa, e dar espaço para quem só quer uma única brecha para decidir a partida.
    E tem um aspecto que deve ser levado em conta: a defesa catalã, que é o setor “comum” do time, não poderá contar com Rafa Márquez, que sofreu uma grave lesão no joelho nem com o suspenso Puyol.
    A bola parada perigosa do Chelsea, sobretudo nos escanteios, com os zagueiros Terry, Alex e Ivanovic (este, zagueiro-lateral), além do alemão Ballack, pode pesar a favor dos Blues.
    Da mesma forma, o poderoso ataque do Barça, que passou em branco na primeira perna, pode passar a perna no time de Roman Abramovich.
    De todo modo, Chelsea e Barcelona, quarta, na Inglaterra é outro jogo. É assim que entendo. E torcerei para que vença o melhor. Cada um no seu estilo, na sua maneira de jogar esse maravilhoso esporte chamado futebol.

  • Paulo Roberto Pereira da Silva

    Eu tenho minhas duvidas quanto a importancia da democracia corintiana, o time tão citado venceu apenas 2 Paulistas, não é algo muito expressivo…
    Quanto ao Barça, realmente é um time de futebol muito bonito, mas as defesas do campeonato espanhol são ridiculas, piores que a defesa do Ipatinga, eu irei torcer pelo Chelsea que na minha opinião pode vencer o Barça e chegar ao titulo da Champions, afinal o meio de campo do Chelsea é MUITO talentoso, Ballack, Lampard, Essien, acho que independentemente do resultado da partida os resultados obtidos pelo time de Guardiola ficaram guardados na memória dos amantes do bom futebol. E pra terminar eu não sou muito fã do futebol bonito…
    O meu São Paulo de Carpegiani em 99 jogava demais e não ganhou nada…
    Eu prefiro titulos…

  • Renato do céu, você não gosta de ver o Barcelona jogar? Fala sério!!

  • Marcos A F SANTOS

    Eu particularmente não sou fã do Barça mas pra quem gosta de futebol, o que os caras estão fazendo é fenomenal, futebol de primeira linha, coisa linda de se ver e que há anos não aparecia. Acho que o último time a jogar assim foi o Milan holandês. Abraço.

  • Sobre esses jogadores de estilos parecidos, que eu gosto de chamar de “minitanques”: acho que o Madson também pode ser incluído na categoria.

    AK: O Madson corre mais do que todos eles juntos… um abraço.

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