COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

RIR É O ÚNICO REMÉDIO

A redação do Lance! no Rio de Janeiro ligou, na sexta-feira da semana passada, pedindo um texto para a edição de domingo do jornal. Uma prévia da final da Taça Rio, entre Botafogo e Flamengo.

Enquanto o editor Daniel Bortoletto falava, este projeto de colunista pensava que interessante seria escrever sobre uma realidade distante. É lógico que eu acompanho o futebol carioca. É parte das minhas obrigações e, felizmente, dos meus interesses. Mas faço isso pela televisão, o que, com algum exagero, aproxima o Estadual do Rio do Campeonato Italiano.

É muito melhor quando você pode ir aos clubes, aos jogos, conversar pessoalmente, ver e ouvir coisas que não chegam aos olhos e ouvidos de quem é telespectador. Mas é perfeitamente possível ter informações e formar opiniões, mesmo de longe.

Escrevi o texto, finalizando com a afirmação de que “a Taça Rio termina hoje, mas o campeonato não”. Cliquei em “enviar” para o arquivo cair na caixa-postal do Bortolletto, já sabendo que corria o risco de receber algumas mensagens indignadas de botafoguenses de pavio curto. É assim a vida de quem opina sobre futebol.

Mas a gente sempre espera (ou se ilude com) um aumento da capacidade de compreensão de que, céus, é apenas uma opinião.

A reação foi incrível. Desde e-mails absolutamente respeitosos e bem humorados, com argumentos táticos usados para tentar comprovar meu engano, até mensagens me acusando de clara tentativa de secar o Flamengo, passando pela óbvia e impublicável irritação com o “desrespeito ao Botafogo”.

Nasci e passei toda a vida em São Paulo, não tenho um time do coração no Rio de Janeiro (nem em nenhum outro lugar). E, mesmo se tivesse, não usaria meu espaço no único diário esportivo brasileiro para torcer. Pensar sobre isso não é exatamente um esforço hercúleo.

Saí para trabalhar no Morumbi, era dia de São Paulo x Corinthians, e as mensagens continuaram. Foi quando percebi que meu crime, sob a ótica dos bagrecéfalos, tinha sido escrever sobre o futebol de outro estado. O que havia de variações de “recolha-se ao Campeonato Paulista” era notável. Não há outra solução a não ser rir.

O domingo foi passando, a bola rolando, até que o rádio informou que Emerson tinha feito um gol-contra no Maracanã. Já na sala de imprensa ao lado do vestiário do visitante no Morumbi, soube do fim do jogo. Não pude evitar o alívio por, pelo menos, ter acertado. Quando se metem a tratar do futuro, jornalistas torcem, é bom que se saiba, pelo que escrevem e falam. O que acontece no campo é totalmente, absolutamente, secundário. E vale frisar que o temor pelo mico a ser pago, em caso de erro, é muito superior à satisfação do acerto.

Voltei para a redação da ESPN, e depois para casa. Só um e-mail foi enviado depois que o jogo do Maracanã acabou. Um maluco queria saber se eu estava satisfeito por participar da “conspiração” para “fabricar” a disputa do título em dois jogos no Rio.

Meu Deus, fui exposto! Preciso ligar para o Emerson. E agora?



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