CAIXA-POSTAL (com um link médico)



Aos temas da semana:

Raphael escreve: Vi uma declaração do Luxemburgo depois do jogo do Palmeiras pela Libertadores, resmungando porque o Diego Souza levantou a camisa na comemoração com o argumento de que isso tenha escondido a imagem do patrocinador, que é quem paga os salários da equipe. Mas entre quem acompanha futebol, creio que 90 % das pessoas já sabem quem é o patrocinador do Palmeiras, ou do Corinthians, Santos, São Paulo… Na minha opinião, o gol é o momento mais importante de uma partida. E por isso deve ser extremamente celebrado, claro que guardados os devidos excessos. E creio que os arbitros e a FIFA tem podado muito isso, tem sido rigorosos ao extremo. Qual a sua opinião a respeito disso?

Resposta: Primeiro, correção: Luxemburgo estava se referindo ao direito de imagem, não ao salário. E a questão central não é o público saber ou não saber quem é o patrocinador de um clube. É o nome e o logotipo desse patrocinador aparecerem na televisão e nas fotos. Os relatórios sobre a visibilidade de uma marca levam em conta a quantidade de aparições dessa marca na mídia. Quando um jogador esconde (mesmo sem querer) a camisa do seu clube na hora de comemorar um gol, a visibilidade do patrocinador é prejudicada. Não estou julgando se isso é certo ou não, apenas estou explicando que é assim que as coisas funcionam na cabeça de quem assina o cheque. E o cheque é fundamental para o clube. Sobre as punições em comemorações, acho que realmente existe um exagero. Proibiu-se levantar a camisa por causa de mensagens (na camiseta de baixo) que podem ser ofensivas, e o cara que está sem camiseta por baixo leva cartão quando tira a camisa…

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Gustavo escreve: As portas da seleção estão mesmo fechadas para Ronaldo? É justo convocar o sonolento Ronaldinho Gaúcho e o atribulado Adriano na tentativa de resgatar-lhes o melhor futebol e negar tal oportunidade ao renascido Fenômeno, que já prestou (e parece que pode prestar) serviços mais valiosos ao futebol brasileiro?

Resposta: Se as portas estão fechadas ou não, não sei. O que sei é que se ele merecer, não haverá porta capaz de impedir. Mas é preciso lembrar que o Ronaldo voltou a jogar futebol recentemente, e ele mesmo disse que essa conversa sobre Seleção não faz sentido, agora.

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Thiago escreve: gostaria de saber o que você achou das declarações de Mano Menezes sobre a “bola de cristal do Muricy”. Confesso que não cheguei a ver como foram colocadas as declarações de que São Paulo e Palmeiras fariam a final do Paulista, mas, suponho, se ele deu palpite até no jogo do Palmeiras, creio que tenha sido muito mais coisa de boleiro do que um treinador. E outra: se ele disse apenas, sem menosprezar, que os mandantes venceram a ida e, por isso, apostava em São Paulo e Palmeiras, qual é o mal? Você acha que Muricy menosprezou o Corinthians com esse comentário? E o comentário do Mano? Senti até que o Muricy parecia meio chateado, no sentido de magoado, com o Mano Menezes.

Resposta: Caso clássico que “telefone sem fio”. Eu acompanhei todas as declarações. O Muricy não disse nada de anormal. Foi exatamente como você percebeu, apostou nos mandantes do segundo jogo. E o Mano falou em claro tom de brincadeira. Só que um não viu a declaração do outro, e o outro não viu a declaração do um. Nessa semana eu procurei saber se os dois se falaram, para esclarecer a história, e ouvi de duas pessoas que “não precisa”. Creio que o tempo mostrou que não havia necessidade da rusga, já que Muricy e Mano sempre se deram bem.

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Arthur escreve: Na sua opinião, quem irrita mais os torcedores com a quantidade de chances de gol desperdiçadas: Kléber Pereira (Santos) ou Washington (São Paulo)?

Resposta: Impossível responder sua pergunta. Os dois artilheiros são vítimas da própria capacidade.

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Obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Eu adoro essa serra! Ela é parte de mim. Agora será parte de você.”

Buzzsaw, em “O Sobrevivente” (fantástico título em português de “The Running Man”, praticamente um clássico).

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Irretocável artigo do Dr. Drauzio Varella, na Folha de hoje (só para assinantes).



  • Antonio

    Caro Andre, ainda sobre o assunto comemoracoes e retiradas das camisa, hoje no jogo Man United 5 x 2 Totenham, C Ronaldo marcou o terceiro gol e na comemoracao tirou a camisa. Levou apenas amarelo. Ja vi jogador ser expulso por menos. Sera que o nome aliviou a expulsao?

    AK: Aliviou. Tirar a camisa e jogar pro alto é motivo para expulsão. Um abraço.

  • Marcel Souza

    “The Running Men” clássico!

    Ei André, hoje a tarde passou na TV (aberta!) o não menos clássico “Teen Wolf”, que aqui no Brasil traduziram por “O Garoto do Futuro”! Lembrei que você tinha comentado sobre esse filme há um tempo atrás.

    1 abraço!

  • Jovaneli

    André, o Dr. Drauzio Varella é fera mesmo. Há alguns anos, nesta mesma Folha de S. Paulo, publicou um outro artigo (ver abaixo) maravilhoso sobre o assunto. Nunca fumei, mas, ao lê-lo, tive a noção do que é esse terrível vício.

    Confissões de um viciado arrependido

    (Ihttp://drauziovarella.ig.com.br/artigos/confissoestabagismo.asp)

    Larguei de fumar há mais de 20 anos. Hoje a fumaça me incomoda. Odeio comer no meio da fumaça. Se o lugar está cheio de fumantes, os olhos me ardem e, quando v olto para casa, ponho a camisa para lavar e penduro a calça no banheiro para não impregnar o armário.
    Minha inimizade com a nicotina, droga covarde, acontece no plano social e no pessoal.
    Em trinta anos de cancerologia, perdi a conta de quantos vi morrer só porque fumavam. No ano passado, morreram 200 mil pessoas por causa do cigarro no Brasil. É uma epidemia. Matou mais gente do que a Aids somada a todas as outras doenças infecciosas e às mortes por acidentes e violência urbana!
    No plano puramente pessoal, a inimizade é até maior. Maltratei meu corpo com cancerígenos de ação lenta durante dezenove anos. Mais grave ainda, o cigarro matou meu pai, um irmão alto e bonito aos 45 anos e um sogro querido.
    Apesar de toda a motivação pessoal, se quiser ser honesto, devo confessar que ainda sonho com o cigarro. Sonho que estou fumando e sinto uma decepção horrível: “Que idiota, voltei a fumar!”. Então, acordo.
    Quando larguei, era muito pior. Chegava a sonhar com essa cena duas vezes na mesma noite. Depois, foi espaçando; agora, a última vez que aconteceu foi antes do Natal.
    Foi no dia em que, ao atravessar a porta de saída do hospital, fui invadido por uma sensação de felicidade repentina. Na hora, achei que era a luminosidade da manhã e a brisa fresca, mas logo percebi o engano: era o cheiro do cigarro das pessoas que vinham fumar do lado de fora. É muita humilhação para um viciado arrependido! Depois de vinte anos, o idiota ainda baba quando é pego desarmado diante da droga. Na mesma noite, voltou o sonho. Fazia seis meses que ele não vinha.
    Parece que meu caso não é único. Muitos ex-fumantes relatam sonho idêntico. A aparição é tão constante que deve representar um dos sintomas crônicos da abstinência.
    A nicotina age no cérebro e altera o metabolismo dos neurônios. É a droga mais difícil de largar. Proíbo um adolescente com tuberculose de jogar fumaça nos pulmões. Ele entende, abandona a maconha, o crack, mas o cigarro não: “Pô, é mais difícil do que o crack, doutor”.
    Não ouvi isso duas ou três vezes. De tanto ter ouvido e nunca escutado o contrário, acabei convencido do valor estatístico da observação. A nicotina provoca uma doença crônica, recidivante.
    Por isso ninguém tem o direito de julgar moralmente um fumante. Defendermo-nos da fumaça deles é uma coisa, dever de todos, mas considerá-los pessoas pusilânimes só porque fumam é demonstração de ignorância da ação farmacológica da nicotina.
    Todo mundo que fuma – até os que dizem “Fumo mesmo, e daí?” -, qualquer um, sem exceção, largaria imediatamente se isso não lhe trouxesse sofrimento. Que ser humano encontra prazer na escravidão? Quem gosta de andar com hálito de cinzeiro, com a pele sem vitalidade, com o fôlego curto e de correr o risco de ficar impotente ou de ter um ataque cardíaco no almoço de domingo?
    Não vamos nos iludir, o fumante só não larga o cigarro por uma razão: não consegue. Não encontra forças para vencer a dependência. A síndrome de abstinência da droga desnorteia o coitado. Quando ela vem, a vida veste seu manto cinzento, e o corpo entra numa agitação crescente, inexorável. Só quem já passou por isso sabe o que é.
    Então basta a primeira tragada, e a felicidade torna-se possível outra vez. Mas por pouco tempo. Menos de uma hora depois, a abstinência cruza os braços à soleira da porta: “Vai fumar já ou quer que espere?”. O dia inteiro nesse tormento, a vontade do usuário curva-se à abstinência como o marido diante da mulher enfezada: “Melhor fazer logo antes que ela fique nervosa”.
    A nicotina é vil, persistente, derrota pelo cansaço. Em poucos dias, faz o principiante virar cachorro manso. Daí em diante, é um maço por dia. Todo santo dia, sessenta milhões de mulheres e homens no Brasil inteiro, pelo resto de suas vidas, molham a mão do fornecedor.
    Para comemorar o Dia Internacional de Combate ao Fumo, o Ministério da Saúde vai obrigar os fabricantes a estampar nos maços figuras que lembrem ao fumante as conseqüências do fumo, medida adotada com sucesso em outros países. Apesar de necessária, no entanto, a consciência dos malefícios de uma droga não é condição suficiente para acabar com a dependência dela.
    Para tanto, você, fumante, precisa de determinação. Se não confia na força de vontade para parar de uma vez, pelo menos tente diminuir a dose. É lógico que dá! Não venha com aquela conversa de que agora não é possível porque anda meio nervoso. Ninguém perde o juízo se não fumar 20 ou 30 cigarros por dia. Dez não está bom para começar? Dez fazem menos mal e é mais do que suficiente para aplacar as crises mais torturantes.
    Diminuir o cigarro sempre é possível. Mesmo que numa noite desvairada você enfie o pé na jaca e fume dois maços, a ressaca do dia seguinte vai ajudá-lo a segurar outra vez.
    Depois de ter feito isso, experimente parar um dia inteiro, só para ver como é. Calma, é um dia só, no outro você volta aos dez. Ou, talvez, um pouco menos, quem sabe. Custa experimentar? Afinal, um mínimo de brio ainda lhe resta. Vai morrer sem tentar?

  • Raphael Couto

    Obrigado pela resposta!
    Me expressei mal quando falei que “pagavam os salários”, quis dizer exatamente o que você colocou (acaba que no fim, os clubes usam a grana que recebem dos patrocinadores para pagar os salários dos atletas, mas não só pra isso). Realmente a turma que assina o cheque entra em desespero na hora que o jogador levanta a camisa (já ouvi falar que os patrocinadores estudam colocar multas contratuais caso isso ocorra, o que deverá acabar sendo repassado aos atletas, até algo justo, pelos valores envolvidos no negócio todo), ou que a emissora de tv embassa descaradamente a marca. Mas creio que o Luxemburgo deveria ter tratado isso internamente, algo entre ele, os jogadores e os patrocinadores da equipe. Talvez a atitude dele até aumente a imagem de mercenário que ele tem junto às torcidas. E vejo um exagero não só quando os jogadores levantam as camisas, mas quando fazem qualquer tipo de comemoração um pouco mais criativa. E, de certa forma, tirar essa criatividade tem ajudado a deixar o futebol um pouco mais sem graça.

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