COLUNA DOMINICAL



(publicada no Lance! de ontem)

LEÃO PRECOCE

Se é verdade que cada jogo é uma história, cada campeonato é um livro. E como vivemos comparando histórias, quando falamos sobre jogos de um determinado time, não há nenhum motivo para não fazermos o mesmo com livros. Desde que, é claro, falemos do mesmo personagem.

Hoje, os livros são a Copa do Brasil de 2008 e a Copa Libertadores de 2009. E o personagem é o Sport. Por quê? Bem, porque, obviamente, o Sport jogou (e ganhou) uma e está jogando (e pretende ganhar) a outra. Porque, nos planos do tricampeão pernambucano, a BombonIlha do Retiro tem o mesmo papel decisivo na competição sulamericana. E porque lá haverá um jogo, na próxima quarta-feira, que quem gosta de futebol tem de ver.

Frases como “a força do Sport na Ilha” são tão freqüentes quanto as vitórias do Sport em seu estádio. Não se sabe mais o que se alimenta do quê. É forte porque vence a grande maioria dos jogos em casa, ou o contrário? A dúvida, que martela a cabeça de quem tem de ir lá e encarar, serve ao Leão de todas as formas. Um time de futebol exerce seu mando de campo quando faz os visitantes se sentirem desconfortáveis. Tudo que seja diferente do que o adversário considera comum, ajuda. Tamanho do campo, proximidade da torcida, barulho, temperatura, a lista é grande. Desde que as leis sejam respeitadas fora do gramado, que as regras sejam aplicadas dentro, e que o oponente (seus torcedores incluídos) seja recebido com decência, cada clube pode pressionar os outros como achar que deve. E nada é mais eficiente do que um estádio que tem vida própria, que começa a incomodar os visitantes bem antes deles chegarem. A Ilha do Retiro é assim. Possui o que nessa semana se chamou de “mística”.

A combinação desse ambiente com um time que sabe o que quer, e o que faz, produz comportamentos estranhos. Equipes (perdoe a infâmia) se sentem perdidas naquela ilha. Algumas parecem se preocupar tanto com o que pode acontecer, que é exatamente o que acontece. E rápido.

Essa é a relação entre a Copa do Brasil do ano passado e a atual Libertadores. Na campanha do título, o Sport foi impetuoso e (no bom sentido) precoce. Aproveitou o período de “aclimatação” dos adversários para apresentá-los à tal mística. Em cinco dos seis jogos (seis vitórias) que fez em casa, o Sport marcou o primeiro gol antes dos 25 minutos. Em quatro jogos, antes dos 15 minutos. Em dois jogos, antes dos 10. Em um, antes dos 5 minutos. Entre os adversários, estavam Palmeiras, Internacional e Vasco. O único time que não levou gols cedo na BombonIlha foi o Corinthians, que sentiu o outro aspecto do drama: segurar os nervos logo depois de levar um gol. Como se sabe, não conseguiu. O espaço entre os dois gols do Sport naquela decisão foi de apenas três minutos.

Você pode argumentar que, até agora, o Sport só jogou uma vez como mandante na Libertadores 09. E eu argumentarei com o tempo que demorou para o goleiro da LDU buscar a bola na rede: 13 minutos.

Decifrar o começo do jogo na Ilha é a missão do Palmeiras.



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