MENSAGEM DO PRESIDENTE



Recebi, na terça-feira, um e-mail do presidente suspenso da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, acerca de minha coluna de sábado passado, no Lance!.

Del Nero não solicitou que sua mensagem fosse publicada. Mas o farei abaixo, em nome dos princípios jornalísticos:

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Ilmo. Senhor André Kfouri

Ao ler sua matéria denominada de “Silêncio no Tribunal” em matéria publicada pelo jornal “Lance”, veiculado na data de 28/03/2009, fiquei perplexo com as informações desencontradas consignadas no texto. Quiçá o texto tenha sido fruto apenas da ausência de informações mais completas – é o que quero presumir.

O texto mencionou que um “respeitado jurista brasileiro”, que “não será identificado por motivos evidentes”, afirmou, insidiosamente, que o presidente da Federação Paulista de Futebol “agiu de forma desonesta”. Antes de outras considerações, digo que DESONESTO é o tal jurista. E explico por quê. E também justifico os motivos pelos quais discordo do adjetivo “respeitado”, atribuído ao jurista.

Contesto a ilação mentirosa de que agi de maneira desonesta. O procedimento disciplinar instaurado em meu desfavor, e que tramitou perante a Colenda 3ª Comissão Disciplinar do STJD, nunca objetivou averiguar qualquer conduta desonesta de minha parte. O aludido feito teve a sua gênese com o intuito de avaliar a suposta subsunção de meus atos à conduta descrita no artigo 221 do CBJD – que prevê sanção disciplinar àquele que oferece queixa com base em “erro grosseiro”. Não é preciso esforço para concluir que isso é muito diferente de julgar se alguém é ou não desonesto.

Um jurista respeitado não faz afirmações precipitadas e nem se esconde falando em “off” com profissionais da imprensa, a menos que tenha compromisso ou interesse direto ou indireto com o deslinde do processo, que, no caso em comento, ainda se encontra em andamento.

O jurista honesto observa as normas atinentes ao exercício da advocacia. Ele respeita o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética e Disciplina da OAB, e bem por isso é probo e cônscio para não tecer considerações públicas acerca de um processo em que não atua. O jurista, se advogado, “deve abster-se de insinuar-se para reportagens e declarações públicas” (artigo 34, inciso IV do Código de Ética da OAB), sob pena de ser processado administrativamente no Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados.

Covarde e desprezível – são esses os adjetivos que proclamo contra o suposto jurista. Por favor, diga ao indigitado jurista (seja lá quem for) que o considero uma escória por lhe faltar hombridade para assumir suas declarações, e por ter necessidade de opinar no anonimato, sob o manto da imprensa.

Agora, permita que os fatos sejam explanados nestas linhas sob a perspectiva de quem vivenciou os acontecimentos. Daí a frente, não mais me incomodarei com as suas conclusões, pois tenho franco respeito ao sistema democrático e à livre expressão do pensamento.

No dia 5 de dezembro de 2008 (sexta feira), recebi telefonema da minha secretária Lilian, por volta das 22h. Encontrava-se ela, na ocasião, aflita face às informações que eu, por email, havia encaminhado à CBF. Eis o teor da referida mensagem eletrônica, remetida ao Sr. Sérgio Corrêa, DD. Presidente da Comissão Nacional da Arbitragem da CBF:

“Caro Sérgio
Quero aqui ratificar oficialmente, o que lhe passei via celular ontem à noite, sobre a preocupação que nos atinge em relação ao ato relatado, ontem à noite, por minha secretária de nome Lílian, sobre suposto envelope que deveria chegar às mãos do Vice-Presidente Reinaldo Bastos para ser entregue ao árbitro Wagner Tardelli. Como lhe disse, comuniquei o fato ao Gaeco do Ministério Público de São Paulo na pessoa do Dr. José Reinaldo Carneiro, cujo telefone lhe passei. A sugestão do Ministério Público que também adoto é trocar o árbitro da partida para preservá-lo. É uma questão humanitária pois Wagner Tardelli pode não estar a par do envelope e se ocorresse um erro comum da arbitragem poderia acarretar sérias dúvidas. E a troca do árbitro iria transformar um fato delicado a nada, sem outras conseqüências, pois estaria sanada a nossa preocupação. O campeonato terminaria sem qualquer mácula ou dúvidas. Vou procurar entrar em contato com o Dr. Ricardo Teixeira para transmitir a nossa preocupação. Marco Polo Del Nero.”

O email acima transcrito espelha muito bem a circunstância que acarretou a instauração de procedimento que ora se encontra em trâmite no STJD. Afastar o árbitro Wagner Tardelli da referida partida foi a decisão mais correta, lembrando que tal moção foi idealizada, sabiamente, pela Promotoria de Justiça de São Paulo. Pergunto: deveria eu, a despeito do juízo emitido pelo Ministério Público, permanecer inerte diante de um acontecimento que poderia macular gravemente a imagem de um grande clube paulista e a do Vice-Presidente desta entidade? Obviamente, a resposta é não. Seguramente, se acaso tivesse eu permanecido silente ante todos os acontecimentos narrados, os “arapongas” de plantão que tomassem conhecimento dos diálogos entre Lilian/Marco Polo ou entre a secretária do S.Paulo/Lílian, se apressariam em divulgar o caso. E então, sem dúvida, eu estaria sendo processado por omissão. Estas são as palavras que subscrevo para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e colocados na reta perspectiva da verdade.

Cordialmente,

Marco Polo Del Nero

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Quero fazer apenas algumas observações:

Talvez seja necessário algum esforço para concluir que a fonte com quem conversei não afirmou que Del Nero é uma pessoa desonesta, tampouco foi o que escrevi. Tal relação seria o equivalente a entender que quem comete um “erro grosseiro” é uma pessoa grossa.

A Terceira Comissão Disciplinar do STJD condenou Del Nero, por unanimidade, à suspensão que é objeto de seu recurso ao Pleno. Mas estou certo de que os cinco auditores que votaram contra ele, assim como todos que o conhecem, o têm como uma pessoa muito bem educada.

O “off” é uma instituição do jornalismo, por motivos óbvios. O anonimato foi oferecido por mim à fonte, para que pudéssemos ter uma conversa mais objetiva.

E o único interesse dela no processo foi dirimir minhas dúvidas.



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