COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

NEYMARANTES DO NASCIMENTO

Segure o e-mail xingando o colunista.

Não haverá outro Pelé. Ninguém merece, pelo próprio bem, ser comparado a Ele. O título acima é apenas um jogo de palavras, e uma torcida para que o mais novo menino da Vila seja, mesmo, um maravilhoso jogador de futebol.

E só há um jeito de sabermos, certo? “Proteger” o garoto, afastando-o do mundo no qual ele pretende crescer e aparecer, é a opção errada.

História rápida: quando o pequeno grande Lionel Andrés Messi estreou, oficialmente, pelo Barcelona, em 16 de outubro de 2004, tinha 17 anos e 114 dias. O Pulga já era um mito na Catalunha, graças à (re)percussão das histórias sobre o seu primeiro teste no clube, aos 13 anos. O ex-assistente-técnico Carlos Rexach o viu jogar por apenas cinco minutos (há quem diga que nem chegou a isso) contra meninos mais velhos e deu a ele, num gesto simbólico, um pedaço de papel para assinar o contrato. O dinheiro que o Barça decidiu investir em Messi, para tratar sua deficiência de crescimento, também contribuiu para que as ramblas o chamassem de “MESSIas”.

Até entre os futuros companheiros, Messi criava expectativas aparentemente inatingíveis. Os titulares do Barcelona, que ouviam os comentários de dentro e as perguntas de fora, estavam ansiosos para ver como o argentino que parecia ser de outro planeta se comportaria no meio de “gente grande”. Após um treino de pré-temporada na Ásia, em 2004, Deco disse o seguinte a Ronaldinho Gaúcho: “esse aí vai ser melhor do que a gente”.

Quando Messi fez seu primeiro gol na Liga Espanhola, em 01 de maio de 2005, tinha 17 anos, 10 meses e 7 dias. Desde então, temos a sorte de ver o que ele é capaz de fazer, e não sabemos, felizmente, onde vai parar. Mesmo que o próprio Diego Maradona tenha lhe dado a sentença de sucedê-lo.

Os números de Neymar são ainda mais precoces. Estreia no Santos em 7 de março de 2009, com 17 anos e 23 dias. Primeiro gol como profissional com 17 anos e 38 dias. Como Messi, ele fez fama antes de chegar ao time principal. Jogadas assombrosas no futsal, a recomendação do mesmo técnico que lançou Robinho, o mesmo superagente, o flerte com o Real Madrid, o contrato, o salário.

O caminho não é fácil. E mesmo se tudo der absolutamente certo, haverá quem sempre dirá que o futebol de Neymar, com 17 ou 27 anos, é papo furado, invenção da imprensa, marketing. É a famosa turma “do contra”, que só é do contra em público. Em casa, torce a favor.

Neste mundo em que jogadores de futebol se confundem (em alguns casos, propositalmente) com celebridades, e o mesmo ocorre entre a mídia do esporte e a da fofoca, um “futuro craque” de 17 anos precisa de um pacote: bola, estrutura familiar e bons exemplos.

Se Neymar não tem esse pacote agora, não o terá em um, cinco ou dez anos. Portanto, seu lugar é no campo. Não há por que esperar.

O Barcelona não esperou com Messi. O Internacional não esperou com Pato. E o mundo já era esse.

Que Neymar seja tudo o que ele quiser.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo