COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PRUDÊNCIA

A pergunta em Presidente Prudente não é se Ronaldo estará em campo contra o Palmeiras. É quando.

Salvo algum problema de última hora (escrevo antes do treino do Corinthians), é certo que ele jogará.

Mas como titular? Sim, se a decisão fosse dele. As palavras, na última entrevista (coletiva), foram claras como um alarme de incêndio. Ronaldo disse que prefere iniciar o clássico. E quem não prefere? À parte as razões que ele expôs (é mais fácil entrar no ritmo do jogo, o corpo responde melhor), você já viu algum jogador dizer: “Olha, eu gostaria que o professor só me chamasse lá pelos 30 do segundo tempo, adoro ver o jogo do banco”?

E em se tratando de alguém com a história de Ronaldo, sinônimo de titularidade, o banco é confortável como a última fila da classe econômica.

Mas a decisão não é dele. E Mano Menezes tem mais motivos para tê-lo por perto.

Primeiro, o mais importante: Ronaldo não parece pronto para jogar uma partida inteira. Nos 27 minutos em Itumbiara, vimos um atacante em descompasso com o ritmo natural do jogo. Não é uma crítica. Como poderia ser diferente? Se há quem sinta as dificuldades quando volta de duas semanas de inatividade, calcule o que acontece em um ano. E ainda que seja necessário descontar os efeitos de uma reestreia tão esperada, na cabeça e no coração de um cara como Ronaldo, seu corpo ainda precisa de mais tempo.

Depois, o balanço entre prós e contras: se Ronaldo só estará em ação em um momento do jogo, é melhor que seja no final, quando ele poderá gastar tudo o que tiver, contra marcadores que já gastaram boa parte do que têm. Itumbiara mostrou isso, também. Especialmente num dos últimos lances, a pedalada entrando na área, paralisada por uma falta de ataque que não aconteceu. A jogada provou que Ronaldo já recuperou (ou jamais perdeu) a explosão no espaço curto. Colocar na frente e passar não parece ser o problema, e sim sustentar a posição. Um zagueiro com meio-tanque, e o fator novidade, só o ajudarão.

Terceiro, a natureza: não queira estar no gramado do Prudentão, quando o árbitro apitar o início do jogo. Não é divertido, nem para o mais bem preparado robô. Desembarquei em Presidente Prudente anteontem, às 16h20. O capitão estava falando sério quando informou a temperatura: 36 graus. Pense em algo quente. Quem ainda busca a melhor forma, sofre mais dentro dessas estufas a céu aberto. E é claro que o termômetro não cai pela metade uma hora depois, mas fica mais suportável. De qualquer maneira, não acho que Ronaldo estaria apto a 90 minutos nem num estádio coberto e climatizado.

Por fim, o time: o Corinthians precisa se acostumar com seu camisa 9. Ele é, claro, totalmente diferente de Souza. Não faz pivô, não costuma receber a bola de costas para o gol. Ronaldo gosta do passe pelo lado, de preferência já girando para encarar a defesa. Um atacante essencialmente definidor, que passa bem porque é uma inteligência futebolística superior.

Para o Corinthians, quanto mais Ronaldo, melhor.

Mas ainda não está na hora.



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