COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

GUITARRAS E GOLS

George Harrison não ligava para futebol. O esporte favorito dele era o automobilismo. O beatle não ia a estádios (a não ser para tocar, claro), preferia as pistas. Mas sua música freqüentou todos os ambientes. E como idolatria não se explica, apenas se sente, há muitos Georges, Harrisons, e derivados, andando pelos cantos do mundo, homenagens ambulantes feitas por pais que tiveram a vida tocada – literalmente – pelo quarteto inglês.

Um desses derivados vive no Brasil. Assombra grandes áreas, vestindo a camisa 9 do Palmeiras. Sim, Keirrison tem esse nome por causa do guitarrista e letrista dos Beatles, ídolo de seu pai.

É seguro afirmar que Harrison jamais ouviu falar do jovem artilheiro. Ele morreu em novembro de 2001, quando Keirrison tinha 12 anos. O K-9 também não é muito versado no músico que inspirou seu autógrafo. “Não é do meu tempo… eu sei da história, do sucesso que ele fez, mas nunca ouvi”, diz o autor de 12 gols em 9 jogos na temporada, média de 1,33 por partida.

Primeira parte do memorando para aqueles que um dia ouviram falar em bairrismo, e adoram repetir a palavra, embora não conheçam seu significado: sim, é muito provável que o hoje badaladíssimo Keirrison seja exatamente o mesmo jogador que fazia gols pelo Coritiba. Por que, então, o aumento do cartaz, pela “mídia do eixo”? Porque nada garantia que ele seria o mesmo, num ambiente repleto das intangibilidades do futebol. Mais pressão, mais cobrança, mais “responsabilidade”.

Segunda parte do memorando: Souza (pelo Goiás) e Josiel (Paraná Clube) também foram artilheiros do Campeonato Brasileiro, e ainda procuram a forma que os levou a clubes mais representativos. Fim do memorando.

Keirrison não só fez uma transição suave, como parece jogar no Palmeiras há anos. Diz que foi a recepção no novo clube que o deixou tão confortável quanto se sente perto do gol adversário. “Desde o primeiro dia, a diretoria, os companheiros e a torcida me trataram muito bem. Não tive problema de adaptação”, ele conta.

Percebe-se. Keirrison parece também ser o tipo de jogador (muito bom e muito jovem) que, quanto melhor atuar, mais cedo estará longe daqui. É quase certo que veremos seu amadurecimento pela televisão. Essa é a parte ruim, a certeza da saudade.

Mas há outra forma de olhar para ele. Nascido em dezembro de 1988, se fosse um mês mais novo, teria tido muito mais oportunidades nas seleções brasileiras de base. Imagine-o jogando essa bola toda nas subs da vida, e pense como seria menor a chance de ele estar por aqui. O K-9 não lamenta, prefere pensar que, um dia, a seleção principal pode lhe devolver em dobro. “A vida da gente é programada. Eu tenho certeza de que muita coisa boa está guardada para mim”, confia.

A torcida do Palmeiras ainda nem se acostumou com “Evair 2.0”, e os europeus já salivam pensando nele. E o que é intrigante é que o primeiro sinal de interesse veio, justamente, da terra dos “quatro rapazes de Liverpool”.

Se George Harrison não gostava muito de futebol, gostará.



  • hAROLDO

    Dia!!!

    Duas questões…Keirrison pq, se o nome do Beatle era Harrison? Erro de cartório ou o pai quiz fazer um jogo de palavras ou algo assim (“Kei” por “Ha”?) Essa questão de ter nascido em DEZEMBRO de 88 e por isso ter perdido oportunidades…Parafraseando o advogado de “Filadélfia” Denzel Washington, “…me explique como se eu fosse uma criança de 5 anos…” pq eu não entendi… (a frase acho que é mais ou menos essa…) Abraço!

    AK: O pai dele gosta de rock e da letra K. O K-9 tem um irmão chamado Kimarrison, homenagem a Jim Morrison (The Doors). Sobre a idade dele, é a mesma coisa que acontece na hora de colocar uma criança na escola. Há períodos que limitam as turmas. O Keirrison sempre foi um mês mais velho do que as subs podiam convocar. Um abraço.

  • Jovaneli

    Pois é, André, muito bom mesmo esse K-9. Melhor ainda a dupla K-9 e CX-10, responsável por 69,7% dos gols do Palmeiras.
    Dos 33 gols marcados pelo ataque do Palmeiras em 12 jogos nesta temporada, mais da metade (17) é de autoria da dupla Keirrison e Cleiton Xavier. Se impressiona a marca de K-9 (entrou em campo nove vezes e marcou 12 gols, média de 1,33 por partida), CX-10 não fica atrás. Digamos que a sua contribuição é diferente, mais discreta, mas não menos importante. Cleiton Xavier participou de um jogo a mais que o atacante
    alviverde (10 partidas) e foi apenas cinco vezes às redes. Em compensação, é, disparado, o maior garçom do time, sendo responsável direto por outros nove gols palmeirenses, frutos de suas assistências. Três delas foram para K-9, que retribuiu, deixando CX-10 duas
    vezes na cara do gol.
    Keirrison e Cleiton Xavier, marcando ou dando assistências, colaboraram com 23 dos 33 gols que o Palmeiras marcou até então em 2009, ou seja, a dupla participou de nada mais nada menos que 69,7% dos gols alviverdes na temporada. Veja:

    21/01 – Santo André 0x1 Palmeiras:
    CX-10: 1 gol
    K-9: não jogou

    24/01 – Palmeiras 3×0 Mogi-Mirim:
    CX-10: 1 gol
    K-9: 2 gols e 1 assistência (para o gol de CX-10)

    27/01 – Palmeiras 3×0 Marília:
    CX-10: 1 gol
    K-9: primeiro dos dois jogos que não marcou nem deu assistência para gol

    29/01 – Palmeiras 5×1 R. Potosi-BOL:
    CX-10: 2 assistências e 1 gol
    K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)

    01/02 – Ponte Preta 2 x 3 Palmeiras:
    Ambos não atuaram

    04/02 – Real Potosi-BOL 0 x 2 Palmeiras:
    CX-10: 1 gol
    K-9 = 1 gol e 1 assistência (para gol de CX-10)

    08/02 – Palmeiras 4 x 1 Santos:
    CX-10: 2 assistências
    K-9: 2 gols

    11/02 – Mirassol 2 x 3 Palmeiras:
    CX-10: única partida que não marcou nem deu assitência para gol
    K-9: 1 gol

    14/02 – Palmeiras 1 x 0 Paulista:
    Ambos não atuaram

    17/02 – LDU 3 x 2 Palmeiras:
    CX-10: 1 assistência
    K-9: segundo dos dois jogos que não marcou nem deu assistência para gol

    21/02 – Portuguesa 2 x 2 Palmeiras:
    CX-10: 1 assistência
    K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)

    25/02 – São Caetano 3 x 4 Palmeiras:
    CX-10: 3 assistências
    K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)

  • “Não é do meu tempo… eu sei da história, do sucesso que ele fez, mas nunca ouvi”.

    O Keirrison não sabe o que está perdendo…

  • Anna

    Essa coluna foi a melhor de todas que eu li. Sou suspeita pra falar do Evair.Eu virei Palmeiras por causa dele e sou até hoje. E tive o privilegio de ve-lo jogar no Vasco da Gama. O Keirisson lembra muito ele sim. Anna.

  • Leonardo

    André, tem hora que vc me deixa louco. Quando o trema ainda existia, vc não o usava e ainda praguejava contra ele; agora que ele não mais é necessário vc insiste em prestigiá-lo!

    AK: A Coluna é escrita no Word. É ele (pelo menos o meu) que ainda insiste. Um abraço.

  • Bruno

    André, já estamos na 11 rodada e Muricy ainda não conseguiu acertar a equipe São Paulina, e nesse ano ele não tem desculpas, pois, a diretoria manteve toda a base e ainda contratou bons reforços.

    Como eu venho te dizendo desde o inicio do ano passado, ele demora muito para acertar suas equipes, por isso fracassa em Libertadores.
    Ganhar Brasileirão é mole até Oswaldo de Oliveira e Joel Santana que vc diz ser fraco ja ganharam.

    AK: Nunca disse que Joel Santana era fraco.

  • Carlos Futino Barreto

    Adorei o “memorando para aqueles que um dia ouviram falar em bairrismo, e adoram repetir a palavra, embora não conheçam seu significado”. Tem gente nos blogs de esporte (principalmente nos da família Kfoury) que anda precisando desses memorandos…

  • AFC

    O Sousa não joga menos nem mais que jogava no Goiás. Tudo bem que foi artilheiro de camp. brasileiro, mas jogando o mesmo que ele joga hoje ou jogava no Flamengo. Talvez pelo esquema de jogo tenha sido artilheiro, mas não acho que tenha sentido ‘peso’ de camisa. Errava tantos gols quanto erra hoje. O Josiel eu não sei, mas acho que o K9 joga hoje a mesma bola que jogava no Coritiba também.

  • Andre Dadi

    Vamos saborear enquanto podemos, porque realmente faria um ataque dos mais fortes no Liverpool, com Fernando Torres. E é necessário, porque Kuyt é brincadeira de mau gosto. Seria esse o destino dele já no meio desse ano ou apenas uma sugestão poética? Abraços!

  • Daniel

    É o Keirrison que tem que aprender a gostar de Beatles e nao o Harrison gostar de futebol…

    AK: Verdade. Não faria mal a ele. E o Harrison, pelo menos de uma maneira “terrena”, não tem mais essa chance. Um abraço.

  • Nassir de Oliveira Curi

    André, ouvi uma entrevista do pai do Keirrison onde ele disse que o nome também foi para combinar com o do irmão mais velho, Kimarrison (não sei se é assim que se escreve). Este nome, uma homenagem ao vocalista do The Doors, Jim Morrinson. O cara gostava de música, mas de nomes… Um abraço.

  • fabio zardo

    o Keirrison nao foi para as selecoes de base porque jogava no Coxa e nao no eixo do mal. aqui ele fazia tudo o que faz na filial do Coxa ( K9, Jeci, Mauricio ) … tem problema nao, a gente faz craque em casa, e os procuradores do K9 já já dao uma banana pro palmeiras…

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