CAIXA-POSTAL



Aos assuntos desta semana:

Gustavo escreve: Se um jornalista descobre que um clube está tentando, sigilosamente, contratar um
jogador, ele deve divulgar a informação, mesmo sabendo que tal divulgação pode melar a transação? Estaria ele interferindo no desdobramento dos fatos e abortando a notícia concreta em troca de um pseudo furo?

Resposta: Para te dar uma resposta direta, sim, o jornalista deve publicar a informação. As consequências da divulgação da notícia não são problema dele. Mas nem sempre esse é o caso, especialmente fora do esporte. Vamos pensar em duas outras situações, fictícias:

1 – O Brasil vence a Copa do Mundo. Um jornalista brasileiro descobre que todos os jogadores da Seleção atuaram dopados na final. Ele está documentado e pode provar o fato. Ele deve publicar a notícia, mesmo sabendo que o título pode ser cassado? É óbvio que sim. Não é o papel dele zelar pelas conquistas da Seleção Brasileira.

2 – O Brasil está em guerra com um país vizinho. Um jornalista brasileiro descobre o horário e o local de uma invasão por terra. Ele deve publicar a notícia, mesmo sabendo que pode atrapalhar a operação? Não, porque estaria colocando em risco a vida de outras pessoas.

Na situação específica que você mencionou, alguém pode achar que o melhor caminho seria procurar o clube e aguardar para poder dar a notícia da negociação fechada. O problema é que notícia não se guarda. É altíssima a chance de outro jornalista furá-lo.

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Alejjandro escreve: Sei que este tipo de pergunta deveria ser encaminhada ao PVC ou ao Mauro Beting, mas vamos lá: você não vê uma tendência, referente a esquemas táticos, em utilizar apenas um atacante mais “enfiado”, e dois “meias-atacantes” (meiaatacantes? meiatacantes? meiasatacantes?), que atacam, armam, voltam para marcar, e fazem, às vezes, função de “ponta”? Eu, particularmente, adoro esse esquema, ainda mais quando for no 3-5-2, que, na prática, ficaria um 3-1-3-2-1, ficando um volante mais na marcação e liberando os alas para o apoio e para as tabelas com os “meias-pontas”. Olhando para trás, você não acha que o Pelé atuava assim (marcando menos e “pontando” menos)? Não me lembro dele “pensando o jogo”, como todo mundo diz que um “10” deve fazer.

Resposta: Realmente, caras como o PVC, o Mauro e o Calçade (blogs ao lado, na lista de links favoritos) são mais indicados para esse tipo de “questionário tático”. Mas farei o meu melhor. O sistema com apenas um atacante “formal” é muito comum na Europa, faz tempo. Eu acho ruim quando um time deixa o sujeito lá na frente, esperando chuveirinhos na área e bolas esticadas que nunca chegam, e isso acontece porque a) o técnico está muito mais preocupado em marcar, deixando a sorte se encarregar de um possível gol, e b) o time não possui jogadores capazes de municiar esse atacante. Mas quando há mais gente com essa capacidade, cria-se um dilema de marcação para o adversário, especialmente se forem dois meias inteligentes. O atacante mais enfiado tem de ser vigiado de perto, mas o perigo também vem da intermediária. Eu gosto. Sobre Pelé, infeliz e obviamente, não vi. Mas não creio que haja uma posição que descreva o que ele fazia.

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David escreve: (sobre Rogério Ceni) Qual foi a ultima vez que ele tomou um gol de falta? Qual foi o último jogo do São Paulo em que ele começou no banco de reservas?

Resposta: Com a inestimável colaboração do chefe da assessoria de imprensa do São Paulo, Juca Pacheco, e do jornalista Alexandre Lozetti, repórter do Lance!:

Último gol de falta sofrido – 19/10/2008, Palmeiras 2 x 2 São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro

Último jogo no banco – 24/11/1996, São Paulo 1 x 1 Paraná Clube, pelo Campeonato Brasileiro

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Renato escreve: Você acha possível que o Ronaldo faça a estreia dele pelo Corinthians no clássico (contra o Palmeiras, no dia 08/03) de Presidente Prudente?

Resposta: Não. É só olhar. E em virtude dos últimos acontecimentos, alguém precisa tomar uma decisão. Porque as coisas (tanto no marketing quanto no campo), claramente, não estão andando no rumo e na velocidade que se imaginava.

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Obrigado pelas mensagens, como sempre. A conversa continua no próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Lembre-se, essa é uma operação militar. Nada sai conforme o planejado.”

Ludwig beck, em “Operação Valquíria”.



  • Henrique

    Quanto aos gols de falta que Rogério tomou, desde agosto de 2005 ele tomou 3: um do Botafogo, num chute do Juninho que desviou na barreira, outro do Guaratinguetá, que também desviou na barreira e aquele do Leandro do Palmeiras, no 2 a 2, que era pra ser um cruzamento, desviou no Dagoberto e entrou.

    Tirando essas 3 bolas que bateram na barreira, tem 3 anos e meio que ele não leva um único gol de falta.

  • Luís Carlos

    O Rogério não tomou um gol de falta do Leandro, no empate com o Palmeiras, pelo returno do Brasileirão 2009? O gol de empate, pelo que eu me lembre, foi de falta não foi?

    Abraço André!

    AK: Você está absolutamente certo. Já corrigi. Obrigado e um abraço.

  • BASILIO77

    Não vamos ficar aqui discutindo barriguinha de marmanjo…mas ví a foto dele e não achei ele muito fora de forma não…acho que tem jogador em forma igual, ou pior.
    Abraço.

  • Fernando

    Sobre a mídia colocar em risco a vida das pessoas:
    Será que a mídia não coloca em risco a vida das pessoas quando publica, antes de clássicos, as besteiras que falam jogadores, dirigentes e torcedores, criando um clima de rivalidade exacerbada na mente doentia de gente que não pode frequentar estádios de futebol (mas que frequenta)? Isso foi o que aconteceu antes de Corinthians e São Paulo. Pra que publicar aquela carta bisonha da diretoria do Corinthians e desenrolar a história? Não dá pra esperar até depois do jogo? E por que sempre tem um legalzão que quer dar o furo?
    Se a imprensa dá voz a esse tipo de aberração, será que não há parcela nenhuma de responsabilidade em tudo que acontece? Ou será que o clima de guerra é gerado da mesma maneira, sem a publicidade de tais fatos? Eu acho que a imprensa gosta de criar esses climinhas pra ver o que vai acontecer, ter o que publicar. É melhor pro negócio quando as coisas saem do ordinário. No fim, o jornalista diz: Apenas cumpri com o meu dever! E foi horrível o que aconteceu nas arquibancadas!

    AK: Um tempo atrás, um jornal sul-americano publicou uma capa em que, às vésperas de um clássico entre dois clubes rivais, um jogador aparecia com um revólver na mão. ISSO é colocar a vida das pessoas em risco, estimular a violência, ser irresponsável. Publicar declarações infelizes de dirigentes pouco preocupados (não estou me referindo, especificamente, a ninguém) com o que ocorre nas arquibancadas é bem, bem diferente.

    Além disso, quando alguém diz “a mídia”, ou “a imprensa”, está se referindo a quem? A todos os veículos? Todos os comentaristas? Se um jornal não publica uma declaração dessas, você acha que os outros não vão publicar também? Se um canal de televisão enche de “glamour” a cobertura de um sequestro, está estimulando a violência ou informando o público? Quem compra droga está “mantendo um estilo de vida”, ou financiando uma atividade criminosa?

    O papel dos veículos de comunicação é informar as pessoas, da melhor maneira que puderem. Quando “criam climas” (como a foto produzida com o jogador armado), erram perigosamente. Quando apenas expõem a mediocridade, estão, sim, fazendo seu dever. Obrigado pelo comentário, e um abraço.

  • Gustavo

    André,
    Entendí seu raciocínio, mas acho que a posição do jornalista, no caso citado, fica muito confortável para o chute: se a contratação acontece, ele leva o mérito do furo; se o negócio não ocorre, não há como saber se a informação era verdadeira ou se era barrigada.

    AK: Bom… você me falou de uma situação em que um jornalista DESCOBRE a contratação. Parte-se do princípio de que é verdade. Um abraço.

  • Marcel Souza

    André, te cito: “Eu acho ruim quando um time deixa o sujeito lá na frente, esperando chuveirinhos na área e bolas esticadas que nunca chegam, e isso acontece porque a) o técnico está muito mais preocupado em marcar, deixando a sorte se encarregar de um possível gol, e b) o time não possui jogadores capazes de municiar esse atacante. Mas quando há mais gente com essa capacidade, cria-se um dilema de marcação para o adversário, especialmente se forem dois meias inteligentes.”

    Concordo com você, e pra mim o São Paulo joga assim já faz muito tempo, e nesse 1o semestre, com o Washington, mais ainda. Eu acrdito que o time jogue desse jeito pela alternativa A, o Muricy se preocupa muito em marcar e não se arrisca de jeito de nenhum… Num campeonato de pontos corridos isso acaba dando certo, mas em campeonatos curtos, ou mata-mata, o time precisa buscar o gol, não pode só se preocupar em marcar, tem que ter alternativas pra sair de uma retranca…

    Enfim, concorda comigo?

    1 abraço!

  • AndréKf e Marcel, boa tarde!

    Primeiramente, obrigado pelas respostas. “Segundamente”… foi exatamente pelo esquema do São Paulo que eu perguntei isso… acho que o Muricy se preocupa sim com a marcação, mas acho que esse esquema não tem funcionado no SPFC porque o Washington ESTÁ muito ruim… o Muricy sempre procura abrir o Dagoberto pela direita e o Hugo pela esquerda, mas é lógico que eles têm que voltar para marcar (pela preocupação que o técnico tem).

    Vi ontem o jogo do Milan, e o exemplo “A)” ficou muito claro: o Pato enfiado na frente, literalmente sozinho, com um meio campo cheio de volantes. Pirlo e Seedorf são volantes fora de série, mas, vamos falar a verdade, eles não são pontas e muito menos atacantes. Fiquei pensando num esquema legal para o Milan (que não poderia ser adotado ontem, por razões óbvias): num 4-1-2-2-1, teríamos, após a linha de 4, em ordem: Pirlo; Beckham e Seedorf (centrados); Kaká e Ronaldinho (abertos); Pato. Imaginem as triangulações que poderiam ser feitas entre Zambrotta-Beck-Kaká e Janco-Seedorf-Gaúcho… mas acho que isso é muito ofensivo para o Ancelotti…

    Grande abraço!

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