NIET!!!*



(* é NÃO, em russo)

Algumas considerações sobre a colossal burrice precipitada demissão de Felipão:

No final de novembro, escrevi aqui um post sobre a realidade financeira que Scolari vivia no Chelsea, após a crise que transformou (sempre para pior) contas bancárias e/ou patrimônios ao redor do mundo.

Roman Abramovich, o dono, talvez não possa mais ser qualificado como zilionário. Fala-se num portfólio que ficou US$ 20 bilhões menos atraente depois da quebradeira.

Fala-se, também, que o russo esteve no chamado “mundo árabe” (na mesma época em que os controladores do Manchester City abriram a porta – lateral – do cofre para Kaká) avaliando a possibilidade de vender o Chelsea.

É fato que, num tempo de sacrifícos – e até os bilionários deixam de fazer coisas em momentos como esse – um time de futebol do porte do Chelsea passa a ser um brinquedinho luxuoso demais. Especialmente, se tocado ao custo de cerca de 30 milhões de euros por ano, investidos em jogadores, como Abramovich fez nas últimas temporadas.

Felipão recebeu a tarefa de enxugar o elenco e diminuir a folha salarial. Cumpriu sua parte, em cerca de 15 milhões de euros.

E está esperando até agora (bem, não mais…) o clube fazer a dele, que era a injeção de reforços em janeiro.

É por isso que o Chelsea não ganhou nenhum clássico, e está em quarto lugar na Premier League? Obviamente, não.

Mas o fato de Felipão não ter recebido o time que estava combinado deveria produzir um pouco mais de tempo (para ele) e paciência (para Roman, se eu posso…). Além disso, uma campanha de 24 vitórias, 12 empates e 5 derrotas (68,3% de aproveitamento) não pode ser, em qualquer lugar, time e época, motivo para demissão.

Tem uma outra coisa que, para mim, ficou evidente. Mas preciso fazer o alerta de que aqui tem zero de informação, apenas uma sensação: ambiente ruim.

Todo mundo sabe que, entre os jogadores, as vozes mais altas no vestiário do Chelsea são as de John Terry e Frank Lampard. Não tive tempo de fazer a pesquisa, mas tenho a impressão de que os dois foram expulsos – em alguns casos, injustamente -, sob Scolari, mais vezes do que o normal.

Não que tenham agido propositalmente, mas não é um bom sinal. Na construção de relacionamentos, um dos pilares do trabalho de Felipão, creio que a barreira do idioma (apesar dos esforços do técnico) tenha sido um problema considerável.

Mas para mim não resta dúvida de que Abramovich sacou o brasileiro muito cedo. Felipão foi contestado no início de seus trabalhos no Grêmio, no Palmeiras, na Seleção de Portugal. Prevaleceu e venceu.

No Chelsea, não teve a verba, e nem o tempo, que merecia.

A notícia de sua demissão surpreendeu muita gente, pois se imaginava que o camarada Abramovich esperaria o duelo contra a Juventus, pela UCL, para se mexer.

É claro que devemos olhar as coisas pelo ponto de vista do clube, também. Se o Chelsea cair na Champions, o que restará da temporada? Aí é que, talvez, a voz do grupo de jogadores tenha se feito ouvir. Mas isso é suposição da minha parte.

De qualquer forma, acho que Felipão deu azar. E o Chelsea errou.



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