PETROKAKÁ



Não é todo dia que alguém oferece R$ 344 milhões por um jogador de futebol (por isso estamos aqui de novo, em plenas férias).

Na verdade, é a primeira vez na história que isso acontece. O que prova que os petrodólares das famílias reais sauditas realmente brotam do chão.

Isto porque o petróleo segue em queda livre (o preço do barril caiu de US$ 100,00 para 44,00 em cerca de um ano). Imagine de quanto seria a proposta dos controladores do Manchester City por Kaká, se o negócio da família estivesse bombando…

O tom da cobertura da oferta dos árabes ao Milan, na imprensa brasileira, é de cautela em relação ao sucesso da investida. Compreende-se. Quando um jogador como Kaká diz “… quero envelhecer no Milan, meu objetivo é ser capitão desse time”, e esse jogador é um dos mais bem pagos do mundo (8 mi de euros/ano), conclui-se que uma aventura aos 26 anos não é muito provável.

Mas, na Inglaterra, o que se comenta é que a transação está “muito perto” de ser fechada.

É o que informa essa nota do site da BBC, com declarações do assistente-técnico do City, o ex-jogador galês Mark Bowen.

Kaká disse, muito mais de uma vez, que passaria a vida no Milan se o clube assim quisesse. Mas uma outra frase sempre acompanhou a anterior: “se o Milan desejar me vender, é outra conversa”.

É uma porta aberta para o desconhecido, ou para o impossível.

Diante de propostas recentes, o Milan também avisou os interessados que o brasileiro não está a venda.

Isso vale até o dia em que alguém cometer uma insanidade. Ao que tudo indica, esse dia foi ontem. A informação de que Bosco Leite, pai e procurador de Kaká, foi autorizado pelo Milan a negociar com os ingleses árabes (e com Kia Joorabchian, que “aconselha” os xeques nas contratações) é suficiente.

Kaká pode mesmo estar seguindo o caminho de Robinho, por mais estranho que pareça, e apesar da declaração de Diogo Kotscho, seu assessor de imprensa, nessa nota do jornal italiano Corriere dello Sport:

“Kaká quer uma equipe forte. Não faria como Robinho, que, para ganhar mais, se contentou como uma solução pouco vencedora”.

(Parênteses, aqui: conheço Diogo desde que ele trabalhava para um dos patrocinadores da Seleção Brasileira, e acompanhava o time ao redor do mundo. Ele é um profissional cuidadoso demais para dizer algo que poderia criar problemas para Kaká. Ou, no mínimo, fazer as pessoas indagarem “Fechou mesmo? Mas o assessor de imprensa dele não disse que…?” Acredito que o contexto da declaração tenha sido outro, ou que um “off” tenha virado “on”.)

Mas é preciso perceber as diferenças entre os dois movimentos, se é que o segundo realmente acontecerá. Kaká foi campeão de tudo (país, continente, mundo) pelo Milan. Faturou um troféu individual da Fifa, em 2007, vestindo a camisa do clube. Se for embora, não deixará negócios incompletos na Itália.

Será a figura da transação mais cara da história do futebol, e o jogador mais bem pago do planeta.

Mas será campeão europeu, mundial, de novo?

Essa parece ser a única questão que separa a caneta do papel.



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