COLUNA DOMINICAL



Ronaldo fez o barulho que seu nome justifica, mas o campeão da “pós-pré-temporada” é o São Paulo. Desculpe, imagino o quanto essa afirmação enerva o leitor não-tricolor, mas até as mascotes rivais haverão de concordar.

O ônibus anti-são-paulino está sempre cheio, e nada indica um movimento contrário no futuro próximo. Mas os cegos que acusam a mídia esportiva de ser parceira do Morumbi canalizam sua ignorância para o alvo errado. Deveriam (só se quiserem, claro) tentar curar a própria incapacidade de enxergar.

Se a temporada 2009 começasse hoje, e o São Paulo levasse a campo exatamente o mesmo time que ganhou o BR-08, você o consideraria um dos favoritos? Se sua resposta foi negativa, interrompa a leitura agora, e recomece o tratamento. Porque é evidente que sim.

Se chegou até aqui, insira os novos contratados no tricampeão brasileiro e responda de novo. Vê? Eu sei, por enquanto é apenas teoria, muitos bons jogadores juntos não necessariamente formam um time vencedor. Mas se não acreditarmos que a união de talentos é o caminho, talvez seja hora de assinar o paga-para-ver do campeonato vietcongue.

Washington jogaria no seu time? Junior Cesar jogaria? E Arouca? Para não falar em Wagner Diniz e Eduardo Costa, que podem não ser jogadores “pronta-entrega”, mas têm boa projeção num time que simplesmente não precisa que eles causem impacto imediato. Ou na possível troca de Richarlyson por um meia, que pode não chegar a ver a luz do dia, mas é um boato assustador para quem acha que o telefones tricolores estão em férias.

Os acertos com o trio ex-Fluminense repetem o lucrativo modelo de investimento feito em 2004, quando Fabão, Danilo e Grafite (no ano seguinte, Josué) chegaram do Goiás e, bem, você sabe o que aconteceu. Parece lógico que contratar jogadores que se conhecem dentro de campo facilita a adaptação deles ao novo clube, mas é curioso que outros não adotem a fórmula.

O São Paulo também é um comprador que não lida com multas rescisórias. Desde 2004, só dois contratados chegaram via pagamento a outro clube. Dagoberto (por decisão judicial) e Jorge Wagner (1,2 milhão de euros ao Betis, barganha histórica). Fora eles, o clube gasta com salários de jogadores emprestados ou de reforços cujos contratos terminaram. Não é correto falar em “custo zero”, pois quase sempre há valores adiantados, mas também parece claro que é melhor pagar apenas uma vez por um atleta.

Para isso, basta ter conhecimento sobre o vencimento dos compromissos alheios, e acompanhá-los com marcação individual. Não é necessário contratar a consultoria de técnicos da Nasa, ou pedir um bico a Jason Bourne, já que essas informações são públicas. Na verdade, só é preciso saber ler.

Não me acuse do que não escrevi. Não estou dizendo que os ternos são-paulinos não erram (isso significaria um sério problema de memória em relação a precisamente um ano atrás), ou que sejam os únicos letrados num mundo de analfabetos funcionais.

Só estou dizendo que ninguém contratou melhor do que eles.

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Grêmio (Alex Mineiro, principalmente) e Cruzeiro (Wellington Paulista, idem) também estão mais fortes, hoje, do que no dia em que o Campeonato Brasileiro terminou. Proporcionalmente, o mesmo se pode dizer sobre o Santos (Lucio Flavio e Madson) . Fluminense e Palmeiras são estranhos casos de marcha-a-ré engatada. Mas ainda há tempo e opções.

Num campeonato curto como o Paulist(inh)a, quem começa a trabalhar antes abre clara vantagem, especialmente no aspecto físico. Essa é a aposta do Corinthians (com ou sem Ronaldo em ação) para um bom início de temporada. O Plano A é um título no primeiro semestre, e um BR-09 com Libertadores. A Copa do Brasil é um investimento óbvio.

Como essa é a última coluna (mas não o último post) do ano, nada melhor do que lembrar do que 2008 nos ofereceu no esporte.

Phelps, Bolt, Cielo, Maurren, enchendo de emoção o Cubo de Água e o Ninho de Pássaro em Pequim.

A final do revezamento 4 x 100m livre e dos 50m livre são duas provas cujas lembranças ainda me arrepiam. E tenho certeza de que sempre será assim.

O mesmo posso dizer sobre o vôo de Maurren Maggi e a sexta marcha de Usain Bolt.

Foram momentos que vi com meus próprios olhos (acompanhados de algo mais, no caso da cerimônia do pódio de Cielo), o que, obviamente, não tem preço.

Como também não tem preço ver, pela TV, a medalha de ouro do vôlei feminino, comandado por José Roberto Guimarães, Fofão e Mari.

Nadal x Federer, num interminável e inesquecível domingo em Wimbledon.

Chelsea x Manchester United, que só pararam nos pênaltis na chuvosa madrugada moscovita.

A caminhada do Fluminense na Libertadores, derrubando um campeão atrás do outro, até os malditos pênaltis contra a LDU.

Um Campeonato Brasileiro emocionante, imprevisível, disputado até a última rodada, e vencido por um São Paulo não apenas campeão, mas tri e hexa.

E o Corinthians recuperando sua auto-estima.

A melhor coisa a respeito do esporte é que, por mais incríveis que sejam os momentos, eles sempre podem ser superados.

Que isso aconteça em 2009.

Feliz Ano-Novo.



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