CIELO GANHA MAIS UMA



Declarações de César Cielo, medalha de ouro nos 50m livre e bronze nos 100m livre em Pequim 2008, ao jornal Zero Hora:

______

Pergunta — Depois da Olimpíada, você entrou em rota de colisão com a CBDA. Pode explicar sua briga com o presidente Coaracy Nunes?

César Cielo – Não é briga. Eu quero transparência. Ninguém sabe quanto a CBDA recebe dos Correios. É um absurdo. Eu ganhava R$ 1,2 mil antes da Olimpíada. Agora recebo R$ 6 mil. Não sei se é muito, se é pouco. Mas eu queria saber como chegaram a esse cálculo. E quanto a CBDA recebe dos Correios? Nenhum atleta sabe. Todos se calam. Sei que estou sozinho. Falta coragem aos outros atletas. Posso questionar porque ganhei uma medalha olímpica. Sei que posso estar incomodando, mas defendo a transparência. Existem alguns que tentam me desmentir por puro medo de perder o pouco de apoio que recebem. A situação da natação brasileira é triste: cada um por si e Deus por todos. Apoio oficial não existe. Não existe.

Pergunta — Você não tem medo de se queimar reclamando publicamente?

Cielo – Não, porque sou uma pessoa de princípios. Posso ser novo, mas sei o que é certo e errado. Não concordo com a maneira com a qual a CBDA trata seus atletas. Eu mesmo não vou em 2009 nadar as competições que a CBDA determinar. Vou fazer o calendário que for conveniente para mim. Fico triste pelos outros nadadores que fazem provas que não acrescentam nada, por ter de seguir sempre em bando. A CBDA não age de maneira moderna e não pensa individualmente nos atletas. É um absurdo e eu não vou ficar quieto.

Pergunta — Sua postura firme é porque seu sucesso nas piscinas aconteceu graças a sua família?

Cielo – Lógico. Não sei se posso ser considerado aborto da natureza ou fracasso do Brasil, como alguém já me disse. Fracasso porque consegui o que consegui graças ao suor dos meus pais. E não de uma estrutura esportiva montada no Brasil. Isso não existe. O meu sucesso é da minha família e não de uma política esportiva brasileira.

Pergunta — E como você viu a cobertura da natação em Pequim?

Cielo – Ah, tinha um monte de gente que não tinha a menor noção do acontecia. Um cara na China veio me entrevistar e me chamou de Thiago Pereira o tempo todo. Respondi só para tirar onda dele. Outro elogiou para a minha mãe a virada que dei nos 50 metros quando ganhei a medalha. Nos 50 metros não tem virada! É muita estupidez e despreparo. A maioria dos jornalistas na China caiu de pára-quedas. Fingimos que não percebemos. A moçada entende só de futebol.

Pergunta — Você não foi reconhecido nem por repórter brasileiro? E as medalhas que tinha conseguido no Pan não valeram?

Cielo – Vou falar a verdade: fora do Brasil, o Pan não é nada. A minha faculdade não coloca no meu currículo as medalhas do Pan. Acham que até iria desvalorizar. Os EUA vieram para o Brasil com o time C. A verdade é essa. Houve muita festa à toa.

______

Que maravilha. Parabéns ao Cielo, por agir como um verdadeiro ídolo esportivo: posicionando-se.

Quanto maior o número de atletas conscientes de seu papel, menor o número de cartolas predadores.

A entrevista completa, feita pelo jornalista Cosme Rímoli, está aqui.



MaisRecentes

Porte



Continue Lendo

Segunda vez



Continue Lendo

Paralelos



Continue Lendo