SOBRE PASSAPORTES E SELEÇÕES



Para continuar a boa conversa iniciada no post anterior.

Como bem comentou o blogonauta Edouard Dardenne, não é atribuição da Fifa (nem se ela quisesse) determinar a nacionalidade de jogadores de futebol, uma vez que isso depende das leis de cada país.

Claro que alguns são mais exigentes e cuidadosos do que outros, no processo de dar a um atleta, ou qualquer outra pessoa, os direitos de cidadania. Mas as entidades esportivas são o segundo degrau nesse processo. Podem, no máximo, vetar um esportista que já tenha atuado por uma seleção, mesmo que ele tenha dupla-nacionalidade.

Sempre haverá casos questionáveis, como o que se dá em relação ao World Baseball Classic, Copa do Mundo de beisebol que terá sua segunda edição (só para constar: o Japão ganhou a primeira, em 2006) em março do ano que vem.

Pelo regulamento da competição, jogadores binacionais podem escolher sua seleção, mesmo que tenham atuado por outro país na primeira edição. Basta que avisem os organizadores no prazo determinado. Alex Rodriguez, tido como o melhor jogador do mundo, defendeu os Estados Unidos em 2006 e já anunciou que fará parte da (fortíssima) seleção da República Dominicana em 2009.

Os pais dele são dominicanos, e ele justificou sua escolha dizendo que “é um sonho de minha mãe que quero realizar”. Pouco importa que o torneio tenha sido criado há três anos, nunca é tarde para sonhar…

De volta ao futebol: mesmo que a “indústria dos passaportes” seja uma ameaça ao caráter de disputa entre países da Copa do Mundo, a Fifa está numa situação complicada em termos do que fazer.

Mas não de mãos atadas.

Veja o exemplo do Athletic Bilbao, clube espanhol que (além de não aceitar patrocínios em seu uniforme) só permite que “jogadores bascos” vistam sua camisa.

O País Basco é uma região que agrupa o norte da Espanha e o sudoeste da França. Fora os bascos de nascimento, apenas jogadores formados nas categorias de base de clubes da região podem jogar no Athletic, o que, apesar da rigidez das regras, abre espaço para discussão.

Dá a entender que se um garoto nascer em Madri, sua família se mudar para o país basco, e ele se formar como jogador de futebol num clube basco, está dentro. Não se trata de uma forma de “naturalização futebolística”?

O curioso é que outros espanhóis não são aceitos, mas um francês (Bixente Lizarazu, 96/97), um mexicano (Javier Iturriaga, 2004-2007) e até um brasileiro (José Fernandez Biurrun, 1986-90) já atuaram pelo clube.

No caso de Lizarazu, por ter nascido em Saint-Jean-de-Luz, cidade basca. Iturriaga, que nasceu na Cidade do México, e Biurrun, natural de São Paulo, são produtos do futebol basco.

Se quiser, a Fifa pode seguir o exemplo do Athletic Bilbao, o que eu duvido.

Mas, futebolisticamente falando, a formação de um jogador por um determinado país vale mais do que um passaporte.



MaisRecentes

Arturito



Continue Lendo

Terceirão



Continue Lendo

“Algumas tapas”



Continue Lendo