COLUNA DOMINICAL



Pense numa mulher.

Famosa, belíssima, desejada no mundo inteiro.

O auge de uma carreira profissional, tão bem-sucedida quanto sofrida, já passou. Ainda há talento e tempo para brilhar, mas os tombos da vida lhe tomaram o rumo. Todos se perguntam o que ela realmente quer, resposta que talvez nem ela tenha.

Da depressão a um comportamento auto-destrutivo, um pulo. E mesmo que seja necessário estar no lugar dela para julgá-la, a celebridade só piora as coisas. Cada noite é uma festa para a mídia de fofoca. Cada foto roubada da intimidade, uma prova do fim.

Um amigo de infância, época ingênua em que namorados apenas andam de mãos dadas, faz de tudo para acolhê-la. Leva-a para a casa dele, oferece o que ela precisa para se reencontrar, aposta que os velhos tempos são o estímulo que falta para que ela retome seu caminho.

A hospitalidade, além da óbvia gentileza, tem um objetivo dormente. Aquele amor adolescente que, com o tempo e a distância, só aumentou. Mas foi travado pela utopia. Agora, proximidade e fragilidade conspiram para a revelação dos verdadeiros sentimentos. Como será que ela vai reagir?

A cada dia, a possibilidade do “sim” o empolga mais. Ela recupera o brilho no olhar, o sorriso que andava sumido. Fala até num “casamento” que parecia impossível, mas sabe como são essas coisas, talvez seja destino. Declara publicamente que ele sempre foi uma paixão.

Só que aquela conversa definitiva, olho no olho, hora da verdade, não acontece. O cara fica sem jeito, receoso. Não quer pressioná-la num momento delicado. Tem medo de que um movimento precipitado a assuste, e a afaste. Quando saem juntos, há sempre mais alguém. Quando estão a sós, parecem parentes. Em vez de abrir o jogo e dizer tudo de uma vez, ele aguarda. E se descuida.

As notícias sobre a nova fase da moça despertam o interesse de quem confia no próprio taco e não tem medo de abordar uma mulher como ela, do nada. A amizade que todos conhecem não é um impedimento para outros pretendentes. Mesmo porque amizade não é namoro. Um deles, respeitoso, até avisa que fará um convite a ela. E faz.

Educada, ela não vê mal nenhum em se distrair um pouco. O rapaz capricha na produção. Descobre do que ela gosta, e não gosta, para não cometer erros numa chance única. Pensa em tudo, no restaurante, na mesa, no vinho. A conversa, levada no ponto certo entre o bom humor e o galanteio, não deixa dúvida sobre suas intenções. De início ela fica distante, faz um tipo inatingível, tenta desencorajá-lo.

Mas aos poucos, a idéia de um novo relacionamento fica mais e mais interessante. O amigo, inerte, a empurra para os braços do outro, sem perceber. Um café da manhã num hotel carioca começa despretensioso, até que ela percebe que aquele cara, que ela pouco conhece, tem um plano para o futuro deles. E não está brincando. Ela aceita.

O amigo se sente traído. Palavra forte. Tem o direito de se chatear, mas mais consigo mesmo.

O namoro tem futuro? Depende dela. Mas se o primeiro dia juntos foi um sinal, é coisa de louco.

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O melhor técnico do Brasil nos últimos quatro anos (premiado pela CBF), tricampeão nacional pelo São Paulo, declarou que a Libertadores é mais importante para ele do que para o clube. A barriga de Muricy continua roncando.

No começo do ano, escrevi uma coluna no jornal cujo título era “Adriano não é alcoólatra”. Texto baseado em informações colhidas com pessoas próximas ao atacante da Inter de Milão, que me garantiram que o caso dele não era de dependência química.

Infelizmente, as notícias que chegam da Itália desafiam essa noção.

Se o Vasco seguir o modelo dos últimos clubes grandes que experimentaram a Série B, montará um time em que não faltará empenho, o que já será um upgrade. Claro que, agora, é difícil aceitar que um ano na segunda divisão pode ser benéfico. Mas pode.

E pode ser até divertido. Boa sorte aos vascaínos.

Não entendo uma vírgula de boxe (parei de acompanhar quando Mike Tyson perdeu pela primeira vez), mas preciso perguntar ao meu camarada Eduardo Ohata se Evander Holyfield perdeu o juízo de vez.

Aos 46 anos, o cara vai enfrentar o russo Nikolai Valuev, onze anos mais novo, que pesa 150 quilos e mede 2,13 metros.

Ninguém, nessa idade, deveria correr esse tipo de risco.

Se eu fosse Thiago Silva, faria exatamente o que ele fez.

Quando o seu celular toca e é o Milan, você atende, diz “claro que sim” e comemora o fato de ficar seis meses sem jogar.

Para um jogador como ele, o céu é o limite.

Sem demérito dos que são considerados esteticamente privilegiados, quando Léo Messi ganhar todos os prêmios individuais que existem (e isso é tão certo quanto algo pode ser, no futebol), ninguém poderá dizer que “é porque ele é bonitinho”.

O Pulga arrebentou no clássico (2 x 0 – Eto’o e Messi) de ontem.

Bom domingo.



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