COLUNA DOMINICAL



A essência do sistema de pontos corridos, com turno e returno, é a igualdade de condições entre os participantes. O Tabajara FC joga nas casas de todos os adversários, e todos os adversários jogam na casa do Tabajara. Se o Tabajara perder pontos em seu estádio, no turno, poderá recuperar os mesmos pontos, dos mesmos adversários, quando o mando se inverter. Após os dois turnos, se o Tabajara fizer mais pontos do que os outros, será campeão. É das coisas mais simples do mundo.

Igualdade de condições pressupõe igualdade de dificuldades. Num campeonato ideal, o Tabajara deverá mandar todos os seus jogos no mesmo estádio, e escalar seu melhor time contra todos os oponentes. É o que faz com que o primeiro jogo do campeonato tenha exatamente o mesmo valor do último. E que “o campeonato que não tem finais” tenha, no caso do Brasil, trinta e oito decisões.

Mas sabemos que não é assim. Competições simultâneas, em momentos distintos do Brasileirão, obrigam seus participantes a tomar decisões com base, é lógico, nos próprios interesses. O Fluminense priorizou a Libertadores no começo do Campeonato Brasileiro. O Internacional priorizou a Sul-Americana no final. São apenas dois exemplos.

Na Europa é igual. Times montam seus elencos de forma a ter quantidade e qualidade para disputar as ligas nacionais e copas continentais. As escalações vão de acordo com a cabeça do treinador, e das chances de êxito em cada tabela. Como (quase) sempre é o campeonato nacional que fica em segundo plano, a tal igualdade de condições desaparece no momento em que se escala um time “alternativo”, em nome do descanso de alguns jogadores. Isso é bom? Não. Há o que fazer? Desculpe, também não.

Mas há o que fazer quando a questão está ligada ao mando de campo, situação que se apresenta hoje, na última rodada do BR-08. O Goiás deveria receber o São Paulo no estádio Serra Dourada, onde mandou dezessete jogos (incluindo uma derrota por 3 x 0 para o Grêmio, em 14/06) no campeonato.

Mas por conta dos tumultos ocorridos nas arquibancadas na partida contra o Cruzeiro (em 02/11), foi proibido de jogar em casa. A perda de três mandos atingiu o jogo contra o Botafogo, que aconteceu no estádio Juscelino Kubitschek, em Itumbiara. Não há motivo para que Goiás x São Paulo, tomadas as devidas providências de segurança para um jogo decisivo, não seja no mesmo local. O JK tem capacidade, recebeu cerca de 40 mil pessoas na final do Campeonato Goiano. Mas a CBF, que escolhe os estádios em caso de perda de mando, não pensou assim. Seu diretor de competições, Virgílio Elíseo, disse ao Blog do PVC: “Com todo o respeito a Itumbiara, eu não poderia levar a decisão para o interior de Goiás”. Por que não? Se o Botafogo pode jogar em Itumbiara, todos podem. No formato atual, um jogo não vale mais do que outro.

Se a CBF queria fazer uma final no neutro Bezerrão, para agradar o estádio “mais moderno do Brasil”, o adversário do São Paulo não deveria ser o Goiás. Deveria ser o Grêmio.

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A história da tentativa de suborno ao árbitro Wagner Tardelli está pessimamente mal contada.

E a CBF deveria divulgar a “versão completa” de uma vez, mesmo que a rodada de hoje fosse suspensa.

E se a FPF está envolvida, como parece estar, ela também deve vir a público para nos ajudar a entender o caso.

O maior absurdo de todos é a rodada acontecer, o título ser conquistado, e a segunda-feira apenas aumentar as dúvidas e desconfianças.

Mas o BR-08 será decidido hoje, sem que as devidas explicações sejam dadas. Portanto…

Rogério Ceni acertou no que declarou domingo passado. Se alguém dissesse, na virada do returno, que o São Paulo chegaria ao último jogo podendo empatar para ser campeão, poucos acreditariam.

Mas como o BR-08 mudou a cada rodada, as expectativas também. E tudo é questão de expectativa. O São Paulo, que pode ganhar um título quase impossível, também pode perder um título que estava “ganho”. Vai entender.

Não acho que algo mudará entre os quatro primeiros, ou entre os quatro últimos. Libertadores e Série B, portanto, estão fechadas nos meus palpites.

Mas como não gosto de jogos de azar, não vou apostar numa rodada em que coisas incríveis podem acontecer.

Diga-me: quando Nilmar correu para o mar vermelho, após o gol mais importante da carreira dele, a Copa Sul-Americana pareceu um torneio menos importante?

Lembrando: lançamento de “Aqui Tem! Vitórias e Memórias de Fernando Meligeni” amanhã, na livraria Leitura do BH Shopping, em Belo Horizonte. E na terça-feira, na MegaStore Saraiva do Shopping Iguatemi de Campinas. Ambos às 19 horas.

Também na terça, e também às 19h, a editora DBA e Thomas Farkas lançam “Thomas Farkas, Pacaembu”, no Museu do Futebol, em São Paulo. Lindas imagens do belíssimo estádio paulistano. Muito, mas muito mais bonitas do que a imagem que o futebol tem hoje. E terá amanhã. Bom domingo.



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