HUEVOS



Interessante debate na Argentina (que também vale por aqui) sobre o episódio entre Juan Riquelme e um torcedor do Boca Juniors, em La Bombonera, sexta-feira passada.

Após marcar o gol da vitória do Boca (2 x 1) sobre o Racing Club, Riquelme se aproximou da linha lateral e, irritado, apontou para um dos camarotes.

Não se sabe exatamente o que ele gritou para Agustín Pozzetti, de 21 anos, mas estou certo de que não foram palavras publicáveis.

Riquelme alega que rebateu as ofensas do rapaz.

Pozzetti foi agarrado por outros torcedores, no que poderia ter se transformado em briga.

Não houve violência.

Aqui, uma entrevista com o torcedor (que diz que apenas “agarrou os próprios testículos” e pediu “ovos” – expressão em espanhol que significa raça), publicada no diário Olé.

Um promotor público está analisando o caso, e Riquelme pode ser punido por “incitar a desordem”.

Na pior das hipóteses, isso dá 10 dias de prisão. Argumentos válidos dos dois lados. De um:

– Comprar um ingresso dá direito ao torcedor de ofender um cara que está trabalhando (lembrete: árbitros e auxiliares também estão)?

– Alguém faz isso, num show de música, por não gostar da apresentação?

Do outro:

– Jogadores precisam entender que seu trabalho mexe com as emoções do público.

– Um gesto como esse pode desencadear tumultos em que pessoas correm perigo.

De que lado você está? Em 2006, num clássico entre Santos e Corinthians no Pacaembu, Zé Roberto foi expulso pelo árbitro Wilson Luiz Seneme por comemorar um gol mostrando a camisa para a torcida adversária.

Em abril deste ano, a CBF vetou a maldita “dança do créu” e “outras comemorações ofensivas” nos jogos do Campeonato Brasileiro.

Esses dois exemplos tratam de provocações entre jogador e torcedor rival. O caso em questão é um pouco diferente.

Minha opinião: num mundo ideal, ninguém deveria ir a um estádio de futebol para ofender quem quer que seja. Mas o mundo está longe (e alguns lugares, ainda mais) do ideal. Eu sei que, para quem não está lá dentro correndo e ouvindo bobagens, é fácil falar. Mas Riquelme foi mal. Só que colocar o cara em cana por isso não pode ser sério.



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