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Quando eu estava na quarta série do ginásio, tinha um colega de classe que se chamava Benê. Benê era (certamente ainda é, mas nunca mais o vi ou ouvi falar dele) uma inteligência muito superior, ao lidar com números. Eu começava a desenvolver uma relação conturbada com a matemática (com o tempo, só piorou), e ver Benê rir daqueles problemas insolúveis me impressionava. Não era o único. Até os professores se espantavam. Na época das provas, uma brincadeira em nossa classe era apostar em quanto tempo Benê entregaria a dele, perfeitamente preenchida. Em coisa de vinte minutos (numa aula de uma hora) ele se levantava com cara de sono, deixava aquele papel na mesa do professor, e se debruçava na janela da classe para ver o tempo passar. Vinte minutos. Foi o tempo que o Brasil demorou para resolver o jogo de hoje, contra a Venezuela. Kaká aos 5 (belo gol), Robinho aos 9 (outro), Adriano aos 18. Depois, o Brasil usou a tarde quente e o ótimo gramado do estádio Pueblo Novo para treinar. Sim, era a Venezuela. Sim, Júlio César foi exigido (mais sobre isso em instantes). Sim, o goleiro venezuelano tem 1,80m. Sim, obrigação não é virtude. Mas quando a Seleção não faz o mínimo necessário (ex: vencer a Bolívia no Engenhão), ouve críticas. Quando faz (ex: golear a Venezuela seja onde for), ouve elogios. Sempre foi assim, sempre será. Porque o mínimo necessário, para a Seleção Brasileira, está alguns patamares acima. Como o Benê estava. Robinho fez mais um, após receber ótimo passe de Kléber, fechando o jogo em 4 x 0. Só que poderia (até deveria) ter sido diferente, se o gol brasileiro não estivesse totalmente fechado por Júlio César, autor de duas defesas sensacionais. Na verdade, foram quatro. Dois pares de defesas, à queima-roupa. Um par logo no início, com 0 x 0 no placar. E outro no começo do segundo tempo. Os americanos chamam esses lances de “bang-bang plays”. JC teve reações rapidíssimas, e ainda defendeu outras bolas teoricamente menos difíceis. E é preciso dizer que foi Kaká quem determinou o caminho que o jogo tomaria, na primeira bola que recebeu como gosta. Ignorou o zagueiro com um drible, o goleiro com um chute forte, os problemas do passado recente com o futebol de quem é fora-de-série. Só a Seleção Brasileira é capaz de arrumar confusão com um jogador do calibre dele. O Brasil tratou a Venezuela como Benê tratava as provas de matemática. Vinte minutos de esforço. A Colômbia vem aí na quarta-feira, noite para fechar a rodada com um 10. Mesmo que demore um pouco mais.



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Hoje, depois de Venezuela x Brasil. Até mais tarde.



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