DESEJO PERIGOSO



Há um ditado em inglês cuja tradução é mais ou menos assim: “Cuidado com o que você deseja, pois pode acontecer”. Robinho sabe bem disso, agora. Quis tanto sair do Real Madrid, que conseguiu. Mas o plano era outro, e eu gostaria de ser uma mosca para estar na sala quando ele e seu staff chegaram à conclusão que havia duas opções: jogar no Manchester City ou jogar no Manchester City. O segundo time da cidade inglesa jogou mais dinheiro na mesa (R$ 100 milhões de reais) e levou o brasileiro que queria mesmo ir para a Inglaterra, mas para Londres. E para o Chelsea. Convenhamos, a diferença é enorme. O que espanta (ainda que cada um tenha pleno direito de fazer com sua carreira o que bem entender) é o desejo de deixar o Real Madrid como se o clube nove vezes campeão europeu fosse um time qualquer. O episódio me fez lembrar uma frase de Zinedine Zidane, ao trocar a Juventus pelo Madrid em 2001. ZZ disse que o motivo da transferência foi sua vontade de ganhar a Liga dos Campeões. Mas o gênio francês é exceção, eu sei. A escolha pela fortuna esportiva é rara. A regra é optar apenas pela fortuna, como fez Robinho. Desnecessário lembrar que, nesse aspecto da vida, as preocupações do brasileiro acabaram há muito tempo. Conhecemos a situação dele no clube, sua relação com técnico e companheiros? Não. Mas sabemos que quem fechou definitivamente a porta foi o próprio Robinho. A pergunta que não será respondida é a seguinte: se Robinho tivesse a opção de seguir no Real Madrid, aceitaria ir jogar no Manchester City? É óbvio que não. E a grande ironia nessa história toda é que, ao que parece, tudo começou porque ele não digeriu bem a intenção do clube de usá-lo como moeda na contratação de Cristiano Ronaldo. Ok, dá para entender. Só que se o negócio tivesse sido feito, Robinho seria jogador do Manchester. United.



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