OURO PARA QUEM MERECE



Minha coluna no Lance! de hoje é sobre uma conversa que tive quatro anos atrás. Na cafeteria da ESPN Brasil, enquanto aguardávamos o início de uma entrevista, José Roberto Guimarães e eu conversávamos sobre o que tinha acontecido duas semanas antes. A inexplicável derrota da seleção brasileira de vôlei feminino para a Rússia, na semifinal da Olimpíada de Atenas. Zé Roberto estava devastado pela eliminação. Quando perguntei se ele pretendia continuar como técnico do time, ele respondeu que não sabia. “Se continuar, terá que ser com um time comprometido com um único objetivo, que é ganhar o ouro em Pequim”, ele concluiu. A bola pingou e eu quis saber se o time que foi a Atenas não tinha esse compromisso. Zé Roberto balançou a cabeça. Falou, sem citar nomes, sobre a turminha que reclamava de fazer musculação, “porque o namorado não gosta de braço musculoso”. Ouvi, um tempo depois, uma história sobre uma jogadora que discursava no vestiário, após o jogo, berrando que “não podemos deixar a Mari ficar como a culpada”, falando da novata (à época) que errou bolas decisivas contra as russas. Mari, obviamente, não tinha culpa nenhuma. Ela só apareceu naquelas situações porque outras jogadoras sumiram. E é lógico que quem discursava era uma das desaparecidas. Aposto que ela também fazia parte da turma que se preocupava mais com estética do que com títulos. Teve também o caso dos DVD´s dos adversários, que eram analisados por outro treinador. Normal, até, desde que Zé Roberto soubesse. Mas ele não sabia. Avance quatro anos no tempo, e saiba que a impecável campanha que terminou hoje com a vitória (3 x 1 – 25/15, 18/25, 25/13, 25/21) sobre os Estados Unidos não aconteceu com este grupo por acaso. Há um motivo para a primeira medalha de ouro olímpica do Brasil, num esporte coletivo feminino, ter sido conquistada pelas atuais jogadoras. Esse motivo é o fato delas formarem um time só. A vitória deste sábado (dia em que Mari completou 25 anos) não muda nada a respeito daquela terrível noite em Atenas. Apenas a coloca em seu devido lugar. E acerta os ponteiros com quem merece viver a alegria de um título olímpico. ATUALIZAÇÃO, 24/08, 11h27 em Pequim – Tecnicamente, como lembraram alguns comentários, o ouro no vôlei não foi o primeiro do Brasil em esportes coletivos femininos. Jaqueline e Sandra ganharam o vôlei de praia, em Atlanta 96. Quanto ao tamanho de cada conquista, é uma questão de opinião.



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