VELOCIDADE NO DNA



Em 10 de janeiro de 1987, César Cielo Filho nasceu em Santa Bárbara do Oeste, interior de São Paulo. Seu pai lembra do dia como uma tensa mistura de emoções. César nasceu prematuro, num parto complicado que terminou em cesária de urgência. Vinte e um anos, sete meses e quatro dias depois, o menino foi rápido, de novo. E numa piscina chinesa, distante milhares de quilômetros de Santa Bárbara, só dois homens foram mais rápidos do que ele. A final dos 100m livre foi tão equilibrada que teve duas chegadas. O francês Alain Bernard (47s21) e o australiano Eamon Sullivan (47s32) praticamente dividiram a medalha de ouro. Cielo e o americano Jason Lezak, iguais em segundos e centésimos (47s67), literalmente dividiram o bronze. Os pais de Cielo, César e Flávia, vieram a Pequim e por pouco não viram o filho nadar. Não tinham ingresso, não conseguiram comprar. A proximidade do dia da prova deixou a mãe dele doente de nervosismo. Até que a TV Globo arrumou dois ingressos para a final desta quinta-feira. Cielo sabia que a medalha de bronze estava ao alcance, e fez o que os grandes nadadores fazem quando uma oportunidade aparece. Sua performance foi fantástica. Comovente cena o encontro da família, do lado de fora da piscina. César pai não via o filho, que treina e estuda nos Estados Unidos, desde abril. Calcule o que é ter de matar a saudade, comemorar a medalha, celebrar um dia tão importante, tudo num só e rápido abraço, porque o trabalho ainda não terminou. O mesmo gene da velocidade que causou tanta apreensão em janeiro de 1987, retribuiu com felicidade 21 anos depois. Algumas histórias são tão boas que parecem ter sido escritas. ATUALIZAÇÃO, 14/08, 21h18 em Pequim – César Cielo, rápido como jet-ski, quebrou o recorde olímpico dos 50m livre (21s47), nas eliminatórias da prova. Antes que ele pudesse dizer o que achava, sua marca foi batida pelo francês Amauri Leveaux (21s46, sim, um centésimo), na bateria seguinte. Nicholas Santos (22s00) também se classificou. O tempo de Cielo confirmou o que a prova dos 100m havia sugerido: o brasileiro vem sendo um dos nadadores mais rápidos na distância mais curta da natação olímpica. ATUALIZAÇÃO, 15/08, 10h36 China time – Recorde olímpico (21s34) retomado por Cielo, nas semifinais. Nicholas Santos (22s15) não se classificou.



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