O TESTE DO ELEVADOR



Na sociedade chinesa, o propósito da mulher é procriar, cuidar da própria família e da família do marido. É assim desde sempre. O tempo passa, algumas coisas mudam, mas o que é tradicional permanece. E neste tradicionalismo, a mulher chinesa não trabalha, não decide, e não reclama. É comum ver, em mesas grandes de restaurantes, homens de um lado e mulheres do outro. Estão juntos, mas separados. Gentileza zero. Homens andam na frente, mulheres se viram. Afeto zero. Exibições públicas de carinho são raras, homens não cumprimentam mulheres com beijos. Quando se vê algo diferente disso nas ruas, pode ter certeza de que são jovens, mais ocidentalizados. E é engraçado o que acontece quando vemos casais adolescentes, vestidos de forma mais colorida, esbararrando numa certa rebeldia, andando de mãos dadas na calçada. Junto com o pensamento de que as coisas podem estar caminhando num sentido mais “normal”, do ponto de vista não-chinês, há a possibilidade desses jovens sofrerem discriminação por serem diferentes. Mas tomara que não. O fato é que, entre os mais velhos, não tem conversa. Dia desses, entrei no elevador do prédio de apartamentos onde estamos hospedados. Havia uma senhora chinesa dentro. O elevador chegou ao térreo, a porta abriu. Com o braço na frente do sensor, impedi o fechamento e olhei para ela, como que dizendo “por favor…”. A senhora ficou me olhando, sem dizer nada. Não se mexeu. Tentei de novo, gesticulando que ela podia passar. Nada. Saí torcendo para que a porta não fechasse, e pensando que talvez o destino dela fosse o subsolo. Ela só veio depois de mim.



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