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Depois de conversar com Denílson e Kléber, os dois jogadores do Palmeiras que foram expulsos na derrota de domingo para o Goiás, Toninho Cecílio não respondeu se eles receberam alguma punição. O gerente de futebol limitou-se a dizer que “a diretoria tomou as providências que achou necessárias” com relação aos atacantes. Antes de seguirmos, tornar (ou não) público um assunto interno de um clube é uma decisão que precisa ser respeitada. Cada um sabe o que lhe faz bem. Mas como, na segunda-feira, o mesmo Toninho havia falado em punição financeira para o que a diretoria do Palmeiras considerou expulsões “desnecessárias” (a de Kléber, a terceira em dez jogos; a de Denílson, a primeira, mas depois que o jogo tinha terminado), o fato é que se a multa não foi aplicada, pelo menos foi cogitada. Durante a entrevista, Toninho foi perguntado se um clube pode “mexer no salário de um atleta”. A resposta foi que um clube “pode fazer o que achar que deve”. Na hora, lembrei de dois casos: a multa de 40% do salário que o São Paulo aplicou em Adriano, e a ameaça do Schalke 04 de taxar o brasileiro Rafinha em 25 mil euros por dia de atraso na apresentação (Rafinha desembarcou em Cingapura com a Seleção Olímpica, não parece muito preocupado com a cotação do euro). O blog recebeu comentários e e-mails sobre o tema, e tratou de procurar quem conhece o assunto. Nas relações “normais” de trabalho, é impensável um funcionário ser multado por seu empregador. Advertências, suspensões, até demissão, estão previstas nas leis trabalhistas. Mas chegar ao fim do mês e ver que um percentual do seu salário não foi depositado, porque você levou uma com o cabelo do seu chefe, é ficção. Mas não no futebol. O Dr. Luiz Felipe Santoro (entre outras qualidades, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo), consultor informal deste blog, explica que o contrato de trabalho padrão de um jogador brasileiro de futebol está de acordo com a CLT, mas tem cláusulas peculiares garantidas pela Lei Pelé. Uma delas permite que um clube multe um jogador, em caso de desrespeito às normas do contrato, em até 40% dos seus vencimentos. Então, aí está. No futebol, o cabelo do chefe é assunto proibido.



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