O MARACANÃ AGUARDA



Publico aqui minha coluna no Lance!, do último sábado. Que a noite de hoje mude a história da Libertadores, e o jogo contado abaixo não seja mais único. “FOI ASSIM QUE ACONTECEU” O jogo não poderia ser realizado no estádio Atanásio Girardot, em Medellín. Em 1989, a casa do Atlético Nacional não tinha capacidade para 50 mil pessoas. O clube decidiu mandar sua inédita final de Copa Libertadores em Bogotá, no estádio El Campín. Trinta mil torcedores colombianos fizeram a viagem de cerca de 410 quilômetros, acreditando que o time seria campeão continental, mesmo tendo perdido o jogo de ida por 2 x 0, para o Olímpia, em Assunção. O primeiro tempo não teve nenhum momento que indicasse que aquela noite, 31 de maio, seria única na história da Libertadores. O Atlético Nacional só deu um chute perigoso ao gol paraguaio. E a maior parte do segundo tempo correu exatamente como o Olímpia queria, calma. Até o atacante Albeiro Usuriaga (que jogou no Santos em 1996, e foi assassinado a tiros em 2004, numa boate em Cali) cruzar uma bola rasteira da ponta direita. O goleiro Hugo Almeida falhou ao sair na primeira trave, e o lateral Fidel Miño, assustado com a bola que passou, marcou contra. Eram 36 minutos, quando o El Campín acordou. Usuriaga quase marcou o gol que igualaria o placar agregado da decisão, num chute de longe, por cobertura, que Almeida se esticou para mandar a escanteio. O quadragésimo-sexto minuto do segundo tempo mostraria que o lugar dele era dentro da área. A bola atravessou o campo de defesa do Olímpia, da esquerda para a direita. O cruzamento saiu do bico da área, para a segunda trave. Na disputa pelo alto, a zaga paraguaia não tirou e Usuriaga, na risca da pequena-área, cabeceou para o gol. Dois a zero. Cinqüenta mil colombianos fizeram a capital do país tremer, e os narradores de rádio gritarem um dos gols mais longos de suas carreiras. O jogo logo acabou. Mas o suspense e a angústia, não. A Copa seria decidida pela crueldade dos pênaltis. O árbtiro argentino Juan Carlos Loustau escolheu o gol defendido por René Higuita no segundo tempo, cujas redes não haviam balançado. E teimariam em não balançar. Higuita pegou o primeiro pênalti da decisão, cobrado pelo companheiro de posição. Almeida bateu no canto direito baixo, onde o cabeludo foi buscar. Mas o goleiro paraguaio se redimiria ao defender a cobrança do capitão do Atlético Nacional, Aléxis Garcia, empatando a primeira série. Higuita ainda converteu o último penal, evitando o título do Olímpia. O que aconteceu a seguir é difícil de acreditar. Sete pênaltis seguidos foram desperdiçados. Higuita pegou mais três, Almeida defendeu um, dois foram para fora, e um no travessão. Por três vezes, bastaria o Nacional marcar para ser campeão. Até que, às 11h45 da noite, Leonel Alvarez mandou Almeida para o canto esquerdo, a bola para o direito, e a Colômbia para o céu. O primeiro time colombiano a conquistar a América é o único, em 48 anos de Libertadores, a se recuperar de uma derrota por dois gols na final. O Fluminense quer repetir o feito. Dizem que cada jogo tem uma história, e é a pura verdade. Essa é a história de um jogo único.



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