‘Você sabe por que o Waldir Peres é careca?’



“Sabe por que o Waldir Peres é careca? Porque toda vez que toma um frango passa a mão pela cabeça”. Foi na Copa de 1982, minha primeira lembrança de futebol, que alguém da minha família contou a piada. Deve ter sido depois da falha contra a União Soviética, a única do goleiro brasileiro naquele Mundial.

Eu tinha 5 anos, quase 6, e não demorei tanto a entender a injustiça por trás daquela brincadeira. O goleiro da camisa cinza, fundamental no primeiro título brasileiro do São Paulo, em 1977, não era careca por causa das suas falhas. Se fosse assim, seria cabeludo, porque sua carreira não foi marcada por frangos. Semanas depois de falhar contra a União Soviética, teve uma atuação soberba contra a Argentina, então atual campeã.

Waldir Peres

Waldir Peres: morreu um ídolo da minha geração, o goleiro de 1982 (Foto: Reprodução)

A agilidade e a ótima colocação compensavam o fato de não ser muito alto pra um goleiro – tinha 1,81 m. Foi um exímio pegador de pênaltis, dessa forma deu ao São Paulo os títulos paulista de 1975 e o Brasileiro de 1977, contra o invicto Atlético-MG.

Foi um herói da minha geração, daqueles que a molecada escolhia quando ia pro gol na brincadeira ou na aula de educação física. “Eu sou o Waldir Peres”, muitos diziam. Como também escolhiam Rodolfo Rodrigues, Raul e Leão. Eram poucos como ele. Eram raros.

Waldir, ídolo que jogou três Copas do Mundo e também defendeu Ponte Preta – que o revelou – e Corinthians, entre outros, se foi no último domingo, vítima de seu coração. Na minha memória vai ficar o goleiro da camisa cinza que secretamente, porque não era do meu time, fazia parte da lista dos melhores de todos os tempos dos meus times de botão.



  • Saulo

    Waldir Peres foi sem dúvida um dos cinco ou tres melhores goleiros brasileiros de sua época. Rivalizava com Leão (o melhor), Carlos, Raul e Paulo Victor. Neste conjunto, acho que somente Leão e Carlos eram melhores.

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