Surrealismo vascaíno ganha novo personagem: a urna 7



Por Bruno Guedes *

Há oito anos, durante a primeira de três incursões pela Série B, o Vasco subiu sob o lema de “O sentimento não para”. Na madrugada deste 8 de novembro, ficou claro é que não há fim para a agonia do torcedor cruz-maltino. É o dia em que entra para a história do futebol a urna 7, em que Eurico Miranda venceu com 90% dos votos, superando assim o rival, Julio Brant, em apertada votação.

A justiça agiu antes das eleições presidenciais no Gigante da Colina, apontando suspeita sobre uma parcela dos cadastros de sócios com direito a participar do pleito. Cada um desses associados teria, assim, que depositar o voto em separado. A urna, de número 7, foi logo a primeira a ser apurada, tendo esmagadora vitória do atual presidente, acusado de manter um “mensalão”.

Eleições do Vasco ganharam novos capítulos na Justiça (Foto: Divulgação)

Eleições do Vasco ganharam novos capítulos na Justiça (Foto: Divulgação)

Sem tais votos, a chapa encabeçada por Julio Brant, alavancada há três anos, na última eleição pelo apoio de Edmundo e fortalecida em 2017, teria desbancado Eurico. Com isso, como já foi anunciado, haverá acionamento da justiça para tentar reverter a proclamação feita ontem, da vitória da chapa da situação. Tudo correu tão estranhamente que terminou com duas correntes comemorando. É um surrealismo cruz-maltino, por assim dizer.

No Vasco, hoje, grande parte da torcida vai ao estádio e grita “Fora Eurico” a plenos pulmões. Em seguida, se tornou hábito esses protestos acabarem reprimidos com violência, que parte de membros de torcida organizada. Talvez não haja clube com panorama tão atípico, para falar o mínimo. Situação que se agrava agora, com eleição aberta, mesmo após apuração.

Enquanto a justiça não proclamar o vencedor e forem esgotados os recursos, o Vasco estará ali, deitado na sarjeta, sangrando aos olhos de todos. É possível atendê-lo com cuidado e recuperá-lo a longo prazo, embora se saiba que já não é a primeira vez que a instituição chega a esse estado, o que torna mais complicado colocá-la de pé novamente.

Que seja a tempo de não enterrarem o Vasco, esse gigante do futebol brasileiro.

* Bruno Guedes é jornalista.